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22 de fevereiro de 2010

O Enem e o Ensino Médio

por: Casemiro de Medeiros Campos - jornal O POVO

No âmbito da reforma do ensino iniciada no Brasil com a edição da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação & Lei No. 9394/96 permitiu a introdução de novos conceitos para a definição de outro modelo de educação. Os princípios da flexibilidade, interdisciplinaridade e contextualização foram base para a definição da estrutura conceitual que possibilitou a inovação organizacional por meio da proposta do sistema de avaliação em que priorizou a complementaridade e integração como fundamentos para a proposta de renovação do ensino médio como fase terminal da educação básica. Assim surgiu o Exame Nacional do Ensino Médio & Enem. O objetivo central do Enem é avaliar o aspecto cognitivo, mas enfatizando a capacidade da autonomia intelectual e o pensamento crítico dos alunos.

Essa proposta rompe com o antigo modelo de avaliação alimentado pela pedagogia tradicional em que o modelo vestibular engessava todo o sistema de educação básica considerando a seletividade por meio do sistemas de provas em que se tinha como especificidade a avaliação somativa e a mensuração. O formato do vestibular se limitava a medir. Levava todos os envolvidos a um verdadeiro massacre. O vestibular foi ideal para um sistema educacional pouco democrático num país injusto. Mas se queremos fazer outro país, é necessário democratizar a educação e ampliar as perspectivas para o que se faz nas escolas. As pressões sociais levaram a conquistas de direitos de cidadania, dentre estes, a educação de qualidade. Mas também, temos que considerar que o mundo mudou, e estas transformações tiveram como alicerce o conhecimento. Isto requer que se permita democratizar o acesso, a permanência e a conclusão da educação básica aos alunos.

O vestibular foi um produto de uma ``educação bancária``, em que o centro do processo ensino e aprendizagem era o professor que se limitava a fazer a aula, transmitir conteúdos e a passar prova. Para isso se levava os alunos a memorizar fórmulas, a decorar regras e a repetir os conteúdos sem criticá-los: o foco era o que o aluno aprendeu, desconsiderando as suas limitações e não suas potencialidades e talentos.

Para operacionalizar o Enem o Ministério da Educação - MEC desenvolveu um sistema de avaliação que tem como pressuposto compreender as potencialidades, a qualidade e a limitação do trabalho pedagógico, tendo em vista um projeto de formação cidadã integral, ética e para a vida. Ou seja, é preciso aprender coisas novas continuamente. A proposta do MEC por meio de especialistas seguindo as novas orientações curriculares & dos Parâmetros Curriculares e das Diretrizes Curriculares -, definiu uma matriz de referência para o desenvolvimento de competências e habilidades. Esta matriz tem como fonte os eixos cognitivos comuns a todas as áreas do conhecimento assim definidos: domínio da linguagem, compreensão de fenômenos, ênfase em situações problemas, construção de argumentos e elaboração de propostas. Daí segue-se as habilidades específicas de cada eixo.Assim, se busca com o modelo do Enem avaliar as estruturas mentais e cognitivas em que o conhecimento é construído e reconstruído sem esquecer a importância da memória.

No âmbito desta proposta houve mudanças que o Ministério da Educação apresentou de reformulação do Enem considerando a utilização e a forma de seleção unificada nos processos seletivos das Instituições de Educação Superiores Públicas Federais.

O MEC recomenda que as IES possam optar entre quatro possibilidades de utilização do novo exame como processo seletivo: como fase única, com o sistema de seleção unificada, informatizado e on-line; como primeira fase do processo seletivo; combinado com o vestibular da instituição e como fase única para as vagas remanescentes do vestibular. Estamos amadurecendo uma proposta de uma séria mudança na educação brasileira. Muito nos falta para o seu aperfeiçoamento, mas o vestibular tradicional está com os seus dias contados.


CASEMIRO DE MEDEIROS CAMPOS
Mestre em educação/UFC
casemiroonline@casemiroonline.com.br

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