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25 de fevereiro de 2010

Os tiozinhos da faculdade

Milena Prado Neves, especial para o iG

Com o lema antes tarde do que nunca e muita disposição, os mais “maduros” tomam as carteiras universitárias em busca de realização profissional e pessoal

Há algumas décadas, cursar universidade era coisa para poucos. Não havia grande diversidade de cursos, oportunidade e acessibilidade a todos. Os profissionais, na grande maioria das carreiras, eram formados no dia-a-dia de trabalho, e os que eram diplomados se destacavam num mercado de trabalho em que não havia pós-graduação.

Com o passar dos anos, muitas universidades foram abertas, cursos novos formados e programas de bolsas oferecidos para que o ensino superior se tornasse algo tão fundamental para a educação como o ensino médio.

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2008, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 1,9 milhão de novos alunos ingressou em faculdades naquele ano – um grande salto, se comparados aos 426 mil ingressantes em 1991.

Apenas o ProUni (Programa Universidade para Todos), em 2010, está oferecendo 165 mil bolsas integrais e parciais em instituições particulares de todo o País. Outras 47,9 mil vagas foram oferecidas em universidades públicas para quem fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Aqueles que não tiveram oportunidade de serem universitários no passado aproveitam uma nova chance agora.

Dividindo os livros com os filhos

Rosilene de Oliveira, 47 anos, entrou na Universidade São Marcos, no curso de Administração de Empresas. A filha tinha acabado de se formar em fisioterapia, e era chegada a hora de investir em si mesma, no seu estudo e dar um upgrade em seu currículo. “Decidi fazer a faculdade porque precisava, pelo meu trabalho. Hoje em dia, para o mercado de trabalho não adianta ter só experiência, tem que ter conhecimento teórico”, explica a administradora, que se formou em 2006.

Além da faculdade, Rosilene tinha de dar conta do trabalho em casa como mãe e esposa e da atuação na empresa em que trabalhava. “Estava parada há muito tempo com os estudos, desde o término do ensino médio, mas quando decidi cursar a universidade meus filhos e marido me apoiaram bastante”, comenta.

Apesar de ser mais velha do que seus colegas de classe, ela vivia os mesmos problemas de um universitário e seus dilemas, e confessa que chegou a “colar” em uma prova. “A gente é exemplo por não estar na idade em que a maioria das pessoas cursa universidade, mas uma vez que estamos ali temos as mesmas dificuldades que qualquer aluno”, explica. Rosilene já planeja a continuação de seus estudos, pensando em fazer pós-graduação e mestrado, para poder tornar-se professora universitária.

Bixo aos 68 anos

Aos 71 anos Apólo Natalli recebeu seu diploma de jornalista, após trabalhar a vida inteira nesta profissão que desde cedo escolheu. Estudou em uma sala em que seus colegas tinham, em média, 50 anos a menos que ele. No começo, tamanha diferença foi sentida na bagunça dos jovens, que tanto o incomodava. “Nos primeiros anos eu era um pouco impaciente e intolerante com a turma, mas no final do curso falava mais do que eles e era eu quem levava a bronca”, relembra o jornalista que, atualmente, aos 73 anos, dedica-se à produção de livros e cartas a jornais com reclamações sobre problemas da sociedade.

A faculdade trouxe grandes desafios a Apólo, como aprender a lidar com computador e com os novos paradigmas da profissão. “Para compensar a minha dificuldade em algumas matérias, estudava bastante sozinho após as aulas”, comenta.

Foi lá também que Natalli teve a oportunidade de promover uma grande troca de experiências entre jovem e idoso, mestre e aluno, onde os papéis constantemente se confundiam. “A faculdade me ressuscitou. Ganhei muito com a convivência com os jovens”, diz o jornalista, que acredita ter freqüentado a universidade na melhor hora possível, com a maturidade suficiente para aproveitar todo o conhecimento ofertado. “Aconselho todas as pessoas com mais idade a irem para as carteiras universitárias, pois mesmo que tardiamente vale a pena”, diz.

Do ponto de vista jovem

Denise Pimentel, 23 anos, formou-se jornalista na mesma turma de Apólo Natalli. Ela comenta que a presença de uma pessoa mais experiente na sala foi importante para conhecer a realidade e a praticidade da profissão, que nos primeiros anos de curso os alunos só conheciam na teoria.

Mas esta mistura de gerações também gera um certo estranhamento e conflitos. “Eu acho que no começo os alunos mais velhos são malvistos pelos mais jovens por conta do histórico de Imaturidade X Maturidade. Com o tempo e a peneira que separa o primeiro do último ano, as coisas tendem a mudar. Na nossa sala, por exemplo, depois de alguns semestres o Apólo começou a considerar os nossos comentários e notou que o nosso olhar tecnológico e moderno poderia ser vantajoso para ele. Em contrapartida, nós também passamos a vê-lo com respeito e guru para alguns conselhos”, relembra Denise.

O que fica são as trocas de experiências de duas gerações que aprendem juntas na sala de aula. “O que mais acrescentou foram as experiências e histórias que ele viveu em um tempo de ‘sonho do jornalismo romântico’ que nós não chegamos a conhecer”, comenta a jornalista.

22 de fevereiro de 2010

O Enem e o Ensino Médio

por: Casemiro de Medeiros Campos - jornal O POVO

No âmbito da reforma do ensino iniciada no Brasil com a edição da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação & Lei No. 9394/96 permitiu a introdução de novos conceitos para a definição de outro modelo de educação. Os princípios da flexibilidade, interdisciplinaridade e contextualização foram base para a definição da estrutura conceitual que possibilitou a inovação organizacional por meio da proposta do sistema de avaliação em que priorizou a complementaridade e integração como fundamentos para a proposta de renovação do ensino médio como fase terminal da educação básica. Assim surgiu o Exame Nacional do Ensino Médio & Enem. O objetivo central do Enem é avaliar o aspecto cognitivo, mas enfatizando a capacidade da autonomia intelectual e o pensamento crítico dos alunos.

Essa proposta rompe com o antigo modelo de avaliação alimentado pela pedagogia tradicional em que o modelo vestibular engessava todo o sistema de educação básica considerando a seletividade por meio do sistemas de provas em que se tinha como especificidade a avaliação somativa e a mensuração. O formato do vestibular se limitava a medir. Levava todos os envolvidos a um verdadeiro massacre. O vestibular foi ideal para um sistema educacional pouco democrático num país injusto. Mas se queremos fazer outro país, é necessário democratizar a educação e ampliar as perspectivas para o que se faz nas escolas. As pressões sociais levaram a conquistas de direitos de cidadania, dentre estes, a educação de qualidade. Mas também, temos que considerar que o mundo mudou, e estas transformações tiveram como alicerce o conhecimento. Isto requer que se permita democratizar o acesso, a permanência e a conclusão da educação básica aos alunos.

O vestibular foi um produto de uma ``educação bancária``, em que o centro do processo ensino e aprendizagem era o professor que se limitava a fazer a aula, transmitir conteúdos e a passar prova. Para isso se levava os alunos a memorizar fórmulas, a decorar regras e a repetir os conteúdos sem criticá-los: o foco era o que o aluno aprendeu, desconsiderando as suas limitações e não suas potencialidades e talentos.

Para operacionalizar o Enem o Ministério da Educação - MEC desenvolveu um sistema de avaliação que tem como pressuposto compreender as potencialidades, a qualidade e a limitação do trabalho pedagógico, tendo em vista um projeto de formação cidadã integral, ética e para a vida. Ou seja, é preciso aprender coisas novas continuamente. A proposta do MEC por meio de especialistas seguindo as novas orientações curriculares & dos Parâmetros Curriculares e das Diretrizes Curriculares -, definiu uma matriz de referência para o desenvolvimento de competências e habilidades. Esta matriz tem como fonte os eixos cognitivos comuns a todas as áreas do conhecimento assim definidos: domínio da linguagem, compreensão de fenômenos, ênfase em situações problemas, construção de argumentos e elaboração de propostas. Daí segue-se as habilidades específicas de cada eixo.Assim, se busca com o modelo do Enem avaliar as estruturas mentais e cognitivas em que o conhecimento é construído e reconstruído sem esquecer a importância da memória.

No âmbito desta proposta houve mudanças que o Ministério da Educação apresentou de reformulação do Enem considerando a utilização e a forma de seleção unificada nos processos seletivos das Instituições de Educação Superiores Públicas Federais.

O MEC recomenda que as IES possam optar entre quatro possibilidades de utilização do novo exame como processo seletivo: como fase única, com o sistema de seleção unificada, informatizado e on-line; como primeira fase do processo seletivo; combinado com o vestibular da instituição e como fase única para as vagas remanescentes do vestibular. Estamos amadurecendo uma proposta de uma séria mudança na educação brasileira. Muito nos falta para o seu aperfeiçoamento, mas o vestibular tradicional está com os seus dias contados.


CASEMIRO DE MEDEIROS CAMPOS
Mestre em educação/UFC
casemiroonline@casemiroonline.com.br

20 de fevereiro de 2010

Aprender a aprender... Aprender a Ensinar...

Uma bela lição sobre a complicada relação no processo de aprender e ensinar. Esta animação foi uma sugestão da colega Silvania, que sempre me apresenta a ótimos vídeos, como este.

17 de fevereiro de 2010

Aumento no número de vagas não democratiza o ensino

Apesar de representarem metade da população, negros e índios ocupam apenas 30% das vagas do ensino superior. Problema atinge jovens de baixa renda

A ampliação do número de vagas no ensino superior não garantiu acesso mais democrático à educação. É o que afirma a pesquisadora Luana Goveia, do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas (Ceppac) da UNB constatou que população de baixa renda e minorias étnicas continuam à margem do sistema educacional.

No Brasil, o Estado financia parte do sistema educacional, financiando integralmente as instituições públicas e, no sistema privado, facilitando crédito para estudantes. Para ingressar nas instituições públicas, entretanto, o aluno precisa passar em provas, que restringem o acesso. E o crédito para alunos de instituições privadas não chega a todos. "Como quem passa no vestibular geralmente são os que tinham renda para estudar em escolas particulares, os mais pobres ficam de fora", conta Luana.

A pesquisadora analisou a grupo de renda pertencem os alunos no ensino superior do Brasil com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) de 2006. O primeiro décimo representa os 10% mais pobres e o último os 10% mais ricos. Cerca de 76% dos estudantes pertencem aos três grupos de renda mais elevada. Os três menores grupos de renda representam, juntos, somente 2,6% dos estudantes.

O problema da renda é mais sentido pelas minorias étnicas. Negros e índios representam 49,79% da população brasileira e mesmo assim, ocupam somente 30,56% das vagas disponíveis no sistema de ensino superior no Brasil. "O problema das etnias é evidente, mas no Brasil está historicamente relacionado à renda", analisa. Por isso a pesquisadora sugere que políticas afirmativas incluam também critérios de renda, para que sejam mais justas. "A questão da renda atinge todas as etnias, inclusive os brancos e amarelos", aponta.

Prova disso é que hoje existem vagas ociosas na rede privada de ensino superior. "As vagas já existem, mas os jovens não as ocupam porque não possuem dinheiro para pagar as mensalidades ou precisam trabalhar para se sustentar e não sobra tempo para o estudo", avalia.

O crescimento do número de vagas foi expressivo, mas não suficiente. Em 1999, 14% dos jovens entre 18 e 24 anos estavam matriculados em instituições de ensino superior. Em 2006, já chegava a 25%. No Chile, entretanto, são 47% dos jovens que estão matriculados.

Ondas de expansão

A oferta de vagas no ensino superior passou por três ondas de expansão. A primeira aconteceu por volta de 1810 quando surgiram as primeiras escolas de ensino superior. Formavam médicos, engenheiros e militares para manutenção da Coroa Portuguesa aqui. "As vagas eram poucas e preenchidas somente pela elite da época", conta Luana.

A segunda onda aconteceu na década de 40 com a expansão das universidades católicas. Atendeu a demanda de uma sociedade mais complexa que exigia profissionais em outras áreas. A terceira e maior onde aconteceu depois de 1960, mais especificamente na década de 90, com a expansão das universidades particulares. Em 1970, 55% das matrículas no ensino superior eram em instituições privadas. Em 2006, já eram 72% das matrículas.

Luana percebeu, nos últimos anos, uma quarta onda de expansão, que denominou de onda de crescimento inclusivo. "O aumento no alcance de bolsas e cotas democratizam o acesso", destaca.


fonte: CORREIO BRAZILIENSE ONLINE

13 de fevereiro de 2010

Alunos e professores

Carta enviada ao Jornal O Popular, no dia 10/02/2010.

Este jornal publicou domingo reportagem (postado aqui no dia 08/02) sobre alunos com baixo desempenho que viram professores. É triste constatar mas, infelizmente, essa é uma verdade no Brasil inteiro. Como professora (há mais de 10 anos) em escola pública, gostaria de conviver com uma outra realidade no âmbito da educação brasileira. É vergonhoso. A culpa, dizem, é dos professores.

A escola pública conta, principalmente, com alunos de baixa renda. Como se isso não bastasse, oriundos de famílias totalmente desestruturadas, economicamente, socialmente e culturalmente. Famílias desrespeitadas e excluídas pelo governo e pela sociedade, desempregadas, sem atendimento adequado na área da saúde, etc. Indivíduos gerando indivíduos dentro do tráfico, da violência, em casas sem valores, sem princípios e sem religião.

Pais e mães que, por falta de tempo – ou não –, abandonam seus filhos, nas mínimas coisas como pentear o cabelo, escovação dos dentes. Quando o problema não é a falta de dinheiro, trocam uma alimentação saudável por porcarias e drogas no meio da rua. Obrigam, muitas vezes, seus filhos a pedir esmola na rua, ao invés de incentivá-los a estudar, a transformar suas vidas, suas histórias.

O que são valores para essas famílias? Culpá-las? Por quê? É essa a realidade delas. Não conhecem outra. Mandam seus filhos para a escola para se verem livres deles. Já vi criança de seis anos praticar sexo dentro da escola. Já vi usarem drogas. (Não vou dizer o que vi com adolescentes.) Já vi criança machucada, espancada, humilhada. Já apanhei de aluno, ouvi palavrões; fui violentada verbalmente com termos sexuais horríveis. Já tive aluno assassinado, preso, bandido. Já ensinei muito, já virei psicóloga, quando não atriz, palhaça, cantora. Tentei mudar um mundo, uma realidade, em vão. Adianta?

Aquela história de “fazer a minha parte” vem me frustrando. Quem sou eu num mundo como esse? Acabo sendo ameaçada de morte por querer ensinar o aluno a ler, a criticar, a ser melhor. Quem me ameaça? Não, não é o aluno! É o próprio sistema!

Arrependo-me, confesso, de ter sido essa a profissão que escolhi, porque foi esse o sonho que tive desde os cinco anos de idade. Podia ter sonhado melhor. Que salário ainda posso almejar? Nem o que é meu de direito, meu “chefe” não paga.

ALICE XAVIER

11 de fevereiro de 2010

Educação de quarto mundo

por Lya Luft, revista Veja

No meio da tragédia do Haiti, que comove até mesmo os calejados repórteres de guerra, levo um choque nacional. Não são horrores como os de lá, mas não deixa de ser um drama moral. O relatório "Educação para todos", da Unesco, pôs o Brasil na 88ª posição no ranking de desenvolvimento educacional. Estamos atrás dos países mais pobres da América Latina, como o Paraguai, o Equador e a Bolívia. Parece que em alfabetizar somos até bons, mas depois a coisa degringola: a repetência média na América Latina e no Caribe é de pouco mais de 4%. No Brasil, é de quase 19%.

No clima de ufanismo que anda reinando por aqui, talvez seja bom acalmar-se e parar para refletir. Pois, se nossa economia não ficou arruinada, a verdade é que nossas crianças brincam na lama do esgoto, nossas famílias são soterradas em casas cuja segurança ninguém controla, nossos jovens são assassinados nas esquinas, em favelas ou condomínios de luxo somos reféns da bandidagem geral, e os velhos morrem no chão dos corredores dos hospitais públicos. Nossos políticos continuam numa queda de braço para ver quem é o mais impune dos corruptos, a linguagem e a postura das campanhas eleitorais se delineiam nada elegantes, e agora está provado o que a gente já imaginava: somos péssimos em educação.

Pergunta básica: quanto de nosso orçamento nacional vai para educação e cultura? Quanto interesse temos num povo educado, isto é, consciente e informado - não só de seus deveres e direitos, mas dos deveres dos homens públicos e do que poderia facilmente ser muito melhor neste país, que não é só de sabiás e palmeiras, mas de esforço, luta, sofrimento e desilusão?

Precisamos muito de crianças que saibam ler e escrever no fim da 1ª série elementar; jovens que consigam raciocinar e tenham o hábito de ler pelo menos jornal no 2º grau; universitários que possam se expressar falando e escrevendo, em lugar de, às vezes com beneplácito dos professores, copiar trabalhos da internet. Qualidade e liberdade de expressão também são pilares da democracia. Só com empenho dos governos, com exigência e rigor razoáveis das escolas - o que significa respeito ao estudante, à família e ao professor - teremos profissionais de primeira em todas as áreas, de técnicos, pesquisadores, jornalistas e médicos a operários. Por que nos contentarmos com o pior, o medíocre, se podemos ter o melhor e não nos falta o recurso humano para isso? Quando empregarmos em educação uma boa parte dos nossos recursos, com professores valorizados, os alunos vendo que suas ações têm consequências, como a reprovação - palavra que assusta alguns moderníssimos pedagogos, palavra que em algumas escolas nem deve ser usada, quando o que prejudica não é o termo, mas a negligência. Tantos são os jeitos e os recursos favorecendo o aluno preguiçoso que alguns casos chegam a ser bizarros: reprovação, só com muito esforço. Trabalho ou relaxamento têm o mesmo valor e recompensa.

Sou de uma família de professores universitários. Exerci o duro ofício durante dez anos, nos quais me apaixonei por lidar com alunos, mas já questionava o nível de exigência que podia lhes fazer. Isso faz algumas décadas: quando éramos ingênuos, e não antecipávamos ter nosso país entre os piores em educação. Quando os alunos ainda não usavam celular e iPhone na sala de aula, não conversavam como se estivessem no bar nem copiavam seus trabalhos da internet - o que hoje começa a ser considerado normal. Em suma, quando escola e universidade eram lugares de compostura, trabalho e aprendizado. O relaxamento não é geral, mas preocupa quem deseja o melhor para esta terra.

Há gente que acha tudo ótimo como está: os que reclamam é que estão fora da moda ou da realidade. Preparar para as lidas da vida real seria incutir nos jovens uma resignação de usuários do SUS, ou deixar a meninada "aproveitar a vida": alguém pode me explicar o que seria isso?

8 de fevereiro de 2010

Docência atrai mal qualificados

Reportagem do Jornal O Popular, Domingo, 7 de fevereiro de 2010
por Adriano Marquez Leite



A falta de prestígio pela qual passa a carreira de professor no País e a falta de investimentos na infraestrutura das escolas públicas, e mesmo as privadas, provocam efeitos cada vez mais desastrosos na educação brasileira. Não há docentes para suprir a demanda em todas as áreas do conhecimento e muitos acabam dando aula de disciplinas sobre as quais não têm qualquer domínio. Para piorar a situação, o reflexo dessa conjuntura é que a carreira de professor é relegada à última opção nos vestibulares e atrai cada vez mais jovens mal qualificados e com enormes deficiências na educação que receberam desde o ensino fundamental. É esse o perfil do professor que pode vir a dar aula e formar milhares de crianças e jovens.

Questionário aplicado pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado revela que quem quer ser professor no Brasil tem baixa renda familiar e tirou nota 20 na prova – em uma escala que varia entre 0 e 100 (veja quadro). Ou seja, é uma pessoa que cresceu em um ambiente com menores chances de acesso a livros e informação, por exemplo, e que possivelmente carrega inúmeros problemas de formação desde o ensino básico, com poucas chances de apreender mais conhecimento durante a faculdade e até de transmiti-lo em sala de aula. Outra pesquisa, divulgada recentemente pela Fundação Victor Civita, revela que a maioria dos futuros professores do País está entre os estudantes com pior desempenho no ensino médio.

Na semana passada, durante os dias de inscrição para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Ministério da Educação (MEC) divulgou as notas mínimas que o estudante deveria ter obtido para conseguir aprovação em uma das graduações oferecidas pelas instituições participantes do processo. Um dia antes de concluir a seleção, dos 100 cursos com os pontos de corte mais baixos, 75 eram de licenciatura.

Na sexta-feira, a divulgação do resultado do vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG) também revelou a mesma tendência. Enquanto cursos de bacharelado mantinham notas mínimas para aprovação em 192,5 pontos, no caso de Medicina, ou 178,5 pontos, para Direito, nenhuma licenciatura conseguiu superar a casa dos cem pontos. Ontem, reportagem do POPULAR mostrou que a situação é ainda mais crítica no interior do Estado, onde a nota de corte é mais baixa – chegou a 36,5 pontos para a licenciatura em Ciência Biológicas.

Pró-reitora de graduação da UFG, Sandramara Matias Chaves afirmou que em algumas turmas de licenciatura no interior a demanda foi menor que a oferta de vagas.

De acordo com o presidente-executivo do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, a tendência atual de procura pelos cursos superiores mostra que as graduações que têm maiores condições de proporcionar os salários mais altos são as mais procuradas e, geralmente, pelos estudantes melhor qualificados. “O jovem é muito pragmático com relação ao futuro e às possibilidades que se abrem com a profissão que escolhem”, afirma Mozart.

Desestímulo
Especialistas de diversas áreas ouvidos pela reportagem são unânimes em dizer que a falta de alunos qualificados nos cursos de licenciatura está diretamente relacionada com o retrato que se tem da vida docente no País. Os professores exercem uma profissão entendida como estressante, sem planos de carreira bem determinados e dependem de salários baixos. Por causa disso, são obrigados a acumular horas e mais horas de sala de aula, prejudicando até a vida familiar do docente.

Os rendimentos que, em muitos Estados, não chegam ao piso nacional, também decepcionam. Informações da presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Yeda Leal, apontam que na rede estadual, um professor com carga horária de trabalho de 40 horas semanais ganha em início de carreira 938 reais. Na rede municipal de Goiânia a situação é mais desgastante: um professor contratado para 30 horas semanais recebe o piso de 713 reais. “O professor em Goiás é desvalorizado ao extremo”, afirma Yeda.

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Só 2% têm carreira como opção

Pesquisa realizada com estudantes de escolas públicas e particulares do Brasil revela que somente 2% dos entrevistados têm os cursos de licenciatura ou pedagogia como a principal opção para o vestibular. Segundo o levantamento feito pela Fundação Victor Civita, um terço dos alunos ouvidosna pesquisa chegou a pensar em seguir a carreira docente, mas desistiu logo em seguida por inúmeras razões.

No entanto, se fossem aplicadas medidas como melhor infraestrutura nas escolas, formação continuada, planos de carreira e salários atrativos para quem começa a dar aula, a situação poderia ser diferente. É o que acredita o presidente-executivo do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, que baseia a afirmação na experiência de outros países, que alcançaram excelentes resultados educacionais com políticas semelhantes às propostas pelo programa.

Coreia
Casos como o da Coreia do Sul são exemplares: há cerca de 30 anos o país patinava nos rankings internacionais que medem o conhecimento dos alunos e, hoje, figura como uma das principais potências em educação depois de rever todo seu processo de gestão das escolas e professores. É em território sul-coreano onde o professor da rede básica pode alcançar melhor remuneração, caso desempenhe satisfatoriamente suas funções ao longo da vida trabalhada.

3 de fevereiro de 2010

Filhos da revolução digital

Conectados, informados e até narcisistas. O perfil dos próximos alunos do ensino superior surpreende e levanta a questão de como se comunicar com esse novo público.

Entender as características de comportamento dos futuros estudantes é um desafio para as instituições de ensino superior. É claro que a tarefa não é nova, mas a grande diferença que está posta, ao final da primeira década do terceiro milênio, é que a atual geração de adolescentes carrega características absolutamente novas e peculiares, e, por isso mesmo, campo fértil para estudos e análises sob as mais variadas óticas. Nunca esse grupo, de jovens entre 12 e 16 anos, teve tanta representatividade no espaço social, sendo um consumidor voraz e, por isso mesmo, alvo de diversas campanhas de marketing. Mas, apesar de ter se tornado tão necessário estabelecer um canal de comunicação com essa faixa etária, que entrará na universidade em breve, nunca se teve tanta dificuldade em desvendar como eles pensam.

Um importante ponto de partida para entender o comportamento dos adolescentes de hoje é o contexto social da revolução digital. O processo, de fato, está em curso há algumas décadas e o que se vê atualmente é o crescimento de uma geração imersa, desde o seu nascimento, numa avançada expansão tecnológica, cujos efeitos são amplos e, de certa forma, ainda imprevisíveis.

"Podemos dizer que a cultura da pós-modernidade se caracteriza pela fluidez das relações humanas, pela virtualidade dos contatos, pela rapidez, inconsistência e fragilidade dos vínculos, por uma crise nas funções de autoridade, dos valores e das ideologias", analisa a psicóloga especializada em orientação educacional Jaqueline Ferreira.

Para ela, parece existir atualmente uma espécie de "borramento" dos limites nas relações, principalmente entre pais e filhos, o que, na sua opinião, gera uma confusão de papéis e funções, ocasionando uma desorientação ética e moral. A psicóloga pondera que em gerações passadas também havia conflitos e contradições, porém havia o que define como uma "ordem instalada, um status quo estabelecido" contra o qual o jovem se rebelava, adotando uma ideologia que lhe proporcionava uma identidade mais definida, ao contrário de hoje.

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fonte Revista Ensino Superior

1 de fevereiro de 2010

Ser professor: uma escolha de poucos

Pesquisa com estudantes do Ensino Médio comprova a baixa atratividade da docência

Nos últimos anos, tornou-se comum a noção de que cada vez menos jovens querem ser professores. Faltava dimensionar com mais clareza a extensão do problema. Um estudo encomendado pela Fundação Victor Civita (FVC) à Fundação Carlos Chagas (FCC) traz dados concretos e preocupantes: apenas 2% dos estudantes do Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular graduações diretamente relacionadas à atuação em sala de aula - Pedagogia ou alguma licenciatura.



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fonte: Revista Nova Escola