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5 de janeiro de 2010

A Sociedade do Emprego

Começamos um novo ano. E o primeiro post do Depois da Aula será com um artigo meu publicado no Jornal O Popular no dia 22 de Dezembro de 2009.

A atual sociedade passou nas últimas décadas por mudanças intensas na sua configuração. As economias se internacionalizam, debates políticos extrapolam os limites geográficos, as informações circulam numa velocidade impensável em tempos passados. Problemas que antes preocupavam o homem foram amenizados ou até mesmo extintos e as relações humanas se tornaram cada vez mais intermediadas pelas mídias digitais.

O entendimento hoje da contemporaneidade perpassa por níveis de complexidade jamais vistos, alterando a forma de ser e agir das pessoas e das instituições. Muitas fórmulas utilizadas no passado já não servem mais, o que aumenta a busca por respostas e alternativas, e acima de tudo o refletir e o pensar se tornam palavras-chave .

Paralelamente os indivíduos sofrem cada vez mais exigências, como maior responsabilidade, disposição de correr riscos, inovação constante, flexibilidade frente às novas formas de viver e encarar a vida, resistência ao desânimo e às frustrações e uma capacidade enorme de antever e preparar o futuro através do seu presente, embasado nos conhecimentos gerados no passado.

Enfim a sociedade não é a mesma, e as pessoas não podem se portar como outrora. Estabelecem-se as necessárias mudanças, atualizações e aperfeiçoamento dos indivíduos e nos deparamos com novas exigências da sociedade, entre elas a de se tornar uma “pessoa empregável”. O mercado cobra que as “máquinas de trabalhar”, profissionais que agem mecanicamente repetindo suas tarefas sem reflexão da ação, sejam substituídas por “seres pensantes”, sujeitos capazes de atuar ativamente e refletidamente sobre a sua ação.

A mudança no mundo contemporâneo implica transformações significativas no mercado de trabalho, visivelmente percebidas no novo desenho laboral, nas relações de emprego, nos requisitos exigidos aos trabalhadores, no desaparecimento e no surgimento de profissões e na densidade de conhecimento que cada área exige.

O mercado de trabalho exige mais. Assim a qualificação constante passa de uma opção para ser uma necessidade primária para transitar neste “novo mundo” e adquirir a condição de empregabilidade. É preciso um novo perfil de trabalhador, requalificado e que saiba postar-se diante de um mundo mais complexo e dinâmico, que não perdoa o comodismo e a inoperância. Qualificação passa a ser palavra de ordem, e “possuir qualificação” passa a condição essencial para todos aqueles que desejam ser empregáveis.

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