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27 de novembro de 2010

O aquecimento no mercado de trabalho não eleva a evasão entre os estudantes

Diferentemente do que se imagina, o aquecimento no mercado de trabalho não é um fator importante para elevar a evasão entre os estudantes de ensino médio brasileiros. Essa foi uma das conclusões da pesquisa "Os determinantes do fluxo escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio no Brasil" --realizada por pesquisadores da FGV (Fundação Getulio Vargas) a pedido do Instituto Unibanco.
"Não encontramos correlações estatisticamente significantes entre fluxo escolar e aquecimento do mercado", afirmou o pesquisador André Portela Souza. O estudo em si não traz explicações para esse resultado, mas há algumas hipóteses.

Uma delas é que, com o mercado aquecido, o jovem percebe a importância de ter uma boa qualificação --e, portanto, de continuar estudando-- para conseguir um salário mais alto no futuro. Outra possibilidade é que, com o aumento da renda familiar, o adolescente seja mais estimulado pelos pais a não trocar os estudos por um trabalho em tempo integral --e, poder assim, contribuir mais fortemente com a renda familiar.
O trabalho usou dados da Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que não permitem determinar se os estudantes que continuaram na escola estão trabalhando ao mesmo tempo, em outro período do dia.
Outro resultado encontrado pelo trabalho foi que o fato de o aluno ser aprovado ou não ao final do ano deixou de ser tão importante em sua decisão de continuar os estudos de ensino médio. Entre os anos de 2008 e 2009, do total de alunos aprovados, 97% se mantiveram na escola. Entre os não aprovados (parcela que inclui reprovados e estudantes que deixaram o colégio e depois retornaram), 94% se mantiveram estudando.
Os principais determinantes para a aprovação e continuação dos estudos são as características individuais e familiares do jovem. O maior sucesso nos dois casos se dá entre mulheres, que não estão atrasadas em seus estudos, que têm pais com alta escolaridade e moram com ambos e, ainda, cuja escola é de qualidade.
O Instituto Unibanco também encomendou uma pesquisa complementar à da FGV para determinar a relação entre o desempenho no ensino fundamental e posterior abandono no ensino médio.
A principal conclusão é que o baixo desempenho dos alunos no ensino fundamental é muito ligado à evasão no ensino médio. A pesquisa "Relação entre abandono escolar no ensino médio e desempenho escolar no ensino fundamental" foi feita apenas com base no Saresp, exame de português e matemática obrigatório nas escolas da rede estadual paulista.
Outro fator que se mostrou importante foi o atraso nos estudos. Quanto maior a distorção entre a idade do aluno e a série em que ele está, maior a probabilidade de ele largar a escola, após ingressar no ensino médio.

fonte: Folha.com

22 de novembro de 2010

Professoras ensinam a deixar aula de matemática sem tédio

Muitos alunos costumam olhar torto para boa parte das disciplinas escolares. Porém, a campeã de lamentações fica para as Ciências Exatas, especialmente a Matemática. Muitos alunos se perguntam: "No que usarei tantos números em minha vida?". Não ver a utilidade da matéria prejudica o aluno. Então, como contornar o problema?

As professoras Ana Firpo e Cândida Alves têm várias soluções para a questão. Elas são autoras do livro de Matemática da coleção Cem Aulas Sem Tédio. A ideia de fazer a obra veio a partir de uma atividade realizada no Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, sobre o salário mínimo. A lição mexeu com os estudantes, que estudaram também a história da medida e de quanto valia o salário quando foi criado. "A gente sempre contextualiza o conteúdo", explica Ana sobre o segredo de suas aulas atraentes.

Um trabalho interdisciplinar com outras matérias pode ser um truque muito útil. Ana lembra-se de um projeto com os professores de artes, com os quais os alunos fizeram mosaicos. "Procuramos aliar propostas", afirma a professora, já que os mosaicos são adequados para estudar polígonos.

"Os alunos acham que a Matemática está bem distante da vida, mas não é verdade", considera. Uma das maneiras é trazer o tema para dentro do cotidiano deles, como é o caso da mesada. Nesta aula, os estudantes tiveram que listar todos os gastos e avaliar as consequências de guardar certas quantias. Outro exercício, esse relacionado a paralelas e transversais, foi propor que os estudantes fizessem uma maquete com as ruas de parte do seu bairro.

Entre as 100 atividades do livro, são contempladas aulas de diversas áreas da Matemática. De álgebra, são trabalhados áreas e perímetros. "Relacionamos, por exemplo, a área dos menores países do mundo aos parques de Porto Alegre", conta. A aritmética está em quase todas as atividades, já que tem a ver com números em geral, mas Ana destaca as lições sobre frações, tratadas em receitas de culinária. Ali a turma aumenta ou reduz a receita, trabalhando aspectos de proporcionalidade. Na geometria, atividades como a dos mosaicos são bem-vindas.

Apesar do esforço em tornar as aulas atraentes, no começo as professoras sofriam resistência por parte dos alunos quando elas propunham lições menos tradicionais. "Por que eu tenho que fazer isso?", era uma pergunta frequente, especialmente quando eles eram obrigados a ler um texto antes de começarem os cálculos. "A Matemática também precisa de interpretação", argumenta Ana. Mas ela explica que agora eles já internalizaram a necessidade da leitura antes do exercício. "Ainda assim, é um trabalho árduo até hoje", diz.

A professora lembra que não dá para fugir das aulas tradicionais, tão necessárias para a explicação dos conteúdos. Porém, além de deixar o ambiente descontraído e os alunos interessados, a proposta é mais que isso. "Pode-se desenvolver no estudante algumas habilidades. Ele aprende a se posicionar, a criticar, o que sempre é positivo".

Fonte: Terra

10 de novembro de 2010

Crianças e Internet: desafios e oportunidades na sociedade da informação

Com o crescente acesso da população mundial, em especial da juventude, às tecnologias da informação e das comunicações (TICs), suas conseqüências positivas e negativas para as crianças têm atraído a atenção não apenas de pais e educadores, mas também, dada a característica intrinsecamente internacional da Internet, de gestores públicos e organizações internacionais. Assim, sob o epíteto “child on line protection”, o tema tem sido objeto de intensos debates no Fórum de Governança da Internet (IGF), entre outros eventos relevantes para a sociedade da informação.

Para contribuir com este debate, o Ministério das Relações Exteriores (Divisão da Sociedade da Informação – DI), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO – Escritório de Representação no Brasil) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)”, apoiados pela Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) e o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), realizarão, em 16 de novembro de 2010, o Seminário “Crianças e Internet: desafios e oportunidades na sociedade da informação”.

O evento terá como objetivo estabelecer um debate abrangente sobre as oportunidades e os riscos associados ao uso da Internet por crianças e adolescentes, bem como sobre as ações que podem ser tomadas para maximizar as primeiras e minimizar os segundos, buscando assim contribuir para a formulação da política externa brasileira sobre o tema e das respectivas políticas públicas no País.

SEMINÁRIO
“Crianças e Internet: desafios e oportunidades na sociedade da informação”
Data: 16 de novembro de 2010, das 9h às 18h
Local: Palácio do Itamaraty, Auditório Wladimir Murtinho (subsolo), Brasília
Inscrições gratuitas, pelo e-mail dsi@itamaraty.gov.br (informe nome e telefone).

PROGRAMA

9h a 9h30
ABERTURA: COMPROMISSOS DAS ENTIDADES ORGANIZADORAS COM A PROTEÇÃO DE CRIANÇAS NA INTERNET

Glaucia Silveira Gauch
Diretora do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Itamaraty

Vincent Defourny
Representante da UNESCO no Brasil

Carmen Silveira de Oliveira
Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente

9h30 a 12h30
RISCOS E OPORTUNIDADES DA INTERNET PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: METODOLOGIAS E RECOMENDAÇÕES

Moderador: Pedro Dória
Editor-Chefe de Conteúdos Digitais do Grupo Estado

O programa “EU Kids Online”
Brian o’Neill
Chefe de Pesquisa do College of Arts & Tourism do Dublin Institute of Technology

O exercício e a proteção dos direitos das crianças na Internet
Carmen Silveira de Oliveira
Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente

Análise do tema a partir da perspectiva da ética na sociedade da informação
Guilherme Canela
Coordenador do Setor de Comunicação e Informação do Escritório da UNESCO no Brasil

O projeto “Youth and Media”
Priscillia Kounkou Hoveyda
Divisão de Comunicação do UNICEF

14h a 16h
O USO DA INTERNET POR CRIANÇAS E ADOLESCENTES: DIAGNÓSTICO E DESAFIOS

Moderadora: Fernanda Mena
Editora do Folhateen, caderno da Folha de S. Paulo

Internet, socialização de crianças e adolescentes e a função familiar
Rosely Sayao
Psicóloga e colunista do jornal Folha de S. Paulo

Diagnóstico e desafios no Brasil
Thiago Tavares
Presidente da Safernet

Internet e desenvolvimento infantil: a questão do consumo
Isabella Henriques
Coordenadora Geral do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana

As crianças brasileiras e a Internet: conclusões da pesquisa “TICs Crianças 2009”
Alexandre Barbosa
Gerente do Centro de Estudos sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação (CETIC.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br (NIC.br)

16h a 18h
RECOMENDAÇÕES PARA MINIMIZAR RISCOS E MAXIMIZAR OPORTUNIDADES DAS CRIANÇAS NA INTERNET

Moderadora: Cora Rónai
Jornalista de O Globo

Conhecimento, cultura e participação: o exercício de direitos na Internet
Marília Maciel
Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-Rio

Articulando soluções na América Latina: o Memorando de Montevidéu
Carlos Gregorio
Instituto de Investigacion para la Justicia (Argentina)

Davi Ulisses Brasil Simões Pires
Diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça

O papel das empresas
John Burchett
Diretor de Políticas Públicas da Google para a América Latina

5 de novembro de 2010

Livro de Monteiro Lobato não será censurado

Um clássico da literatura quase foi banido das escolas públicas do país. Algumas frases que aparecem na história "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, foram consideradas preconceituosas.

Jornal da Globo News