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12 de janeiro de 2011

As tecnologias e a verdadeira inovação

José Armando Valente - Revista Pátio  Ano XIV - Nº 56


Para efeito desta discussão, estou assumindo que conhecimento é o que cada indivíduo constrói como produto do processamento, da inter-relação entre interpretar e compreender a informação. É o significado atribuído e representado na mente de cada indivíduo, com base nas informações advindas do meio em que ele vive, formado por sujeitos e objetos. 

Em alguns casos, é possível que o aprendiz possa construir conhecimento como fruto da sua própria reflexão (autodidatismo). Porém, essa construção individual vai até um determinado ponto, a partir do qual, por mais esforço que ele realize, o conteúdo não poderá ser assimilado. Quando os conceitos assumem um caráter científico ou lógico-matemático, para que o aprendiz possa desenvolvê-los, é necessário o auxílio de uma pessoa mais experiente - o agente de aprendizagem.

Assim, a interação do aprendiz com pessoas e objetos, sem a mediação de um agente de aprendizagem, é limitada como meio para a construção de conhecimento. A assimilação gradativa e crescente do mundo que nos rodeia é possível graças à mediação do agente de aprendizagem. Assim, não é qualquer tipo de interação com o mundo que propicia tal construção. Os estudos sobre esse tema indicam que a construção está relacionada com a qualidade da interação (Piaget, 1978), que, por sua vez, depende da mediação de outras pessoas e do próprio conhecimento do aprendiz. A interação efetiva acontece quando o agente de aprendizagem atua no que Vygotsky (1978) denominou de zona de desenvolvimento proximal (ZDP).

A inovação não está na presença da tecnologia
De acordo com Piaget (1976), os objetos são assimilados pelo aprendiz a partir dos conhecimentos de que ele já dispõe. Por exemplo, no caso de estar interagindo com as tecnologias da informação e comunicação (TICs), se o sujeito não consegue entender a função de algumas das características dessas tecnologias, elas não farão parte dos atributos assimiláveis. É fato que as TICs estão ficando cada vez mais sofisticadas, sofrendo transformações para se acomodar às necessidades e aos conhecimentos dos aprendizes, como, por exemplo, utilizando diferentes linguagens no desenvolvimento de interfaces sensoriais, gestuais ou sonoras e facilitando o processo de apropriação tecnológica. Essas características poderão ser mais facilmente processadas pelo aprendiz e ser convertidas em conhecimento, ou seja, ser assimiladas. 

Por outro lado, a apropriação pedagógica das TICs já não é tão trivial e, nesse caso, é necessária a mediação de agentes de aprendizagem. A exploração de características dinâmicas para elaboração de gráficos e simulações ou o uso de outros meios para a representação de conhecimento, como imagem e som, não acontece pela simples interação com as tecnologias. A integração das TICs às atividades curriculares necessita da mediação de agentes de aprendizagem, que auxiliam os aprendizes no domínio de certas características tecnológicas, bem como no uso das TICs na resolução de tarefas e, portanto, funcionam como auxiliares à construção de conhecimento de conteúdos disciplinares (Valente, 2003). 

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