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27 de abril de 2011

A leitura na construção da dignidade humana

Língua: primeira manifestação cultural de qualquer sociedade. Expressão maior do ser humano, em diferentes maneiras: verbal e não-verbal; escrita e falada; culta e variante; musical e visual.

Há quem escreva sem conseguir organizar as ideias até para si próprio e, desnorteado recorre às instâncias celestes para que o ajude a conquistar uma vaga em algum curso superior através das seleções dos programas oferecidos pelo governo( refiro-me especificamente ao ENEM 2010).

O tema a ser discorrido no Exame Nacional deste ano foi a respeito do trabalho na construção da dignidade humana. Um vexame! A maioria dos candidatos superam as expectativas daqueles que colecionam as famosas pérolas. Muitos textos valendo-se dos trechos da coletânea da avaliação fixaram seu ponto de vista pegando carona na Lei Áurea que, segundo as exposições verbais, até hoje, ainda não foi validada; e, insistem que “precisamos ter liberdade e que é preciso promover ações sociais antiescravistas” porque a alforria precisa ser dada a todos os brasileiros; outros, aproveitam para registrar o seu machismo lamentando que a Lei Áurea tenha sido assinada por uma mulher, melhor seria e valeria mais se tivesse sido um homem a assiná-la. Outros ainda, “com olho nu” observaram a festa da democracia ( referindo-se à eleição da presidente, Sra. Dilma Roussef), e, sem citar as ambiguidades que deixa qualquer um aturdido.

Mais da metade das produções anunciavam o grande momento de encerrar “da coisa”, ou melhor, do texto, na famosa expressão “ concluimos que é uma coisa que não pode continuar como está”; fico tentando imaginar como é que ficará a escrita diante de tais artimanhas.Instigante esta busca desvairada pela liberdade, pois acabamos presos apenas na procura, enquanto que a exposição verborrágica desta angústia não tem fronteiras... E haja imaginação para alcançar a escrita com fúria de liberdade!

O indivíduo que diz ser social foge dos ambientes que dão acesso ao conhecimento e ampliam a cultura; os jovens perderam o jeito de lidar com os livros, os adultos também querem seguir os modismos e se arriscam em “copie e cole” da internet. Os meios de comunicação mais utilizados pela população deixam as pessoas sem senso crítico tornando-se meras repetidoras do que ouvem incessantemente. O vocabulário para a escrita é o mesmo das conversas informais dos botequins e shoppings (local onde a maioria dos adolescentes e suas tribos se encontram), e, a leitura... leitura? Ah! Vai mal! muito esquecida e preterida em detrimento das famosas e conglomeradas redes sociais.

Numa sociedade dita da informação e inovação devem coexistir desenvolvimento e reflexão sobre alguns valores e hábitos( especificamente o hábito da leitura) que podem até achar ridículos ou démodé, mas que são saudáveis e colaboram bastante para melhorar a retórica, ampliar o vocabulário e facilitar a grafia nas produções de textos.

Dá pra ser um intelectual e viver antenado com os softwares de última geração, o que não dá é continuarmos com as mentes aprisionadas pelas armadilhas das palavras da própria escrita. Como já dizia (MÁRIO QUINTANA)“ OS VERDADEIROS ANALFABETOS SÃO OS QUE APRENDERAM A LER E NÃO LEEM.”

Wânia Elias - Licenciada em Letras (UEG), Especialista em Literatura Brasileira e Docência Superior. Atualmente trabalha como coordenadora do Atendimento Educacional Domiciliar - modalidade do Ensino Especial. (http://lattes.cnpq.br/5438448620901446)

este texto foi enviado pela própria autora ao Depois da Aula

24 de abril de 2011

Sucesso... por Rubem Alves

FIZERAM UMA enquete entre pessoas que, a seu juízo, tiveram sucesso, eu entre elas. Queriam descobrir o segredo. Eram seis perguntas:

1) Se tivesse que definir sua história profissional em três palavras, quais seriam?
Um jovem me perguntou: como planejei a minha vida para chegar aonde cheguei? Respondi: cheguei aonde cheguei porque tudo o que planejei deu errado. A primeira palavra, então, seria "acidente".
Depois, há de se ter um dom, coisa que não se faz, mas se recebe dos deuses. Quis muito ser pianista. Fracassei porque me faltava o dom. Já vi muitas promessas em livros de autoajuda do tipo "você está destinado ao sucesso...". Isso é mentira. O querer nada pode sem o dom.
Finalmente, é preciso trabalhar.

2) Quais diferenciais uma pessoa deve possuir para conquistar o sucesso em sua profissão?
Não gosto dessa palavra "sucesso". O que é sucesso? Vender um milhão de livros? Muitos livros medíocres são vendidos aos milhões, enquanto outros livros geniais não vendem uma única edição.
Muitos sucessos acontecem por acidente, trapaça ou malandragem. Ser eleito deputado ou senador -isso é sucesso?
Não se aprisionar ao costumeiro. Uma mulher que não conheço me enviou um presente, um quadro bordado em ponto cruz com as palavras "Deus abençoe essa bagunça"... Nietzsche nos aconselhou a construir nossas casas nas encostas do vulcão Vesúvio... Curiosidade.

3) Você deve ter acompanhado muitas pessoas que atingiram um reconhecimento em sua carreira, mas que, em pouco tempo, acabaram esquecidas. Quais os cuidados que um profissional deve tomar para que isso não ocorra?
Isso nunca me passou pela cabeça... Eu riria de uma pessoa bem-sucedida que se preocupasse com isso. Acho que essa preocupação é própria de pessoas narcisistas. E eu desprezo os narcisistas... Um conselho maroto, de bufão: "Esforce-se para aparecer na "Caras". Com seu rosto sorridente lá, você não será esquecido...

4) Que ações e atitudes você tomou em sua vida e que, na sua opinião, foram determinantes para o sucesso em sua carreira?
Uma das minhas características que em nada ajudam o sucesso foi a "rebelião". Fui um rebelde na religião, um rebelde na psicanálise, um rebelde na esquerda, um rebelde na educação. "Em cada chegada, eu sou uma partida", dizia Nietzsche. E Eliot: "Numa terra de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo...". Acho que aqueles que gostam de mim têm esse traço comum: andam na direção contrária.

5) Já houve momentos em que você pensou em desistir? Em que pensou que nada daria certo? Se sim, o que você fez para superá-los e seguir em frente?
Sim. Cheguei a me candidatar a vendedor da "Enciclopédia Britânica" de casa em casa... Mas, repentinamente, o vento virou e encheu as minhas velas... É preciso estar atento à direção do vento...

6) Qual a lição mais importante que você teria para quem deseja afinar-se para o sucesso?
Não queira afinar-se para o sucesso. Não faça do sucesso o seu deus. Seja fiel a você mesmo. Se vier o tal de "sucesso", melhor para você. Ou pior para você, nunca se sabe... Van Gogh foi um fracasso, nunca vendeu um quadro. Ele poderia ter se "afinado" para o sucesso -pintando quadros mais bonitinhos...

Rubem Alves - Folha de São Paulo, 19 abril 2011, caderno cotidiano, pag. C2

20 de abril de 2011

Escolas públicas de Pernambuco têm realidades opostas

Uma escola estadual no interior do estado de Pernambuco apresenta índices educacionais que são meta para o Brasil daqui a dez anos. Já outras escolas em Recife sofrem com a falta de professores e carteiras, o que deixa um grande número de alunos sem aula.


Globo News Especial - Escolas públicas de Pernambuco têm realidades opostas

17 de abril de 2011

Luto

Faleceu hoje em Goiânia o prof. Valter Soares Guimarães. Deixo aqui a minha homenagem a este professor e colega pedagogo. Na minha lembrança ficará a alegria sincera que este grande mestre trazia as suas aulas.

12 de abril de 2011

País supera ricos no gasto em escola privada

Percentual do PIB brasileiro que é destinado a despesas com educação particular é maior que média da OCDE
Folha de São Paulo
FÁBIO TAKAHASHI

A gerente de treinamento Ana Paula de Figueiredo Fernandes, 40, estima gastar R$ 10 mil ao mês com a educação de seus quatro filhos, todos em colégio privado. Só de mensalidade, na Escola Santi, zona sul paulistana, são R$ 5.000. Também há gastos com material, transporte e cursos extras. "Vivemos para sustentar isso", diz.
"Não conseguimos viajar regularmente. Mas nem temos dúvida sobre a nossa opção. Trabalho com recursos humanos e vejo a diferença que faz ter cursado escola privada. O currículo de um candidato de colégio público, na maioria das vezes, nem chega a ser avaliado."
No Brasil, famílias como as de Ana Paula fazem mais esforço para educar os seus filhos do que as famílias de países desenvolvidos, aponta pesquisa do instituto Insper (ex-Ibmec São Paulo).
Com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o estudo apontou que, no Brasil, 1,3% das riquezas (PIB) produzidas em 2009 foram gastas com educação privada.
Para comparar, a média da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne nações ricas, foi de 0,9%.

Ana Paula gasta cerca de 70% de seu salário com educação dos filhos; 
imagem mostra ela e família

AUSTRÁLIA
O investimento privado brasileiro com educação é equivalente ao da Austrália, cujos alunos conseguiram o 9º melhor posto em ranking de leitura. O Brasil ficou em 53º. A Alemanha gastou 0,7% e está na 20ª posição.
Os dados abrangem mensalidades, do ensino básico à pós-graduação, cursos extras e material -no país, são raros levantamentos sobre gastos privados com ensino.
"Nosso gasto reflete a má qualidade da rede pública. As poucas famílias que podem gastar não veem outra opção", diz Naercio Menezes Filho, autor do estudo. "Nos países da OCDE, em geral, gasta quem quer pôr o filho em tipo específico de escola."
De acordo com a pesquisa, 30% das famílias brasileiras gastaram com educação privada em 2009.
"Há dupla tributação no país, porque as famílias pagam impostos, que bancam o ensino público."

MAIS GASTO PÚBLICO?
Para o pesquisador do Insper, a forma de melhorar o ensino público -o que aliviaria os gastos das famílias com educação- é melhorar a gestão dos recursos. Ele acredita que isso é até mais importante que aumentar a verba destinada ao ensino.
Tal posição tem como base o fato de o país ter elevado o percentual do PIB com educação pública, já chegando a 5,1%, montante superior à média da OCDE, de 4,8%. "Hoje, gastamos mais para uma qualidade pior", afirmou Menezes Filho.
Essa linha de pensamento é polêmica. O próprio Ministério da Educação entende que o país precisa elevar os gastos com ensino público, considerando o atraso em que se encontra na área.
"Estamos em processo de reconstrução da escola pública", diz o pesquisador de financiamento educacional Luiz de Sousa Junior, da Universidade Federal da Paraíba. "A valorização do magistério ainda engatinha. Enquanto não for uma profissão competitiva salarialmente, não atrairá bons alunos."

clique aqui e tenha acesso a reportagem completa da Folha de São Paulo

8 de abril de 2011

Anúncios publicitários em livros didáticos? O que você acha!

Governo chileno aprova anúncios publicitários em livros didáticos
Reportagem do Opera Mundi

Entre o abecedário e a tabuada, estudantes menores de 12 anos estão recebendo nas escolas privadas do Chile um bombardeio de propagandas feitas por empresas multinacionais, como a Claro, do setor de telefonia, a Monarch, fabricante de bicicletas, e a Nestlé, gigante mundial produtora de alimentos.

Os banners, jingles e reproduções de outdoors aparecem entre diálogos de personagens infantis e inseridos em exercícios de leitura em voz alta. As editoras do Chile dizem não receber nada pela propaganda e o Ministério da Educação define o conteúdo como exemplos de textos “autênticos e de circulação nacional”.

Em alguns livros, os anúncios aparecem em página inteira. Em outros, sites de empresas privadas estão indicados no final das lições, como sugestão de leitura para os estudantes.

Em um dos livros, o enunciado convida o estudante a cantar: “Meu primeiro Claro (celular) é a forma mais legal de falar com meus amigos. Meu primeiro Claro é estar longe e me sentir em casa. Se fala Claro, é claro que tem mais.” O conteúdo é apresentado como um modelo de texto publicitário para alunos da 5ª série.

Carmen Ureña, vice-diretora do Grupo Santilla Chile, uma das maiores editoras do país, diz que “a utilização de marcas reais nos textos de Linguagem e Comunicação não constitui de forma alguma publicidade porque a editora não recebe dinheiro destas empresas para que figurem no material pedagógico”. Mais do que isso, ela conta que foi a editora quem pediu autorização das empresas para usar suas campanhas.

Os produtos “anunciados” são justamente os direcionados para o público infantil – conhecido no mercado publicitário por seu grande poder de influência nas compras e pelo baixo senso crítico em relação aos anúncios.
Poema em livro didático envolvendo a operadora Claro. 
Muitos pais deram entrevistas a meios de comunicação chilenos protestando contra o ocorrido. Eles lembram que, ao contrário de um canal de televisão, os estudantes não podem virar a página ou mudar de canal para fugir da propaganda.

A conivência do Ministério da Educação já tornou-se alvo de críticas da oposição. O atual governo do Chile teve início há um ano e, desde o começo, esteve marcado pelas ligações irregulares entre o presidente Sebastián Piñera e inúmeras empresas privadas. Piñera, que figura na lista dos homens mais ricos do mundo produzida pela revista Forbes, governou durante meses sem se desfazer das ações que detinha da empresa aérea LanChile, de uma emissora de TV, um jornal impresso e do clube de futebol Colo Colo.

“O Ministério da Educação aprovou textos escolares com publicidade de celulares, sucos, meias e outras coisas. Não será demais?”, provocou pelo Twitter a presidente do Partido Socialista, Carolina Tohá