Páginas

13 de janeiro de 2010

TEORIA E PRÁTICA DA AUTONOMIA

por José Pacheco, Revista Pátio, nº 52

O Brasil da educação é um alfobre de excelentes exemplos de projetos de mudança. Não farei o seu inventário porque, com certeza, as "escolas invisíveis" serão referidas neste número da Pátio. Creio ser oportuno falar-vos dos riscos da inovação e da necessidade de reconhecer que, por detrás de uma boa prática, há sempre uma boa... teoria. Desde meados da década de 1980, a Escola da Ponte tem sido inspiração para muitos professores e escolas que não desistem de fazer dos seus alunos seres mais sábios e pessoas mais felizes. Mas uma preocupação me assalta: por vezes, vejo reeditadas práticas da Ponte sem que os autores da mudança reflitam sobre o porquê da adoção. Chamo a atenção desses professores para a necessidade de dar resposta a necessidades locais, respostas específicas a problemas específicos, que não serão, certamente, aqueles que a Ponte defrontou. Nada se repete, e os projetos não devem ser clonados. Falo-lhes também dos nossos esforços de pesquisa motivados por problemas que resolvemos e avaliamos com apoio na teoria. Chamo a atenção dos que ousam mudar as suas práticas para uma realidade incontornável: nenhuma mudança poderá prescindir dos contributos da teoria. Por essa razão, evocarei uma das matrizes teóricas que influenciaram as práticas da Escola da Ponte. Uma delas − e não a única − porque a Ponte recebeu influências de múltiplas propostas teóricas.

Ao longo de mais de 30 anos de projeto, comprendemos que os processos de aprendizagem não deverão estar centrados no professor nem no aluno, que tudo passa pela relação. Instituímos múltiplos mediadores. E na gênese de muitos dos dispositivos que asseguram que a Ponte seja um espaço e tempo de relação - a Comissão de Ajuda, a Caixa dos Segredos, o Professor-Tutor e outros - está a vertente psicanalítica em educação. Exponho algumas das reflexões produzidas na equipa de projeto. São argumentos de recusa de práticas "tradicionais" e críticas de excessos. Completo com sugestões de leitura de autores cujos contributos serviram à fundamentação de práticas instituídas com vista ao desenvolvimento da autonomia dos nosso alunos.

para ler artigo completo, clique aqui

Nenhum comentário: