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2 de abril de 2012

Os saberes docentes e o professor da educação profissional

artigo meu publicado na revista Direcional Educador, edição 86 - Mar/2012

O atual cenário da sociedade contemporânea requer uma Educação Profissional diferente capaz de atender as demandas do mundo do trabalho e exigências da sociedade. Conseqüentemente, o professor dessa modalidade de ensino sofre novas exigências para atuar com os seus alunos. Agora além de promover os conhecimentos referentes às profissões que vai desenvolver junto com os seus alunos, ele precisa se ater às questões pedagógicas, sociais, culturais e políticas inseridas no contexto da escola, desta forma alerta Perrenoud “a tarefa dos professores encontra-se globalmente alterada”. 

Porém, quando analisada a história da educação brasileira, percebe-se certo descaso com a formação de professores para a Educação Profissional. Um quadro de descontinuismo e inconsistência têm caracterizado as políticas públicas e as concepções teóricas no tocante a formação destes. Além do mais as próprias legislações atestam o foco nos conteúdos e na experiência profissional da área técnica de origem desses professores (medicina, engenharia, informática, etc.). Em muitos casos minimizam a importância dos saberes pedagógicos e desconsidera a necessidade de uma preparação, ou de um saber, especifico para o exercício da docência. Como se os saberes adquiridos no exercício profissional bastassem para assegurar um bom desempenho docente. 
"A especificidade dos contextos em que se educa adquire cada vez mais importância: a capacidade de se adequar a eles metodologicamente, a visão de um ensino não tão técnico, como transmissão de um conhecimento acabado formal, e sim como um conhecimento em construção e não imutável, que analisa a educação como um compromisso político prenhe de valores éticos e morais (...)"  

E neste contexto, independente, do amplo universo que engloba a Educação Profissional no Brasil , tirando-se as diferentes exigências legais para o exercício da docência em cada um dos respectivos níveis (formação inicial, ensino médio técnico ou ensino superior), estas mudanças a atingem uniformemente. 

O professor que atua nesta modalidade de ensino vive sob uma crença, abastecido pelo senso comum e muitas vezes pelos próprios documentos legais, de hipervalorizar os conhecimentos e a experiência profissional provenientes da área original. Assim, por exemplo, para ser professor de lógica de programação basta ser um analista de sistemas, para lecionar ergonomia basta ser um médico do trabalho, para assumir o ensino de Modelagem de Roupas basta ser um Estilista e assim por diante. 

Esta concepção se fortalece ainda mais no conceito que o domínio dos conhecimentos técnicos da profissão sejam suficientes para permitir que um indivíduo diplomado assuma a docência de determinada disciplina e/ou curso na Educação Profissional. 

Em suma para o exercício da docência na Educação Profissional o foco é na competência científica, desprovida de qualquer especificidade pedagógica. Portanto, é preciso repensar a formação deste docente, indo além do repasse dos saberes específicos. 
"[...] o futuro profissional da educação necessita ter uma formação que vá além do domínio dos conteúdos específicos de sua área de conhecimento, pois ele precisa também da formação político-pedagógica e epistemológica do conhecimento."

Para ler o texto completo publicado na revista clique aqui

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