Páginas

22 de outubro de 2010

A tecnologia resolve?

O excesso de informação também causa ansiedade no jovem, por isso é preciso pensar em como lidar com o conhecimento simultâneo

Orkut, Facebook, Twitter e outras infinidades de redes sociais são cada vez mais comuns no ambiente de aprendizagem. A internet revolucionou a forma como os alunos estudam e aprendem, mas será que ela está atendendo às necessidades do ensino e aprendizagem? "As novas tecnologias nos permitem personalizar a educação. No entanto, o professor ainda está preso a modelos antigos. Sabendo que um currículo não serve para todos, temos de buscar uma educação sob medida para cada aluno", acredita o presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância, Fredric Michael Litto.

Para o diretor de marketing universitário da Pearson, Laércio Dona, está na hora de refletir sobre a maneira de ensinar. "Será que está de acordo com o novo perfil do aluno? Porque ele mudou muito de anos para cá. O jovem hoje é muito mais conectado e interativo, enquanto a sala de aula continua igual, pouco diferente do que era há 30 anos. Existe hoje um gap (deficiência) entre o ensino e o dia a dia do aluno", comenta.

A professora do Centro Universitário Fieo (Unifieo) de Osasco, Andrea Aparecida Moraes Fernandes de Freitas, também concorda que é preciso focar mais o aluno e suas diferenças relacionadas à forma de aprendizagem. "Damos aula para um todo, mas nem todos são iguais. A gente tem de perceber essas diferenças na turma e buscar uma aula diferente", afirma.

No entanto, a doutora em educação Evelise Maria Labatut Portilho, autora do estudo sobre diferentes tipos de aprendizagem, alerta que apenas utilizar recursos tecnológicos não basta. "Vejo como mais uma das possibilidades de se expandir o conhecimento. Agora, não se pode correr o risco de ficar no superficial, já que a quantidade de informação não garante a aprendizagem."

Teresa Jordão, que trabalha com formação de professores e com a integração da tecnologia como ferramenta pedagógica, reforça que houve uma mudança no perfil dos alunos que frequentam hoje o ensino superior. São os nativos digitais. "Baseados nas características desses alunos, temos de pensar na mudança que a educação precisa ter. Deve se investir na formação do professor, não para o uso técnico de tecnologia, porque usá-la é simples, mas sim para o uso pedagógico".

Nos Estados Unidos, já são inúmeros os impactos positivos da tecnologia na educação e, cada vez mais, os professores vêm aproveitando os benefícios da internet. "Essas ferramentas têm de fato uma grande importância no processo de ensino e podem ajudar os alunos. Sempre há tempo para os professores que ainda não aprenderam a usufruir dos benefícios começarem a utilizá-los", diz Raquel Cubas, consultora da Pearson eCollege.

"Os professores devem entender que há melhores maneiras de fazer o que eles já vinham fazendo com a ajuda da tecnologia, mas eles ainda são temerosos e, por isso, precisam ser treinados", avalia Adam Black, especialista em tecnologias de aprendizagem da Longman.

O estudante Leandro Chamalle, do curso de sistema de informação da Universidade Federal de São Carlos, também defende uma reformulação no jeito de se dar aula. "O professor deve utilizar as ferramentas da tecnologia a seu favor e não contra ele. Hoje, por não conhecer, ele tem medo e acaba recusando-a", diz.

Nenhum comentário: