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28 de dezembro de 2010

Desafios do governo Dilma na educação

O portal G1 faz uma série de reportagens especiais analisando os desafios que o próximo governo da presidenta Dilma enfrentará. A primeira reportagem da série é sobre Educação.
Desigualdades regionais e falta de capacitação docente são obstáculos. Série do G1 analisa os principais desafios do próximo governo federal.

Aos 70 anos, o produtor rural Milton Matias, de Guaribas (PI), resolveu voltar à sala de aula. “Tive dois meses de escola na infância e parei por falta de oportunidade”, afirma.

Para o agricultor, a escola ficava muito longe de sua casa, na zona rural de Guaribas. “Hoje tenho saúde e para ir até o colégio não tenho dificuldade.”

Oito anos após ser piloto do programa Fome Zero, bandeira social do governo Luiz Inácio Lula da Silva hoje substituída pelo Bolsa Família, Guaribas permanece símbolo de carências enfrentadas pelo país. Entre elas, os desafios na área de educação.

No início desta década, a cidade ostentava índice de analfabetismo de quase 60% – a média nacional no ano de 1900. Também era lanterna no ranking de anos de estudo: média de apenas 13 meses entre a população acima de 15 anos.

“Há dificuldade em segurar esse pessoal em sala de aula. Eles costumam falar que velho não aprende mais”, afirma Valdir Maia, secretário de Educação de Guaribas. Segundo ele, o analfabetismo na cidade está hoje em torno de 20% – não há dados oficiais atualizados.

Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda possui 9,7% de analfabetos entre a população maior de 15 anos: 14 milhões de pessoas. “Isso mostra que a alfabetização de jovens e adultos não está cumprindo seu papel. Era para esse índice ter caído mais rapidamente”, opina Jorge Abrahão, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Estudo recente do Ipea apontou a desigualdade como um dos grandes gargalos do país em educação. Grandes diferenças no índice de alfabetização também persistem, por exemplo, entre a população urbana e rural (4,4% contra 22,8%), branca e negra (5,9% ante 13,4%), e das regiões Sudeste e Nordeste (5,5% contra 18,7%).

Um retrato dos problemas na qualidade da educação do país também apareceu em avaliação internacional divulgada neste mês. Embora tenha avançado nos últimos dez anos, o Brasil ficou em 53º lugar entre 65 países que participaram do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

Coordenado pela OCDE (que reúne nações desenvolvidas), o programa avalia estudantes a cada três anos. Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros apresentaram o nível mais baixo de aprendizado, índice que chegou a 69% em matemática e 54% em ciências. Na definição da revista inglesa “The Economist”, ocorreram avanços, mas que levaram as escolas brasileiras apenas de “desastrosas” a “muito ruins”.

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21 de dezembro de 2010

Ministério da Educação faz avaliação da gestão 2003-2010

O Ministério da Educação disponibilizou um site onde apresenta um balanço da gestão da educação nos últimos 8 anos.  Utilizando um referencial de "como era" e  "o que foi feito" o MEC traz planilhas, relatórios, indicadores e uma completa prestação de contas dos diversos programas do governo federal.

Vale a pena conferir o site - http://gestao2010.mec.gov.br/

18 de dezembro de 2010

Plano Nacional de Educação tem 20 metas; 20% são ligadas à valorização do professor

O ministro da Educação, Fernando Haddad, entregou na quarta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o projeto de lei do novo PNE (Plano Nacional de Educação) que irá vigorar na próxima década. O documento de 14 páginas estabelece 20 metas a serem alcançadas pelo país até 2020. Cada uma delas é acompanha de estratégias para que se atinjam os objetivos delimitados. Algumas determinações já foram previstas em leis aprovadas recentemente ou fazem parte do PNE ainda em vigor.

Ao menos 20% das metas tratam diretamente da valorização e formação dos profissionais do magistério. Entre elas a garantia de que todos os sistemas de ensino elaborem planos de carreira no prazo de dois anos, que todos os professores da educação básica tenham nível superior e metade deles formação continuada com pós-graduação --com a previsão de licenças para qualificação. O PNE ainda determina que o rendimento médio do profissional da educação não seja inferior ao dos demais trabalhadores com escolaridade equivalente.

O plano inclui metas de acesso à educação infantil, ensino médio e superior. Ele reafirma a PEC (proposta de emenda à Constituição) aprovada neste ano que determina a universalização da pré-escola até 2016 e acrescenta que 50% das crianças de até 3 anos devam ter acesso à creche até 2020, patamar que já estava apontado no atual PNE mas não foi atingido. Hoje, esse atendimento é inferior a 20%.

No ensino superior, o PNE estabelece que 33% dos jovens de 18 a 24 anos estejam matriculados nesta etapa --hoje esse percentual é inferior a 15%, longe da meta de 30% que havia sido estabelecida no plano aprovado em 2001. Considerando toda a população, a taxa de matrícula deverá atingir 50% até 2020. No ensino técnico a matrícula deverá ser duplicada. O plano também determina que se atinja a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Outra meta é que todas as crianças sejam alfabetizadas até os 8 anos de idade e o analfabetismo na população com mais de 15 anos erradicado até o fim da década --essa última também já estava prevista no PNE em vigor, mas a taxa ainda é de 9,7%. A educação em tempo integral deverá ser oferecida em 50% das escolas públicas e os cargos de direção ocupados mediantes critérios técnicos e mérito. Hoje é comum que os diretores sejam indicações políticas das secretarias de educação.

O MEC (Ministério da Educação) também incluiu no documento as metas de crescimento do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que funciona como um termômetro da qualidade da educação. Até 2021 o país deverá atingir média 6 em uma escala de 0 a 10 - em 2009 a nota foi 4,6. Como Haddad já havia adiantado, o plano inclui a meta de investimento de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) na área.

O presidente Lula encaminhará o projeto de lei ao Congresso Nacional que começará a discussão do texto na próxima legislatura. A previsão é que o novo PNE possa ser aprovado até o fim do primeiro semestre de 2011.

METAS

Conheça as metas que compõem o Plano Nacional de Educação 2011-2020:

Meta 1: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos.

Meta 2: Criar mecanismos para o acompanhamento individual de cada estudante do ensino fundamental.

Meta 3: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária.

Meta 4: Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino.

Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os 8 anos de idade.

Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.

Meta 7: Atingir as médias nacionais para o Ideb já previstas no PNE (Plano de Desenvolvimento da Educação)

Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à redução da desigualdade educacional.

Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional.

Meta 10: Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta.

Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta.

Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres e doutores nas instituições de educação superior para 75%, no mínimo, do corpo docente em efetivo exercício, sendo, do total, 35% doutores. Sete estratégias.

Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores. Nove estratégias.

Meta 15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios, que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

Meta 16: Formar 50% dos professores da educação básica em nível de pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação continuada em sua área de atuação.

Meta 17: Valorizar o magistério público da educação básica a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente.

Meta 18: Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino.

Meta 19: Garantir, mediante lei específica aprovada no âmbito dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar.

Meta 20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

15 de dezembro de 2010

Palestra: A família no fogo cruzado da educação contemporânea – Julio Groppa Aquino

A relação entre pais e filhos parece ter sofrido mudanças radicais nos últimos trinta anos. E para onde essas mudanças apontam? São essas as questões levantadas pelos polêmico psicólogo Julio Groppa Aquino, que questiona a maneira como pais estão lidando com seus filhos. Um questionamento que produz tantas faíscas quantas aquelas do fogo cruzado da educação.

As novas formas de organização familiar nos estratos urbanos médios (agora múltiplas, heterogêneas e voláteis) parecem não ter encontrado uma contrapartida factível no que se refere aos modos de se relacionar com os mais novos. Assediada por um sem-número de palavras de ordem extravagantes, a família contemporânea encontrará, não raras vezes, uma espécie de colapso ético materializado, por um lado, num acúmulo de intenções impraticáveis e, por outro, na abdicação paulatina do gesto educativo cotidiano.

Palestra promovida pela cpflCultura.

clique aqui para acessar o vídeo.

12 de dezembro de 2010

A Falsa Integração

As vidas de nove alunos com deficiência revela que a escola tradicional não serve - A solução não é apenas ensinar, mas ir além de melhorar os métodos e suportes.
J. A. Aunion - Madrid - Jornal ElPaís


Experiência escolar de meninos e meninas com deficiência (intelectual, fala, audição, visão e movimento) leva professores a advertir que a integração desses alunos em classes regulares não funciona se o único esforço feito é juntá-los na mesma sala de aula com outros alunos.

Clique aqui para ler reportagem completa (espanhol)


9 de dezembro de 2010

Professor ou profissional?

A sala de aula é um campo de atua­ção profissional ou a docência é uma atividade isolada das demais? A questão está no centro da polêmica sobre a legalidade da exigência de registro profissional para professores de instituições do ensino superior. O lance mais recente do debate foi uma liminar concedida pelo juiz Ciro Brandani Fonseca, da Nona Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, contra a exigência de registro para professores universitários de disciplinas ligadas a profissões regulamentadas pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) do estado.

A decisão da Justiça, assinada no dia 9 de setembro, atendeu pedido do Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, que ingressou com uma ação civil pública questionando o Crea-SP e o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea) pela cobrança. Autora da ação, a procuradora da República Adriana da Silva Fernandes argumenta que os professores têm sua atividade regulada por regras do sistema de ensino e o trabalho dentro das salas de aula não está sujeito à regulamentação dos conselhos ligados a profissões. A cobrança de registro nesses casos, segundo Adriana, além de ir de encontro à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), fere direitos garantidos pela Constituição Federal.

Na ação, a procuradora enumera o artigo 66 da LDB, que diz que "a preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado". No entendimento do Ministério Público Federal, esse trecho da lei deixa claro que a docência no ensino superior não pode ser considerada uma exclusividade dos graduados em uma área e pode ser exercida por professores que não possuam diploma de graduação no curso, mas que tiveram formação complementar, como mestrado ou doutorado, que os habilita a dar aulas em determinadas disciplinas.

Interesses financeiros
O presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, é categórico em afirmar que o registro para docentes do ensino superior é obrigatório. "A Lei 5.964/1966 (que regulamenta as profissões reguladas pelo Confea) diz que o ensino é considerado uma atividade profissional. É seguindo estritamente a lei que fazemos a exigência do registro."

Crítico ferrenho da exigência de registro para professores universitários, o vice-presidente da Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), Paulo Barone, discorda dos conselhos profissionais e diz que as entidades têm exagerado na interpretação das regras para garantir arrecadação com a cobrança dos registros. "A jurisdição dos conselhos profissionais diz respeito ao exercício profissional e não à formação. Ao preparar engenheiros, por exemplo, as universidades estão atuando em uma esfera que não cabe aos conselhos, e sim à legislação educacional", resume.

Melo, do Confea, garante que a briga pelo registro não é motivada por interesses financeiros. "A questão é a defesa dos interesses sociais. Esses professores são os formadores da consciência e da técnica para garantir uma prestação de serviços competente pelos novos profissionais".

LDB x regulamentações
A exigência de registro para docência em instituições de ensino superior é comum em outros casos, em todas as áreas do conhecimento. As entidades de classe quase sempre argumentam que a exigência de registro mesmo para quem não exerce a profissão fora das salas de aula está prevista em suas legislações internas, que na maioria das vezes incluem as atividades de ensino e pesquisa no campo de atuação dos profissionais registrados.

Para o presidente do Conselho Federal de Educação Física (Confef), João Batista Tojam, não é possível definir uma separação clara entre o professor e o profissional, e as atividades dentro e fora das universidades não podem ser consideradas excludentes. "O professor é um profissional da área e é preciso que seja", defende.

Na sua avaliação, alguns atributos fundamentais para a docência, como o conhecimento técnico e a capacidade de diagnóstico, estão relacionados diretamente com exercício profissional, por isso a atividade do magistério não pode ser isolada das demais.

Paulo Barone, do CNE, discorda. "Não se trata do exercício da profissão, mas do magistério. E a atividade do professor tem outra legislação." O conselheiro argumenta que a LDB se sobrepõe às legislações profissionais e cita ainda o Decreto 5.773, que regulamenta parte da Lei. No artigo 69, o texto prevê que "o exercício de atividade docente na educação superior não se sujeita à inscrição do professor em órgão de regulamentação profissional".

O Confea diz que o decreto é um instrumento normativo com valor menor que uma lei e portanto não interfere na prática do conselho.

"O decreto comete um engano", acrescenta Tajom, do conselho de educação física. Segundo ele, no caso das áreas de saúde, o debate sobre a legalidade da cobrança do registro profissional está sendo feito no Conselho Nacional de Saúde, mas ainda não há uma posição definitiva e nem clareza sobre a validade de uma decisão do órgão sobre a esfera do ensino superior no país.

Debate pode acabar nos tribunais superiores Pela lei, controvérsias ligadas aos serviços de fiscalização das profissões regulamentadas devem ser esclarecidas no Judiciário Federal. A decisão liminar da Justiça Federal em São Paulo pode embasar outras decisões e chegar aos tribunais superiores. Na liminar, o juiz Ciro Brandani Fonseca considerou que a exigência de registro para docentes universitários configura uma "prática da improbidade" e reafirmou a separação entre o ensino e as atividades profissionais.

Não há previsão de data para o julgamento do mérito da ação. Uma jurisprudência definitiva sobre o impasse só poderia ser determinada pelo Superior Tribunal de Justiça ou o próprio Supremo Tribunal Federal. Segundo Marcos Túlio de Melo, do Confea, o conselho ainda não foi intimado pela Justiça, mas a entidade vai recorrer. Melo diz que o conselho está disposto a debater o tema com educadores e profissionais, mas considera a Justiça a instância ideal para deliberar sobre a polêmica.

7 de dezembro de 2010

Brasil está entre países que mais evoluíram em educação na última década

Agência Brasil

O Brasil está entre os três países que alcançaram a maior evolução no setor educacional na última década. É o que apontam os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2009, divulgados hoje (7).

A prova é aplicada a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avalia o conhecimento de estudantes de 15 anos de idade em matemática, leitura e ciências. No ano passado, participaram 65 países.

O Brasil ingressou no Pisa em 2000. Desde então, a média entre as três provas – considerando os resultados em leitura, matemática e ciências - subiu de 368 para 401 pontos. Nesse mesmo período, apenas dois países conseguiram melhorias superiores aos 33 pontos alcançados pelo Brasil: Chile (mais 37 pontos na média) e Luxemburgo (mais 38 pontos). Na média, os países-membros da OCDE ficaram estagnados de 2000 a 2009, sem avanços.

O Brasil estabeleceu metas de melhorias no Pisa, como as que já existem para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Para 2009, o objetivo era atingir 395 pontos, o que foi superado. Em 2021, o país precisa alcançar 473 pontos, média dos países da OCDE.

Na avaliação do ministro da Educação, Fernando Haddad, os resultados desmontam a teoria de que o Brasil estaria sempre em defasagem em relação aos países desenvolvidos, já que somente em 2022 atingiria níveis semelhantes na avaliação. “O mundo está estagnado do ponto de vista da qualidade [da educação]. Embora alguns países da OCDE tenham melhorado, outros pioraram e, na média, ficaram estagnados. Em educação sempre há espaço para melhorar, mas o mundo desenvolvido está com dificuldade em fazer a sua média subir”, afirmou.

Para Haddad, o “pior momento” da educação brasileira foi no início da década, entre 2000 e 2001, quando o país ocupou a lanterna no ranking do Pisa. Segundo o ministro, essa tendência está revertida e parte dos avanços se deve às mudanças no sistema de avaliação do país, especialmente a criação do Ideb em 2005 que atribui e divulga nota para cada escola pública.

“Não tenho dúvida que isso impactou muito favoravelmente, mexeu com a educação no Brasil. Em 2006, quando divulgamos pela primeira vez os resultados por escola, informamos diretores, professores, passamos a fazer formação [de professores]. Estamos só colhendo os resultados dessa percepção de que a aprendizagem estava afastada do cotidiano da escola”, afirma Haddad. O maior crescimento - de 17 pontos - se deu no último triênio (2006-2009), destacou o ministro.

Haddad ressaltou que a escola não pode se ocupar somente dos resultados em avaliações, mas não pode esquecer que está formando alunos que “precisam ter proficiência nas disciplinas básicas. “A educação não se reduz a isso, os testes padronizados são importantes, mas não esgotam a questão. A educação transcende esses testes, mas a avaliação é um elemento que estava faltando na cultura escolar”, apontou.

O relatório da OCDE também destaca a criação do Ideb como ação importante para a melhoria dos resultados e aponta o Brasil como exemplo a ser observado por outros países com baixa proficiência.

“O país investiu significativamente mais recursos em educação, aumentando os gastos em instituições de ensino de 4% do PIB [Produto Interno Bruto] em 2005 para 5% em 2009, alocando mais recursos para melhorar o salário dos professores. Também gastou o dinheiro de forma mais equitativa do que no passado. Recursos federais agora são direcionados para os estados mais pobres, dando às escolas recursos comparáveis aos que são disponibilizados nos mais ricos”, diz o relatório, em referência ao Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), criado em 2006.

Apesar de melhoria, Brasil ainda ocupa posições finais em ranking internacional de educação

Apesar de ter melhorado sua participação no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) na última década, o Brasil ainda ocupa os últimos lugares no ranking entre os 65 que fizeram o exame em 2009. Os alunos brasileiros ficaram em 53º em ciências e português e em 57º em matemática.

A prova é aplicada a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avalia o conhecimento de estudantes de 15 anos de idade em matemática, leitura e ciências. No topo do ranking, considerando a média entre as três disciplinas, está a província de Shangai (577 pontos), na China, que por ser autônoma participa do Pisa de forma independente. Em seguida vêm Hong Kong (546), a Finlândia (543), Cingapura (543) e o Japão (529).

Os países-membros da OCDE atingiram em média 496 pontos – 95 a mais do que o Brasil. Na lanterna estão a Albânia (384 pontos), o Catar (373), Panamá (369), Peru (368) e Quirziquistão (325). Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, o fato de o Brasil ainda ocupar posições finais no ranking não significa que o país está entre os piores do mundo em educação.

“Não é o mundo que participa do Pisa, mas o mundo desenvolvido. Praticamente não existe nenhum país com Pisa melhor que o do Brasil que não tenha uma renda per capita muito superior à nossa, com exceção da Tailândia. Nós estamos no grande jogo da política educacional”, defendeu.

De acordo com Haddad, em 2000 os alunos brasileiros tinham o pior resultado em todas as disciplinas. Entre os países da América Latina e do Caribe, em 2009 a média do Brasil ficou atrás da do Chile (439 pontos), Uruguai (427) e México (420), mas superou a da Argentina (396), Colômbia (399) e do Peru (368).

2 de dezembro de 2010

Os desafios da educação

Coluna Econômica - http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-desafios-da-educacao

O Movimento "Todos pela Educação" nasceu no dia em que Roberto Jefferson chacoalhou os alicerces da República. Um grupo de empresários e jornalistas sentiu que precisava ser feito alguma coisa. E decidiu fundar esse movimento, com a intenção de criar indicadores de acompanhamento da educação no país.

O movimento ganhou adesões importantes na sociedade civil e no setor privado, conseguiu o endosso do Ministro da Educação Fernando Hadddad, encorpou e se tornou um fórum importante de discussões sobre educação.

Hoje em dia, é presidido pelo empresário Jorge Gerdau e conta no seu conselho de governança alguns dos maiores empresários brasileiros.

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Ontem, divulgou seu relatório "De Olho nas Metas 2010", decupando dados do Ministério da Educação e da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio). Duas conclusões saltam à vista, uma boa, outra ruim. A boa é a constatação do enorme avanço ocorrido nos últimos anos. A ruim, o fato de, em termos absolutos, a educação brasileira ainda estar em níveis sofríveis.

O aluno brasileiro sai-se melhor em português, mas provavelmente refletindo o que aprende conversando em casa; sai-se muito pior em matemática, mostrando a incapacidade da escola em ensinar.

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A conclusão mais forte do trabalho é acerca dos efeitos das disparidades de renda sobre o desempenho dos alunos. São gritantes as diferenças de desempenho entre alunos de famílias que ganham menos de um salário mínimo e aquelas do topo da pirâmide. Assim como entre estados pobres e estados mais ricos.

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A fim de nortear seus levantamentos, o movimento criou metas de desempenho para os estados. Analisou a curva de desempenho nas três últimas avaliações e estimou de quanto deveria ser agora para que em 2022 alcançasse o padrão de desempenho da OCDE (o conjunto das nações mais desenvolvidas).

Depois, mediu o desempenho dos alunos em quatro situações: no caso do ensino fundamental, o aprendizado de matemática e língua portuguesa no 5º e no 9º ano. No ensino médio, o desempenho nas duas matérias no 3º ano.
Nenhum dos estados da federação conseguiu atingir todas as metas.

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No Ensino Fundamental, apenas quatro dos vinte estados avaliados superaram as metas em língua portuguesa e matemática: Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

No Ensino Médio, as metas foram alcançadas por sete estados – Paraíba, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

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A partir das análises, o movimento definiu cinco metas para 2022.
A primeira, de 98% ou mais das crianças de 7 a 14 anos nas escolas.
A segunda, de toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos de idade.
A terceira, 70% dos alunos com aprendizado adequado à sua série.
A quarta, de todo aluno com Ensino Médio concluído até os 19 anos de idade.
A quinta, aumento e melhoria da gestão do investimento em educação.