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10 de dezembro de 2009

Quer uma escola segura? Abra a porta

07/12/2009 - JORNAL DO BRASIL

Dirigi duas grandes pesquisas para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) há alguns anos atrás. A violência nas escolas foi um dos temas em investigação.

Os dois bancos de dados nos empurravam para a mesma conclusão; qual a escola que menos sofria com problemas de violência, de qualquer tipo? A escola que estava mais aberta para a comunidade.

Qual a escola que sofria mais com problemas de violência? A escola que optava por se trancafiar entre grades e correntes nas portas.

Quer uma escola segura? Quer reduzir os índices de violência dentro da escola? Abra as portas da escola para a comunidade. Tão simples, tão fácil de entender que até envergonha, ninguém agride a sua própria casa, qualquer um agride um corpo estranho que se instala na comunidade como um carrapato.

Quando a escola se insere na comunidade, quando é considerada por todos ali como parte dela, quando os velhinhos vão para lá jogar um carteado, quando mães e pais a utilizam para festividades do bairro, quem irá até lá para uma agressão, pichação, enfim para qualquer tipo de violência? Ao contrario, quando a escola se fecha, trancafia-se, transmite uma mensagem sem ambiguidade, esta escola desconfia da comunidade, não quer seus membros por perto, todos são culpados até prova em contrario. Claro, será objeto de violência, mera devolução da agressão que provocou na comunidade.

Aqui, ocorre com clareza didática a profecia que se auto-realiza, providencias para evitar a violência provocam o que estavam querendo evitar, quem quiser se proteger da comunidade sofrerá suas agressões, quem se irmanar com ela será por ela protegida. Nenhuma novidade, armas insuflam a violência, principalmente quando são criadas para proteger qualquer um contra ela, porque seria diferente nas escolas?

Quando a escola se fecha, transmite a mensagem que desconfia da comunidade.


por, Wanderley Codo, PROFESSOR DE PSICOLOGIA SOCIAL DA UNB

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