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5 de maio de 2010

Sugestões ao Clero

Em 2006/2007 costumava escrever e enviar por email pequenos textos que intitulava de "Temperando". A ideia era produzir, de forma "bem temperada", textos sobre assuntos do cotidiano e compartilhar com amigos e colegas. Reencontrei alguns destes textos e vou postar eles aqui. Espero que gostem!

Original de Junho 2007

Esta semana, o presidente Lula anunciou uma serie de medidas para planejamento familiar. Entre as medidas estão a oferta de métodos contraceptivos na rede pública de saúde e nas drogarias e farmácias privadas credenciadas ao Programa Farmácia Popular do Brasil, campanhas publicitárias de esclarecimento e estímulo ao planejamento familiar e o estímulo à realização e ampliação de vasectomia nos serviços públicos de saúde.

Depois de anunciada, as medidas geraram divergentes opiniões. De um lado o grupo dos que acreditam nos avanços trazidos pelas propostas do governo à saúde das mulheres de baixa renda. Do outro lado do muro, um grupo chefiado por alguns religiosos, que vêem nas medidas um desacato a família e um estimulo a infidelidade e a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis.

Desta feita, este escriba gostaria de dirigir as “temperadas”, aos insatisfeitos com as medidas. Em especial à lideres religiosos que as consideram descabidas, blasfêmias e de mau grado para com a família e com Deus(neste caso o “deus” deles).

O que gostaria é oferecer a estes lideres algumas sugestões, que acredito são pertinentes a causa que estes defendem. Não a causa religiosa em si, com seus dogmas e doutrinas, mas os pareceres apocalípticos emitidos sobre o uso e a difusão de anticoncepcionais e a oferta de medidas contraceptivas em postos de saúde da rede pública.

Acredito nas boas intenções dos clérigos, portanto ofereço-lhes algumas idéias para que estes possam confrontar com as medidas do governo federal e assim dar alternativas as milhares de mulheres pobres deste país.

SUGESTÃO 1. O grande problema de ter um filho (ou vários filhos) sem planejamento e estrutura financeira é a educação desta crianças. As escolas públicas em grande parte estão vivendo um caos, e as particulares são caríssimas.

Assim sugiro que as diversas religiões ( católicas ou protestantes) mantenedoras de ótimas escolas e faculdades por este país a fora possam oferecer educação gratuita a estas crianças e jovens oriundas de famílias pobres e de famílias constituídas sem qualquer planejamento.

SUGESTÃO 2. Além de educação, a saúde é outra grande problema fundamental das futuras “mães desplanejadas”.

Minha sugestão é que estas mesmas religiões ofereçam em suas redes de hospitais acesso gratuito, facilitado e de qualidade as famílias pobres.

SUGESTÃO 3. Minha última sugestão, talvez a mais polêmica e mexerá com os cofres das igrejas. O que acham de 5% do dizimo ofertado pelos fies sejam transformados num fundo de amparo e assistência as famílias pobres brasileiras? Esse fundo seria uma “bolsa escola” privado. Afinal, além de educação e saúde as famílias precisarão de comida em casa!

Bem, essas são algumas sugestões que faço. Não quero transformar pessoas em objetos, mas criança é despesa. Filho trás consigo gastos. E mais do que uma visão religiosa gostaria de refletir sobre a questão: Quem educará, dará comida, cuidará da saúde e da integridade física destas crianças? As mães? As famílias? Os padres e pastores? O governo federal?



Espero que meus caros leitores entendam, que as “temperadas” aqui feitas não são ataques a religiões ou religiosos, mas, um estímulo a reflexão sobre um assunto de suma importância – SAÚDE PÚBLICA.

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