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9 de outubro de 2009

Pesquisa "Professores do Brasil: impasses e desafios

Apesar dos professores constituírem um dos grupos ocupacionais mais numerosos do país e serem peças de vital importância econômica, social e política para o Brasil ainda são tratados com enorme descaso e insignificância. Não obstante, a carreira e os salários que recebem na escola básica não são atraentes nem recompensadores e a sua formação está longe de atender as suas necessidades de atuação.

Estas e outras reflexões são levantadas por um estudo da UNESCO no Brasil lançado na 32ª Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), em Caxambu (MG).

Um estudo inédito sobre a situação dos professores brasileiros, Professores do Brasil: impasses e desafios” é a pesquisa mais abrangente sobre a condição docente já feita no país, envolvendo diferentes abordagens tais como as condições de trabalho, a formação inicial e continuada, a carreira e a remuneração.

"O objetivo deste estudo foi o de prover um balanço da situação relativa à formação, carreira e salário dos professores da educação básica no Brasil e situá-lo em um quadro mais amplo de referências que possibilite sinalizar perspectivas de superação dos muitos desafios encontrados, com vistas à melhoria da qualidade da educação e à valorização da profissão docente. " [Resumo Executivo da pesquisa]

Veja algumas constatações da pesquisa:

- O poder público é responsável por 83% dos empregos do magistério. Destes, 77,6% estão na educação básica. O número de professores e o volume de recursos que mobilizam por parte do Estado mostram a sua importância econômica para a nação, o que tem óbvios desdobramentos em termos do financiamento do setor educacional.

- As mulheres ocupam 77% dos postos de trabalho, o que tem também óbvias implicações de gênero, nem sempre devidamente aprofundadas nos estudos da área de educação. Sua presença varia segundo os níveis de escolaridade e a proporção delas aumenta gradativamente nos níveis mais baixos de escolarização. Na educação infantil (EI)98%; ensino fundamental (EF) 88,3%; ensino médio (EM) 67% - (PNAD, 2006).

- A proporção dos docentes com apenas um trabalho na educação infantil é de 88,4%; no ensino fundamental, 82%; no ensino médio, 75%. A jornada média de trabalho docente é de 30 horas semanais.

- O salário inicial do professor tem, no geral, tem sido baixo, quando comparado a outras profissões que exigem formação superior. Isso pesa sobre as características de procura desse trabalho, assim como sobre o ingresso e permanência na profissão.

- A condição de remuneração de professores no Brasil é muito desigual, tanto nos diferentes níveis de ensino, como conforme a região e a dependência administrativa. Há regiões em que ela tem sido sistematicamente muito baixa, como no nordeste, mas, onde também a oferta de empregos é mais escassa; em estados e municípios economicamente mais desenvolvidos, os salários são um pouco melhores, mas não são nada competitivos no contexto de opções e desestimulantes diante do custo de vida.

- De acordo com a PNAD 2006, a média salarial dos docentes da educação básica é de R$927,00, mas a mediana, ou seja, o ponto em que 50% dos professores recebem abaixo desse valor, é R$720,00.

- Apenas poucos ganham acima de R$2000,00 e no nordeste, 60% ganham menos do que R$530,00.


Informações:
Professores do Brasil: impasses e desafios
Coordenadoras: Gatti, Bernadete A.; Barretto, Elba siqueira de Sá
Brasília: UNESCO, 2009. 293 p.
Download gratuito (PDF, 1.7 Mb)

Site da Unesco

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