Páginas

31 de outubro de 2010

2010: o ano em que a democracia chegou aos brasileiros

fonte Blog André Forastieri

Em 2006, o número de brasileiros que liam jornal e revistas de informação estava na faixa dos 15 milhões. Eram os famosos “formadores de opinião”, na teoria gente com alguma informação, e capacidade de discutir propostas e defender posições.

Em novembro de 2006, o Brasil tinha 14,4 milhões de usuários de internet. Hoje somos 68 milhões. O número de pessoas que leem jornais e revistas caiu um pouco, mas não importa. Todo mundo que está na internet está lendo as notícias, se informando, debatendo - e fazendo várias outras coisas também. O número de formadores de opinião quintuplicou em quatro anos.

E a própria internet mudou nesse período. Não tínhamos Twitter e Facebook, agora temos. YouTube existia, mas a banda larga era bem mais rara e cara, então a gente via muito menos vídeos. O Orkut tinha 12 milhões de usuários em 2006; hoje são 40 milhões de brasileiros na maior rede social do país. O usuário hoje faz mais na internet. E faz em turma. Passamos cada vez menos tempo sozinhos em frente ao computador.

Principalmente, conversamos. Só o Twitter tem mais de oito milhões de participantes. É mais que a circulação de todas as revistas nacionais de informação somadas.

Eleição sempre foi mais animada na mesa do bar, no balcão da padoca, no almoço do domingão. A eleição de 2010 foi uma grande conversa de boteco entre 75 milhões de brasileiros. Pela primeira vez, o debate incluiu mais da metade dos eleitores. Saiu da sala de visita, foi para o resto da casa, inclusive o quarto da empregada. Quem é o novo formador de opinião, comparando com o velho? É uma turma mais jovem, mais religiosa, menos branca, menos abonada, mas ascendendo. É a famosa nova classe C, que cresce financeiramente, socialmente, intelectualmente.

Não é o grupo social mais beneficiado pelos oito anos de governo Lula - este seria os 1% mais ricos da nação, que ficaram muito mais ricos nos últimos dois mandatos. Nisto, nosso presidente foi idêntico aos seus antecessores.

Mas os novos formadores de opinião são a força social mais poderosa do Brasil de 2010. E ela se fez ouvir, via internet. Por isso, 2010 ficará marcado como o ano em que tivemos a eleição mais democrática que este país já viu. Quem fala de recorde de baixarias de lado a lado tem memória curta - eleição para presidente é sempre na base da canelada mesmo. O que está em jogo é a chave do maior cofre do país, um dos maiores do mundo. Vale tudo, ou quase.

A impressão de bagunça foi porque houve muito mais gente discutindo, propondo, esculhambando, às vezes se estapeando, tudo virtualmente. Em vez de uns poucos canais de TV, jornais e revistas, na mão de poucos, repercutindo entre poucos, tivemos 75 milhões de brasileiros no comando do debate.

Resultados? Um vídeo queimando o filme de Dilma foi o campeão de visualizações no YouTube - foi visto mais de 800 mil vezes. Outro em que Dilma defende o aborto foi visto 204.247 vezes. “Entenda como e por que Serra afundaria o Brasil” foi visto 229.156 vezes. No Twitter, algumas notícias da campanha chegaram à lista de Trending Topics - repercutiram mundialmente.

Qualquer site, comunidade, Twitter virou central de informação. Os noticiosos, os partidários, os engraçados. Eu mesmo fiz campanha pela abstenção, e dei meus pitacos, neste blog e no Twitter, onde - por razões que me fogem - quase 5.000 pessoas me seguem. Quem em sã consciência me contrataria para comentarista político? Ninguém, espero. Mas no mundo novo, qualquer um tem um palanque. O único candidato presidencial que percebeu o novo cenário com clareza, e teve liberdade para se espalhar, foi justamente o que menos tinha a perder: o mais velho de todos, Plínio de Arruda Sampaio. Seduziu muita gente, principalmente universitários.

A sacanagem rolou solta. O melhor exemplo foi a bolinha de papel na cabeça de Serra. Quatro anos atrás, o jogo de cena do candidato, de ir para o hospital fazer exames, seria reportado de maneira “imparcial” pelos veículos de imprensa. No mundo novo, o que aconteceu foi que caiu na internet o vídeo mostrando a bolinha de papel quicando na careca de Serra. Sua “denúncia contra a violência dos petistas” gerou ridículo.

Dois dias depois um esperto tinha feito um novo game, Jogue a Bolinha de Papel na Cabeça do Serra, e milhares jogavam. Serra caiu vários pontos por causa disso.

A internet foi usada principalmente para atacar candidatos, para ridicularizar campanhas, para avacalhar com debates insípidos? Se foi mesmo, isso é ótimo. Democracia não é bater palmas para programas de governo medíocres e campanhas dirigidas por pesquisas de opinião.

Democracia é debate informado, e se em altos brados, na rua, melhor. Se nenhuma ideia “positiva” repercutiu pela internet, é porque as ideias foram todas genéricas, os programas de governo dos três principais candidatos foram 90% iguais. Marina Silva, a suposta grande novidade, disse o quê de eletrizante? Nada.

O candidato que melhor soube usar a combinação de TV-internet para comunicar efetivamente sua mensagem - e tinha uma mensagem real, de rejeição à empulhação - foi o deputado federal mais votado do país, Tiririca. Se você ama a democracia, defenda o mandato de Tiririca.

A eleição foi um circo? Foi e daqui para frente, sempre será. O destino do Brasil não será mais decidido em salas fechadas, em conchavos, ou nos bairros ricos. Agora o espetáculo é público, e quem quiser se meter em política terá que enfrentar palhaços e leões, em uma lona que comporta quase o país inteiro.

Nesta eleição, demos um salto em direção ao futuro. Em 1985, nos livramos do regime militar. Em 1989, ganhamos novamente o direito de eleger um presidente. Mas 2010 será lembrado como o ano em que a democracia finalmente chegou à maioria dos brasileiros - por tudo acima, e pela lei da Ficha Limpa, que só foi aprovada por pressão da sociedade.

Em 2014, estarão na internet não pouco mais que a metade, mas a quase totalidade dos eleitores brasileiros. Nossos “formadores de opinião” terão se multiplicado por dez, em dez anos. A política determinada exclusivamente pela elite se foi e não voltará. Não temos só novos consumidores, mas novos cidadãos, e eles querem mais. Vão conseguir.

30 de outubro de 2010

Conselho de Educação quer banir livro de Monteiro Lobato das escolas

O Globo.com

O livro "Caçadas de Pedrinho" de Monteiro Lobato, um dos maiores autores de literatura infantil, pode ser barrado nas escolas públicas. Segundo o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) a obra é racista. A alegação foi aprovada por unanimidade pela Câmara de Educação Básica do CNE e foi feito a partir de denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial. O parecer do CNE será avaliado pela Secretaria de Educação Básica e a decisão final cabe ao Ministério da Educação (MEC). O livro já foi distribuído pelo próprio MEC a colégios de ensino fundamental pelo Programa Nacional de Biblioteca na Escola (PNBE).
Em nota técnica citada pelo CNE, a Secretaria de Alfabetização e Diversidade do MEC diz que a obra só deve ser usada "quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil".

Publicado em 1933, o livro de Monteiro Lobato, um dos maiores nomes da literatura infantil brasileira, narras as aventuras da turma do Sítio em busca de uma onça-pintada. Conforme o parecer do CNE, o racismo estaria na abordagem da personagem Tia Nastácia e de animais como o urubu e o macaco.

Um dos trechos da obra que sustenta a argumentação do CNE diz: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão". Outro diz: Não é a toa que macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens." De acordo com Nilma Lino Gomes, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autora do parecer, o livro deve ser banido das escolas ou só poderá ser adotado caso a obra seja acompanhada de nota sobre os "estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura".

Clique aqui e leia mais sobre o assunto

26 de outubro de 2010

Banalização da homofobia na escola

Escolas banalizam atos de homofobia, avalia educador
Terra Magazine


A sequência de suicídios de adolescentes homossexuais nos EUA, que motivou a participação do presidente Barack Obama em uma campanha de combate ao bullying - termo em inglês usado para descrever agressões físicas ou psicológicas, ocorridas reiteradamente, sem motivação aparente - contra jovens gays, levanta o debate sobre a homofobia nas escolas.

Para aferir o problema na realidade brasileira, um estudo qualitativo foi desenvolvido no ano passado, em instituições de ensino das redes municipal e estadual de 11 capitais, localizadas nas cinco regiões. Os resultados da pesquisa, iniciativa de organizações não governamentais (ONGs) com o apoio do Ministério da Educação, serão apresentados nesta terça-feira (26), em São Paulo.

O trabalho faz parte do projeto Escola sem homofobia e tem, entre suas propostas, contribuir para a implementação do Programa Gênero e Diversidade Sexual nos colégios, conhecendo a percepção de alunos e professores a respeito da discriminação de homossexuais no âmbito escolar.

Coordenador do Corsa, entidade de defesa dos direitos de LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) e mestre em educação, Lula Ramires, que atuou no processo de coleta de dados durante a pesquisa, afirma que as instituições de ensino, em geral, não estão preparadas para lidar com a diversidade sexual. Segundo ele, predomina uma visão conservadora, que pouco retrata as transformações sociais ocorridas nos últimos anos.

Lula ressalta ainda que é comum ver atos de preconceito contra homossexuais são banalizados.

- Como educador, como pesquisador, como militante que trabalha nessa área, o que eu vejo é que a homofobia ainda não é percebida como um problema. Então, quando alguém faz uma piadinha, uma chacota, dá um empurrão é considerado como uma brincadeira.

Confira a entrevista.

Terra Magazine - Recentemente, houve uma série de suicídios de adolescentes homossexuais, vítimas de bullying, nos Estados Unidos. Como é a realidade brasileira em relação a esse problema?
Lula Ramires - Nós, do Corsa, nunca recebemos nenhum pedido de ajuda de alguém que estivesse em processo de cometer suicídio. Acompanhei alguns poucos casos pela internet. Nos EUA, há pesquisas que mostram que as tentativas de suicídio entre jovens LGBT são de quatro a cinco vezes maiores do que entre adolescentes heterossexuais. As pessoas falavam: "Ah, no Brasil deve ser a mesma coisa". Não estou dizendo que não seja. Mas temos alguns fatores culturais no Brasil que fazem com que o suicídio não seja uma coisa tão comum.

Mas a homofobia é um problema presente no ambiente escolar brasileiro?
Como educador, como pesquisador, como militante que trabalha nessa área, o que eu vejo é que a homofobia ainda não é percebida como um problema. Então, quando alguém faz uma piadinha, uma chacota, dá um empurrão é considerado como uma brincadeira.

Quando você fala que a homofobia não é percebida como um problema, está se referindo à postura dos educadores em relação à questão?
Eu diria pela sociedade em geral e, consequentemente, pelos educadores.

Então, na sua opinião há uma permissividade em relação à homofobia?
Exatamente. Mas antes de a escola ser homofóbica, ela é heteronormativa. O que eu quero dizer com isso? O padrão, o modelo com o qual a escola trabalha o tempo inteiro é o da relação heterossexual convencional. A família que eu chamo de "Doriana". O pai de paletó, gravata, que acorda sorridente e a mãe serve o café, o suco de laranja, vem o cachorro, as crianças. No fundo, a escola ainda trabalha muito com essa imagem.

Quem foge desse padrão...
Quem foge desse padrão se sente inferior e é cobrado, o tempo inteiro, por não seguí-lo. Mesmo que hoje as pesquisas mostrem que um terço das famílias não cumprem esse modelo. São avós que criam netos, padrinhos que criam afilhados, casais do mesmo sexo... Ou seja, você tem uma multidão que não está dentro desse padrão familiar.
A gente está vendo agora, na campanha eleitoral, a existência de um modelo, que é muito forte, ainda que na prática não seja cumprido. Para mim, o maior problema da escola hoje é ainda trabalhar com um modelo que está em erosão. Não é um modelo que eu possa dizer que não vigora mais, porque seria tolice da minha parte dizer isso. Esse questionamento, que é anterior a você pensar a questão da diversidade sexual, a escola não faz.

Para você, há um certo despreparo dos professores para lidar com a questão da diversidade sexual?
A grande maioria diz que não teve essa discussão na faculdade, ou seja, na sua formação inicial. Então, temos essa lacuna. Fazer essa discussão sobre as relações de gênero é algo que passou muito longe do currículo deles. Essa é uma primeira questão.
Em segundo lugar, temos sempre que lembrar que os professores de hoje são de uma geração anterior a de seus alunos, mas também são professores que estão vivenciando uma transformação social, que vivem sob a influência da revolução sexual dos anos 60.
Há uma série de transformações que vão acontecendo, mas que vão chegando à escola muito lentamente. A escola tem um conservadorismo no sentido sociológico da palavra. Ela tem como função manter a ordem. Em muito poucos casos, questiona essa ordem, transforma essa ordem. Isso não quer dizer que a escola não tenha, em alguns aspectos, um lado crítico, de tentar buscar outras possibilidades. O problema da escola é que ela tem sido refratária às mundaças, quando deveria ser, não a propulsora, mas questionadora. "Isso que está aqui é bom ou deve ser mudado?"

Você diz que a escola é um ambiente conservador...
A escola, na minha opinião, é um campo de muito conservadorismo, mas há também o lado da resistência, da inovação.

No caso da diversidade sexual, uma postura mais conservadora da escola implica em quais conseqüências?
Quando você pensa do ponto de vista da homofobia, uma escola que se mantém presa à visão rígida do que é masculino e do que é feminino necessariamente vai encarar quem desvia desse modelo como alguém transgressor. Isso é uma coisa que as crianças, desde pequenas, vão pegar no ar. Quando dois meninos, de 5, 6 anos, se desentendem por causa de um brinquedo e um deles chama o outro de mulherzinha, o que um está dizendo para o outro? Há a ideia de que acusar o outro de mulher é uma ofensa, é demérito.
Um adulto conservador vai rir, não vai questionar. É isso que estou te falando. Essa visão conservadora de masculino e de feminino, que cria dois universos incomunicáveis... Se eu não jogo futebol, não pratico esportes violentos, se eu gosto de artes, literatura não sou tão homem quanto alguém que gosta de musculação, que é considerado o garanhão. São os estereótipos que têm um poder muito forte.

Como, em geral, manifesta-se o bullying contra adolescentes homossexuais nas escolas brasileiras?
O que eu sinto que ainda acontece é um bullying muito marcado pela cobrança de uma masculinidade mais agressiva. Então, o menino que não se comporta dessa maneira é taxado de "viadinho, boiola, gayzinho".

Isso é frequente nas nossas escolas?
Com certeza. Por outro lado, o que tenho visto, com base na minha experiência como militante e acadêmico, é que as pessoas que se assumem ganham uma respeitabilidade. Na minha pesquisa de mestrado, entrevistei oito adolescentes. Um dos meninos, num determinado momento, durante uma aula de ciências sobre sexualidade, ele resolveu assumir que era gay.
Isso se espalhou pela escola. Ele contou que, quando passava pelo pátio, um grupo de meninos o chamou e perguntou se era verdade. E os meninos falaram: "Pô, cara, você é muito macho por ter assumido". Acho essa fala sintomática, porque ela valoriza as pessoas que são autênticas, mas, ao mesmo tempo, dizer "você é macho", cobra uma das coisas da masculinidade, que é ser valente.
Essa é ambiguidade que estamos vivendo hoje. Nas nossas escolas, estamos vivendo um momento em que isso está se tornando uma coisa tranquila. Alguém diz que é gay, lésbica... Bacana, com tanto que não venha dar cantada, não ultrapasse as fronteiras. É uma aceitação que poderíamos chamar de "antisséptica". Eu aceito, mas passa alcóol gel antes de chegar perto de mim.

Mesmo com todo conservadorismo, para você, a sociedade brasileira aceita mais a diversidade sexual do que a norte-americana, por exemplo, onde o bullying é tão violento que leva ao suicídio?
Não sei. Se você comparar com 10, 20 anos atrás, a situação está melhor. Conseguimos conquistas no sentido da valorização da diversidade, mas, no campo da individualidade, tentamos controlar o outro para que ele seja igual a nós mesmos. Para uma parcela da sociedade, que não é tão pequena quanto a gente gostaria, os homossexuais não merecem nem existir. Quando você pensa nos assassinatos de homossexuais, travestis, crimes com requintes de crueldade... Uma coisa é eu brigar com você e você me dá um tiro e, por um acaso, eu sou gay. Outra coisa é, porque sou gay, você me dá 50 facadas, arranca meus olhos, me degola, ou seja, produz uma morte violenta e humilhante.
Isso é bastante comum. Temos entre 150 e 200 assassinatos desse tipo por ano no Brasil. Não é brincadeira. É estarrecedor. Muitas vezes, as pessoas não percebem a correlação entre uma piadinha e um assassinato de homossexual. Um alimenta o outro. A matéria prima é a mesma, não aceitar e não respeitar aquele que é diferente de mim.

Fala um pouco sobre a pesquisa ¿Escola sem homofobia¿, da qual você fez parte.
Os resultados serão divulgados nesta terça. Eu participei da coleta de dados em São Paulo. O projeto previa elaboração de material para escolas, capacitações e pesquisa qualitativa. Começou no início de 2009 e teve participação das ONGs, Reprolatina, Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais e transexuais, da Pathfinder do Brasil... Foi financiada e supervisionada pelo MEC.

Em linhas gerais, o que foi apreendido a partir do estudo?
A escola liga no piloto automático e nem imagina ou supõe que vai haver algum aluno ou professor ou algum funcionário que não seja heterossexual.
Quando essas coisas vem à tona, muitas vezes, são motivos de chacota e de agressão. Em alguns casos, há escolas que não admitem esse tipo de violência. Outras fecham os olhos e dizem:"Isso não é comigo."



Leia esta notícia no original em: Terra - Brasil
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4756078-EI6594,00.html

22 de outubro de 2010

A tecnologia resolve?

O excesso de informação também causa ansiedade no jovem, por isso é preciso pensar em como lidar com o conhecimento simultâneo

Orkut, Facebook, Twitter e outras infinidades de redes sociais são cada vez mais comuns no ambiente de aprendizagem. A internet revolucionou a forma como os alunos estudam e aprendem, mas será que ela está atendendo às necessidades do ensino e aprendizagem? "As novas tecnologias nos permitem personalizar a educação. No entanto, o professor ainda está preso a modelos antigos. Sabendo que um currículo não serve para todos, temos de buscar uma educação sob medida para cada aluno", acredita o presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância, Fredric Michael Litto.

Para o diretor de marketing universitário da Pearson, Laércio Dona, está na hora de refletir sobre a maneira de ensinar. "Será que está de acordo com o novo perfil do aluno? Porque ele mudou muito de anos para cá. O jovem hoje é muito mais conectado e interativo, enquanto a sala de aula continua igual, pouco diferente do que era há 30 anos. Existe hoje um gap (deficiência) entre o ensino e o dia a dia do aluno", comenta.

A professora do Centro Universitário Fieo (Unifieo) de Osasco, Andrea Aparecida Moraes Fernandes de Freitas, também concorda que é preciso focar mais o aluno e suas diferenças relacionadas à forma de aprendizagem. "Damos aula para um todo, mas nem todos são iguais. A gente tem de perceber essas diferenças na turma e buscar uma aula diferente", afirma.

No entanto, a doutora em educação Evelise Maria Labatut Portilho, autora do estudo sobre diferentes tipos de aprendizagem, alerta que apenas utilizar recursos tecnológicos não basta. "Vejo como mais uma das possibilidades de se expandir o conhecimento. Agora, não se pode correr o risco de ficar no superficial, já que a quantidade de informação não garante a aprendizagem."

Teresa Jordão, que trabalha com formação de professores e com a integração da tecnologia como ferramenta pedagógica, reforça que houve uma mudança no perfil dos alunos que frequentam hoje o ensino superior. São os nativos digitais. "Baseados nas características desses alunos, temos de pensar na mudança que a educação precisa ter. Deve se investir na formação do professor, não para o uso técnico de tecnologia, porque usá-la é simples, mas sim para o uso pedagógico".

Nos Estados Unidos, já são inúmeros os impactos positivos da tecnologia na educação e, cada vez mais, os professores vêm aproveitando os benefícios da internet. "Essas ferramentas têm de fato uma grande importância no processo de ensino e podem ajudar os alunos. Sempre há tempo para os professores que ainda não aprenderam a usufruir dos benefícios começarem a utilizá-los", diz Raquel Cubas, consultora da Pearson eCollege.

"Os professores devem entender que há melhores maneiras de fazer o que eles já vinham fazendo com a ajuda da tecnologia, mas eles ainda são temerosos e, por isso, precisam ser treinados", avalia Adam Black, especialista em tecnologias de aprendizagem da Longman.

O estudante Leandro Chamalle, do curso de sistema de informação da Universidade Federal de São Carlos, também defende uma reformulação no jeito de se dar aula. "O professor deve utilizar as ferramentas da tecnologia a seu favor e não contra ele. Hoje, por não conhecer, ele tem medo e acaba recusando-a", diz.

18 de outubro de 2010

Simpósio de Estudos e Pesquisa da Faculdade de Educação/UFG


INSCRIÇÕES ABERTAS
Com submissão de trabalho(s): 15/09 a 22/10/2010
Sem submissão de trabalho(s): 15/09 a 09/11/2010

O Simpósio de Estudos e Pesquisas é o principal evento da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás. Iniciou-se em 1991 e, hoje, atinge âmbito nacional, superando a média de 1000 inscritos. Consolidou-se como um espaço efetivo e abrangente de apresentação e discussão de estudos e pesquisas nas Ciências Humanas, com destaque para a educação e a psicologia.

Nesta XIX edição do Simpósio escolhemos o tema Conhecimento e Modernidade: Novos e Velhos Desafios, propondo-nos debater acerca da produção do conhecimento científico no âmbito das ciências humanas na modernidade. Pretende-se expor e discutir as tendências de investigação que desde a passagem do século XIX para o século XX têm orientado a análise das relações entre indivíduo, sociedade e educação e seus projetos de formação humana considerando, especialmente, as tensões geradas pelas novas perspectivas de pesquisa que, num sentido amplo, situam-se no espectro da chamada pós-modernidade.

site do evento clique aqui

11 de outubro de 2010

Educação pelo Mundo

O novo estigma
por Luisa Leme, de Nova York

O que são escolas boas, ruins e como melhorá-las? Quem acompanha o noticiário sobre educação nos Estados Unidos hoje percebe que há um frenesi generalizado para obter essas respostas. O presidente Barack Obama é um dos que se arriscaram a buscar uma alternativa. Sua nova política educacional está alicerçada em dois programas: o Race to the Top, competição entre estados por recursos financeiros em que aqueles que apresentarem a proposta mais inovadora para melhorar o desempenho acadêmico recebem mais verba; e o School Improvement Grant (SIG, Bônus para a melhoria das escolas, em português), que prevê a repaginação das escolas de baixa performance acadêmica no país.

Os estados de Tennessee e Delaware ganharam a primeira rodada do Race to the Top e 36 outras unidades da federação submeteram propostas para a segunda fase do programa este ano. Os 18 finalistas, entre eles Arizona, California, Rhode Island, Maryland e Nova York, esperam ganhar parte dos US$ 3,4 bilhões de dólares que serão distribuídos pelo governo federal a partir de setembro.

Para executar a tarefa do SIG, o governo Obama aposta no fechamento ou reconfiguração de escolas e na demissão de professores cujos alunos não obtêm resultados satisfatórios. No ano passado, cada estado fez uma lista com as suas piores escolas e enviou-a ao governo federal. Para receber a verba, o distrito escolar deve possuir pelo menos uma escola que apresente resultados acadêmicos não satisfatórios por mais de dois anos. A quantia de dinheiro recebida por eles varia e muitos já foram aprovados. No ano letivo iniciado em setembro, mais de 20 estados, como Minnesota, Nova Jersey, Texas e Washington D.C., começam a aplicar as medidas exigidas pelo governo federal para serem beneficiados.

Os efeitos dessas novas políticas começam a ser sentidos. Em julho, a capital federal, Washington D.C., registrou a demissão de 226 professores considerados ruins pela nova avaliação docente. Batizada de "Impacto", ela congrega as notas dos alunos e visitas a salas de aulas por diretores e especialistas não ligados às escolas. O sistema, implementado no último ano letivo, avaliou professores da rede durante um ano. As demissões coincidem com os primeiros resultados. Os profissionais considerados "altamente eficientes" terão suas práticas multiplicadas em outras escolas. Os "ineficientes" foram demitidos. A rede justifica a medida como necessária para garantir que todo estudante tenha chance de ter um bom desem pe nho acadêmico.

Segundo o Departamento de Educação do governo federal, há quatro opções para que os estados recebam os fundos do School Improvement Grants, e, consequentemente, realizem a reforma escolar. O modelo turnaround (recuperação) promove a troca do diretor e reconfigura a escola a partir de uma triagem de todos os professores. Apenas a metade deles é recontratada. Recebem formação continuada e passam a ter de trabalhar mais horas dentro da escola. O modelo restart (recomeço) fecha a escola e reabre a instituição como uma escola charter, administrada por um grupo privado que a gerencia. O modelo transformation (transformação) troca o diretor, reforma currículo, aumenta o tempo de aula e também oferece cursos de desenvolvimento profissional para os professores. A quarta opção é fechar a escola e mandar os alunos para outras instituições com melhor desempenho acadêmico.

Experiências multiplicadas
Não é a primeira vez que esses modelos serão aplicados no país. Eles são oriundos da experiência de redes que já haviam reconfigurado suas escolas. A cidade de Nova York é pioneira nesse caminho. Em 2002, quando a prefeitura ganhou maior controle sobre a rede municipal, eliminando conselhos de pais e redistribuindo distritos na cidade, Joel Klein, chanceler escolhido pelo prefeito Michael Bloomberg, começou a fechar escolas que não tinham bom desempenho acadêmico.

Nos últimos oito anos, o Departamento de Educação de Nova York fechou 91 escolas e abriu ou reabriu 335 novas escolas públicas e 81 escolas charter. Na maioria dos casos, as novas escolas eram menores, com novas administrações e, muitas vezes, um grupo de professores completamente novo, que assumiu as aulas no mesmo prédio da escola que foi fechada. As escolas também ganharam currículos novos, com foco em ecologia, leis e direitos civis. Os novos diretores passaram a controlar o orçamento e o currículo, além de ter poder para contratar e demitir professores sem autorização do Departamento de Educação.

Os resultados
Em contrapartida, a rede municipal ficou responsável pela qualidade das escolas. O departamento passou a usar relatórios anuais de progresso para cada uma. A composição dos relatórios leva em conta os seguintes indicadores: 60% do total advêm do progresso acadêmico dos estudantes em testes estaduais de matemática, artes e inglês no ano anterior; 25% da performance dos alunos nos mesmos testes no ano em questão; 15% vêm do resultado de pesquisas com pais, alunos e professores sobre o ambiente da escola. A avaliação agrega esses fatores e dá uma nota de F a A para cada escola da cidade. As escolas que recebem notas altas recebem mais recursos. Já aquelas com nota D ou menor passam por um período de reavaliação e enfrentam reformas que podem resultar em fechamento.

Essas mudanças afetaram drasticamente as condições dos docentes da rede municipal. As escolas estão cada vez mais suscetíveis a processos de fechamento e a demissões. Os professores sentem na pele as mudanças. Quando a cidade de Nova York decide fechar uma escola, eles podem ser considerados excedentes e, consequentemente, perder seu cargo na rede. Assim, ficam à disposição da rede municipal. Podem se transferir para outra escola, por meio de um mercado interno criado pelo Departamento, o open market, ou procurar novas oportunidades profissionais fora da cidade. A reportagem de Educação buscou retratos de professores que viveram esse processo para entender as novas configurações da carreira docente e os caminhos encontrados por eles para voltar à sala de aula.

Um professor excedente
Em junho de 2008, pouco antes das férias de verão, L.R., professor de ciências sociais de Nova York, foi avisado de que se tornaria um professor excedente. Sem entender bem o que isso significava, foi informar-se. Entrou na nova categoria porque havia perdido seu emprego na escola em que trabalhava. Apesar de ficar desempregado, continuaria na folha de pagamento do Departamento de Educação - há mais de mil professores nessa situação na cidade. Eles se tornaram excedentes porque suas escolas foram fechadas por baixa performance ou por falta de recursos financeiros. No caso de L.R., o motivo para ter se tornado excedente foi outro: a queda no número de matrículas na escola em que lecionava. Isso aconteceu por conta de sucessivos resultados ruins nas avaliações promovidas pelo Departamento de Educação. Logo após receber a notícia, entrou no site "mercado aberto", do Departamento, e tentou encontrar vagas fora do município. As tentativas foram em vão. L.R. conta que outros colegas da mesma escola também se tornaram excedentes. Alguns acabaram ficando na mesma escola. Outros acabaram desempregados.

Como L.R. começou o ano letivo de 2008-2009 sem turmas, ficou à disposição do departamento para trabalhar eventualmente. Em pouco tempo, recebeu um comunicado administrativo que o enviou a uma nova escola, localizada no bairro do Queens. "A carta deveria ter sido entregue pelo meu antigo diretor, na minha escola, mas os papéis foram perdidos e eu só recebi a notícia quando a nova escola começou a indagar o porquê da minha ausência", conta. A administração e professores de sua nova unidade foram organizados e gentis. Entretanto, depois de duas semanas de adaptação, ele foi chamado novamente pela primeira escola que o dispensara. "Acharam uma maneira de me encaixar no orçamento e me informaram que eu teria uma disciplina para ensinar. Quando eu voltei, percebi que as condições eram muito estranhas", relata.

L.R. recebeu novas tarefas e responsabilidades na sua volta. Tornou-se responsável por um programa de atividades extracurriculares no contraturno. Com isso, passou a entrar 40 minutos depois do normal - o objetivo era honrar o contrato firmado entre o sindicato e o Departamento de Educação, que previa não mais de seis horas e 20 minutos por dia. Também recebeu duas disciplinas não obrigatórias para lecionar: uma sobre leis, e aulas de inglês com o departamento de educação especial, para o qual ele não tinha licença para lecionar. Tudo isso com a promessa de voltar a lecionar ciências sociais no semestre seguinte.

Dois dias antes de o novo semestre começar, L. R. recebeu um aviso de que, mais uma vez, iria para o quadro de excedentes. Assumiu tarefas normalmente realizadas por funcionários administrativos, como a supervisão do almoço dos alunos e distribuição de vale-transporte. Três semanas depois, recebeu mais disciplinas para as quais não tinha licença para ensinar. Segundo o docente, a escola afirmou que ele não era considerado excedente - era simplesmente um professor sem disciplinas. "Esse status nem existe de acordo com o Departamento de Educação de Nova York", desabafa.

Em abril do ano passado ainda tentou um emprego estável em outra escola. "Adoro ensinar, mas não poderia lidar com outro ano de tanta confusão", diz. Em julho de 2009, finalmente conseguiu ser admitido em um colégio novo e menor de ensino médio no Queens.

A carta cor-de-rosa
O professor James Eterno teme um futuro como o de L.R. Ele ensina ciências sociais há 24 anos na Jamaica High School, no Queens, em Nova York. É o representante da United Federation of Teachers (UFT , União Federal dos Professores) na instituição. Sua maior preocupação hoje é evitar que o colégio feche e que 85 professores, ele incluso, percam o emprego.

A escola de James faz parte de um grupo de 19 escolas que o Departamento de Educação resolveu fechar em janeiro deste ano. A decisão foi revogada em julho, após o sindicato ter entrado com um processo judicial. O Departamento apontou três razões para o fechamento: baixa demanda de alunos, falta de progresso no desempenho acadêmico e baixa performance dos estudantes no ano em questão. Em 2007, o órgão chegou a enviar uma carta aos pais, afirmando que aquela era uma escola "persistentemente perigosa". Na ocasião, 200 alunos se desligaram da Jamaica High School.

A queda nas matrículas não parou ali. Em 2009, a escola tinha 400 alunos matriculados na 1ª série do ensino médio. No ano letivo seguinte, esse número caiu para 40 alunos. Por causa disso, 21 professores receberam um comunicado cor-de-rosa que os classificou como excedentes. Mas o status desses docentes no site do Departamento permanece como ativo. "Esses professores estão passando as férias de verão no escuro. Não sabem o que vai acontecer, não tiveram qualquer confirmação depois das negociações entre o sindicato e o departamento", diz James. Já os 40 alunos que se matricularam no 1º ano do ensino médio não sabem onde vão estudar, se a escola realmente fechar.

A instituição é conhecida pelo atendimento de alunos imigrantes e provenientes de famílias de baixa renda. Segundo James, 30% dos alunos têm necessidades especiais - uma categoria que as escolas novas não podem aceitar nos dois anos consecutivos a sua abertura. Quando pensa na Jamaica High School fechada, o professor faz uma pausa. Se a escola fechar, ele provavelmente receberá uma carta cor-de-rosa. "Se perdermos essa luta, vou sobreviver. Mas será um insulto ter de montar meu currículo e procurar emprego após 24 anos. Quando uma unidade do Corpo de Bombeiros fecha nessa cidade, os bombeiros veteranos não têm de procurar emprego. São convidados a comandar outras unidades. Não há esse respeito com os professores veteranos em Nova York", finaliza.

8 de outubro de 2010

Cartilha Navegar com Segurança

A internet é um ambiente democrático, dinâmico e sem fronteiras, que disponibiliza um verdadeiro universo de informações e possibilidades de comunicação ao alcance de um clique. Mas, assim como o “mundo real”, a internet não está livre de riscos.

Dessa forma, é necessário entender a dimensão pública desse espaço, acompanhar e orientar a utilização da internet pelas crianças e adolescentes, prevenindo a incidência de violações de direitos humanos e crimes como o abuso sexual on-line e a pornografia infantojuvenil na web.

Como primeira iniciativa de intervenção direta nesse cenário, a Childhood Brasil lançou a cartilha Navegar com Segurança, reunindo dicas e informações importantes para que pais, educadores e responsáveis assumam uma postura proativa na prevenção. Escrita com linguagem direta e de fácil compreensão.


Para baixar cartilha clique aqui

4 de outubro de 2010

III Seminário Interdisciplinar de Graduação e Pós Graduação


A Faculdade Araguaia promove o III SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR da Graduação e Pós-Graduação, com o tema FORMAÇÃO, COMPETÊNCIAS E TRABALHO. Esse seminário tem como objetivo reafirmar a importância da integração, além de criar um espaço de reflexão sobre a formação inicial e continuada e as competências para atuar e manter no mercado de trabalho.

Será realizado no dia 23 de outubro de 2010, na Unidade Centro, da Faculdade Araguaia. Será um dia de palestra, mesa redonda, minicursos e apresentação de trabalhos sobre uma temática estudada minuciosamente por coordenadores das áreas afins.

 Programação clique aqui