Páginas

30 de abril de 2010

Comer ou não comer: eis a questão!

Em 2006/2007 costumava escrever e enviar por email pequenos textos que intitulava de "Temperando". A ideia era produzir, de forma "bem temperada", textos sobre assuntos do cotidiano e compartilhar com amigos e colegas. Reencontrei alguns destes textos e vou postar eles aqui. Espero que gostem!

Original de Dezembro 2006

A cena é conhecida, uma família, com externa aparência de felicidade, comendo sanduíches, batatas-fritas e refrigerantes em clima de muita festa, e ao fundo uma locução divulga as benesses oferecidas por uma grande multinacional de fast-food. A cena é notória de todos os shoppings, praças de alimentação lotadas de consumidores insaciáveis por comer…

Por outro lado, estamos estarrecidos com a morte da modelo brasileira Ana Carolina Reston, por complicações decorrentes de uma anorexia nervosa. A história da brasileira chamou atenção do mundo inteiro, sendo destaque no jornal britânico The Independent, no espanhol El País e no norte-americano The New York Post. A modela morreu por não comer…

Afinal, comer ou não comer?

Publicitários de todos os cantos do mundo passam horas a criar campanhas comerciais que façam as pessoas comerem mais, consumirem mais, enfim, gastar muito mais. Do outro lado, é feito uma exaltação aos corpos sarados e livres das “gordurinhas” por parte da mídia, dos programas de auditórios e das próprias agências de modelos.

Somos instigados a comer, contudo somos recriminados quando o fazemos. Claro que a solução para esta ingonita está na moderação, em nos alimentarmos de maneira saudável e dentro dos limites do nosso corpo e das nossas necessidades. Contudo, não somos estimulados no nosso dia a dia a termos limites, ou a sermos moderados. Somos sim, servos da vaidade, do consumismo e da cobiça.

Em agosto esta coluna alertava os perigos da falta de limites (Temperando nº 06, “Escravos da Vaidade”), desta vez seja pela sobra ou falta (de comida) os limites humanos se expõem e ficam escancarados a nossa intolerância. Necessitamos sermos alertados dos perigos do excesso de calorias e gordura para meditamos sobre o assunto. E infelizmente, precisamos ver funerais para nos alertar sobre os limites da nossa busca pelo poder e pelo glamour.

O tempo não perdoa e é preciso decidir o que mais importa: o prazer imediato oferecida pela gula e a vaidade, ou, felicidade duradoura oferecida pelo respeito aos nossos limites e pela harmonia corpo, mente e espírito. Está em nossas mãos eis a questão.

Nenhum comentário: