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29 de outubro de 2009

Exageros a parte...

Brasília, 15 de outubro de 2268.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República do Brasil,

Erradicamos a pobreza e muitas doenças. A distribuição de renda prima pela eqüidade, o que permitiu o decréscimo da violência. Revertemos o efeito estufa e o aquecimento global não mais ameaça a existência dos seres vivos. Nossas indústrias são ecotecnológicas. A expectativa de vida é alta e a taxa de mortalidade quase inexistente.

Condições de trabalho satisfatórias e a medicina preventiva têm feito as pessoas adiarem a aposentadoria, desafogando o sistema de previdência. Um judiciário eficiente acabou com a corrupção.

Contudo, a Educação de nossas crianças e jovens preocupa. Desde a implantação do sistema educacional robótico, mediado por computadores, percebemos que os estudantes estão perdendo a capacidade de compreensão do todo, tornando-se incapazes de pensar por si mesmos.

Todo o sistema é previsível: para um problema de Química, apertar o botão Q36; para um fato histórico, aperta-se o H43; para Redação, o código 53, que, seguido do gênero, traz um texto pronto. Matemática já não é mais um problema, como foi para os nossos antepassados: o programa Hackermats num só clique resolve qualquer desafio. Viajar? Bastam simuladores.

Acredito que, se acontecer dos nossos supergeradores entrarem em pane, nossa sociedade será destruída, pois quem conseguiria sobreviver sem os botões da vida ultramoderna?

Soube de uma antiga classe chamada professores, especialistas em fazer pessoas pensarem de forma autônoma, um grupo dos ofícios já extintos, desenvolvidos pelos grandes mestres, que envolvia processos complexos, de dimensões técnicas, éticas e estéticas, entre outras. Tiveram grandes conflitos: às vezes eram considerados sacerdotes e salvadores e em outras, grandes vilões. Trabalhavam em condições precárias e exigia-se deles o uso dos recursos mais modernos. Eram exaltados e ao mesmo tempo enxovalhados. Quando lhes tiraram a autonomia intelectual, não resistiram e pereceram.

Peço, Vossa Excelência, que resgatemos esses profissionais para não morrermos num mar perigoso disfarçado de calmaria. Compreendemos agora, a duras penas, que uma sociedade se faz com uma juventude crítica e quem pode construí-la é um profissional insubstituível chamado professor.

Atenciosamente,
Sócrates de Paulo Freire
Ministro da Educação


Este texto foi escrito pela professora Vera Lúcia dos Santos, que leciona na EMEF Professor José Bento de Assis, em São Paulo, para turmas de 6ª série, e foi a vencedora do concurso Era uma Vez - Especial Dia do Professor, promovido pelo site de NOVA ESCOLA (www.novaescola.org.br). Publicado na edição 216 da revista.

26 de outubro de 2009

A docência sobre pressão

Contribuições de leitores do Depois da Aula.

Este texto foi escrito pela Profa. Maíra Braga, Pedagoga, Coordenadora e Professora da Rede Municipal de Educação de Goiânia/Goiás.
email: maira_b_adorno@gmail.com

O sistema educacional brasileiro, nos últimos vinte anos, transformou-se significativamente. Acentuou-se o desgaste da imagem social do ensino e dos professores, sobretudo, pela crescente escolarização das crianças e jovens em idade escolar.

O ensino deixou de ser meramente elitista e se massificou, provocando o aumento quantitativo de alunos, bem como de problemas relacionados à qualidade da educação formal.A sociedade nesse sentido, deixa de acreditar na educação como promessa de um futuro melhor, e, consequentemente, os educadores passam a enfrentar a profissão com atitude de renúncia, que se desenvolve paralelamente à degradação de sua imagem social.

Os professores sujeitam-se a determinadas situações de mudança que os obrigam, em muitos casos, a realizar mal o seu trabalho, tendo inclusive, de suportar críticas generalizadas da sociedade, que os consideram muitas vezes, responsáveis diretos pelos problemas enfrentados pelo sistema educacional.

Os profissionais da educação estão mais sujeitos a terem transtornos psíquicos que outros grupos de profissionais, sobretudo pelas más condições de trabalho em que estão submetidos (excesso de tarefas a serem cumpridas, pressão por qualificação constante e obrigatória, falta de apoio institucional, entre outros aspectos), de acordo com a pesquisa coordenada por Wanderley Codo e Yône Vasques-Menezes (Universidade de Brasília), publicada no livro, Educação: carinho e trabalho. Os pesquisadores chegaram à conclusão que, quase 50% dos professores brasileiros possuem indícios de estresse ou depressão, sendo que muitos desistem da atuação em sala-de-aula.O atual contexto sócio-econômico provocou nas últimas décadas, consideráveis mudanças no âmbito educacional no que tange à profissão docente. Sabe-se que entre as conseqüências que marcam o sistema capitalista, globalizado e neoliberal ao mundo do trabalho, a mais relevante relaciona-se à eliminação e substituição dos direitos e conquistas históricas dos trabalhadores.

Tais conseqüências aliadas às transformações educacionais geraram nos profissionais da educação várias doenças de cunho trabalhista, tais como: depressão, stress, ansiedade, fadiga. Sendo que a junção de tais doenças leva ao que se denomina Síndrome de Burnout, ou seja, a exaustão causada pelo trabalho e a conseqüente desistência docente.

Transferiu-se ao educador a responsabilidade de cobrir as falhas existentes na instituição educacional. O profissional, portanto, sobrecarrega-se de funções, exercendo além do magistério, práticas de atualização e preparação constantes, bem como a realização de tarefas fora da sala de aula, estendendo a jornada de trabalho.Cada vez mais tem se discutido a respeito das condições de trabalho em que os professores estão submetidos.

Sabe-se da precariedade de todo o sistema educacional, no sentido da falta de materiais didáticos e de apoio para os docentes, bem como a indisciplina em sala de aula, perpassando pela má remuneração em que estão sujeitos.Toda essa problemática, gera no educador um sentimento de impotência e desistência diante da profissão.

Nesta perspectiva, a Síndrome de Burnout, em um sentido mais amplo, seria a desistência no trabalho, e em uma tradução mais literal, queimar-se por inteiro, consumir-se.A síndrome é produzida pelas condições de vida e trabalho neste início de século. Globalização, urbanização acelerada, despersonalização nas relações humanas, dificuldades na elaboração de projetos políticos capazes de amenizar o problema...

Esta é a sociedade que sustenta burnout.Ao referir-se à síndrome, é válido ressaltar que podem ser associados à desistência no trabalho três fatores que são independentes entre si: a despersonalização, a exaustão emocional e o baixo envolvimento pessoal no trabalho.A despersonalização seria o desenvolvimento de atitudes negativas às pessoas destinatárias do trabalho, sobretudo, usuários e clientes, bem como o endurecimento afetivo e a 'coisificação' da relação. A exaustão emocional refere-se à situação em que os trabalhadores percebem que não podem dar mais de si mesmos afetivamente. Esgotam-se os recursos emocionais próprios devido ao contato permanente com problemas.

E, finalmente, a falta de envolvimento pessoal que tende a um processo negativo no trabalho, afetando a habilidade para realização do trabalho e/ou com as pessoas usuárias do trabalho.No âmbito educacional, o professor se sente totalmente exaurido emocionalmente, em razão do desgaste diário e permanente ao qual é submetido, sobretudo, no relacionamento com seus alunos, que muitas vezes é conflitante.

Nesse sentido, é válido repensar as condições de trabalho do educador, valorizando sua profissão e estabelecer medidas preventivas que auxiliem o docente em sua prática cotidiana, no sentido de melhorar a qualidade do ensino. Assim, todos saem ganhando: sociedade, educação e, principalmente, o professor.

24 de outubro de 2009

Que tipo de professor você é? ou Será?

Que tal fazer este "divertido teste" e descobrir que tipo de professor você é, ou será?

Mas muita calma, não leve o resultado a sério, isso não é ciência. Porém serve como um bom ponto de partida para uma boa reflexão... Divirtam-se!


1. No início do ano, só de olhar para os alunos, você já consegue identificar aqueles que vão e aqueles que não vão passar. ( )

2. Na sua classe você impõe respeito: já avisou que vai reprovar todos os bagunceiros.( )

3. Para você, avaliar não é só fazer provas, mas acompanhar diariamente o desempenho dos alunos e tomar as providências necessárias para aperfeiçoá-lo. ( )

4. Você faz questão de elaborar provas bem difíceis. Todo mundo sabe que um professor, para ser levado a sério, tem que reprovar pelo menos a metade da classe.( )

5. Mesmo que o aluno apresente um trabalho ruim, você coloca “muito bem!” do lado, para não desanimá-lo. ( )

6. Você corrige os cadernos todos os dias. Quando os alunos não conseguem terminar os exercícios a tempo, você escreve no caderno deles: “lição incompleta”. ( )

7. Seus alunos sabem até onde precisam chegar e em que aspectos serão avaliados. ( )

8. Seus alunos não aprenderam nem o mínimo, mas, como você tem pena, vai dar um “empurrãozinho” neles. ( )

9. Os pais dos alunos não reclamam quando você reprova os filhos deles. Você já explicou que, repetindo de ano, eles vão conseguir aprender mais. ( )

10. Ao avaliar seus alunos, você também avalia o seu próprio desempenho como professor. ( )


Clique aqui e confira o resultado.

22 de outubro de 2009

Perfil do Professor

Este vídeo discute no programa Salto para o Futuro o significado do perfil do professor, com a participação do educador Antonio Nóvoa.


20 de outubro de 2009

III Encontro Estadual de Didática e Práticas de Ensino

Mais uma vez o Depois da Aula divulga aqui o III Encontro Estadual de Didática e Práticas de Ensino - EDIPE, que acontece de 21 a 24 de Outubro deste ano, na cidade de Anápolios/Goiás. O EDIPE é promovido e organizado pela UEG - UFG - UCG - UniEVANGÉLICA.

Um evento importante no debate para educadores de todas as áreas do conhecimento.

Para acessar a programação do evento clique aqui.



19 de outubro de 2009

Nem tudo são flores!

Professores maltratados abandonam salas de aula
Baixos salários, violência e falta de estrutura são os principais motivos de abandono.

Reportagem do Programa Hoje em Dia da Rede Record mostra situação degradante de professores da rede pública do Rio de Janeiro.

16 de outubro de 2009

Histórias de Professor

Vi estes vídeos criados pela TV Escola em homenagem ao Dia do Professor e achei eles bem estimulantes. É que na educação escolar ficamos tão emergidos na nossa rotina, nos nossos dilemas e desafios que muitas vezes nos esquecemos do tão importante que somos.

Porém vale 2 alertas aqui:
1. Não defendo que professor é uma "missão", "devoção" ou coisa do tipo... Professor é uma profissão!
2. Não estou aqui pregando a superação pelo amor, ou coisa do tipo... Professor precisa de bons salários e condições de trabalho decentes!

Mas e você professor teria uma história bonita como estas abaixo para contar? Acredito que todos temos... Aproveitem os vídeos.











13 de outubro de 2009

“O entendimento de que a escola seja o único espaço educativo é um equívoco grave”

Roberto da Silva, é professor de uma das maiores universidades do mundo - USP. Mas, para atingir este estágio profissional, ele brigou com o destino para dar a volta por cima. Depois de viver por 15 anos na Febem, saiu pela porta da frente e acabou caindo na criminalidade, até ser enclausurado na Casa de Detenção, no Carandiru, em São Paulo.

Fez supletivo e ingressou na faculdade de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Com o diploma universitário, retornou para a capital paulista, onde acrescentou a seu currículo uma pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP) que resultou no livro "Os Filhos do Governo", publicado pela Editora Ática.

Casado e pai de dois filhos, é Fundador e presidente da História do Presente - Organização Paulista para Ações de Cidadania e um dos grandes defensores da Pedagogia Social no Brasil ele gentilmente deu esta entrevista para o Depois da Aula onde fala da Pedagogia Social, dos desafios para a escola e para o professor no atual contexto social.


Depois da Aula:O que impulsionou um ex.detento, ex Febem a escolher a vida acadêmica? O que o fortaleceu para prosseguir sua carreira, já que as possibilidades de estudar eram escassas.
Prof. Roberto da Silva: Aos 14 anos, quando trabalhava no juizado de Menores descobri meu próprio processo e na leitura dele constatei que o Estado e seus agentes tinham sobre mim e minha família todas as informações e, não obstante isso, não a utilizavam a nosso favor. Pelo contrário, usaram-na para nos separar, gerando a todos muita dor e sofrimento. Com esta experiência descobri que tudo que precisava saber sobre mim estaria em algum arquivo público, processo, prontuário, laudo ou parecer. Estudar estes documentos e depois organizar as informações para reverter situações desfavoráveis foi a motivação que me levou ao caminho do estudo, da pesquisa e depois à academia.

O senhor é um dos que lutam para implantar a Pedagogia Social no Brasil, fale-nos um pouco sobre esse projeto e explique-nos melhor sobre ele.
Pedagogia Social é a fundamentação teórica e metodológica da Educação Social. A primeira é desconhecida no Brasil, mas fazemos a segunda de boa qualidade. Pedagogia Social enquanto teoria geral da Educação Social existe ha mais de 70 anos no mundo e agora a estamos usando para resgatar o valor e o significado político, social, cultural e histórico das práticas de educação popular, social e comunitária há muito desenvolvidas no Brasil, hoje pejorativamente denominadas Educação não formal. Queremos o reconhecimento da Educação Social como profissão e que as instituições de ensino assumam a responsabilidade de formar o Educador Social e o Pedagogo Social no Brasil. São cerca de 4,5 milhões de educadores sem formação pedagógica, sem carreira profissional, sem garantias trabalhistas e que trabalham em movimentos sociais, ONGs e projetos sociais de forma muito precária.

O senhor defende que todos os espaços públicos e relações sociais deveriam cumprir funções pedagógicas. No entanto podemos afirmar que ao contrário disso, estaríamos vivenciando hoje uma exacerbada responsabilização da escola como espaço educativo?
O entendimento de que a escola seja o único espaço educativo é um equívoco grave e a excessiva transferência de responsabilidades da família para ela criou um descompasso entre o que sejam os objetivos da Educação Escolar e os objetivos da Educação Social. Além disso, o poder público atribui à escola exercer funções nas áreas da cultura, esporte, lazer e saúde por não investir nestas políticas setoriais. Ou retira-se da escola pública brasileira as funções sociais historicamente atribuídas a ela ou então é preciso um profissional de novo perfil, pois os cursos de formação de professores não conseguem capacitar o futuro professor a, simultaneamente, trabalhar a função didático pedagógica e a função social. Este novo profissional, insisto eu, é o Educador Social ou o Pedagogo Social.

Mas a escola pode fazer a diferença na vida de uma criança? Como? E o que tem faltado a ela para que realmente efetive seu papel educativo na sociedade?
A escola tem suprido a criança daquilo que a família não pode oferecer e cada vez mais incorpora funções de natureza social em detrimento de suas funções didático pedagógicas, isso parece irreversível no Brasil. Propostas como creche e escola em tempo integral colocam em choque o Direito à Educação e o Direito à convivência familiar e comunitária. A atribuição de maiores responsabilidades educativas aos professores e à escola resultam em maior descrédito em relação aos pais e à família quanto à capacidade de educar seus próprios filhos.

E A formação de professores consegue contemplar toda a diversidade social que envolve a escola?
Definitivamente não. E no ponto em que chegamos não sei se os cursos de formação de professores deveriam assumir isso como mais uma tarefa. Eu prefiro que a Pedagogia Social seja o campo de formação do novo profissional de que a escola necessita. Assim teríamos Pedagogia Escolar e Pedagogia Social trabalhando para fortalecer a Educação Escolar e a Educação Social e pedagogos escolares se pedagogos sociais trabalhando de forma complementar, articulada e integrada dentro da mesma unidade escolar.

Para encerrar, gostaria que o senhor citasse os desafios e as dificuldades do professor na atual sociedade.
Os desafios maiores para quem é professor hoje é trabalhar dentro de um universo onde os valores são tão heterogêneos quanto à diversidade de pessoas. Não há modelos a serem seguidos, não há padrões que sejam consensuais, as verdades são todas relativas e o que move cada pessoa é a sua própria vontade. A inexistência de um projeto coletivo que estabeleça rumos para a formação coloca em constantes dúvidas o professor quanto ao acerto do que ele está fazendo, pois o trabalho é feito de forma fragmentada, sem uma percepção do todo, do conjunto, do tipo de homem ou mulher que se quer formar. As questões salariais, as condições de trabalho, a indisciplina dos alunos e a desvalorização do trabalho do professor e da escola, creio eu, apenas agravam esta angústia existencial, fazendo com que muitos professores passem rapidamente do entusiasmo juvenil à frustração profissional.

12 de outubro de 2009

Sugestões de aulas

O Portal do Professor, um projeto do Ministério da Educação disponibiliza atividades e projetos de aulas sugeridas por outros professores em uma proposta colaborativa onde as mesmas podem ser omentadas, classificadas ou editadas e publicadas como novas sugestões. Nesse momento, há 1810 sugestões de aulas disponíveis. São aulas de todos os níveis e modalidades de ensino.

Vale a pena conferir esta dica e "turbinar" ainda mais o trabalho em sala de aula.


Clique aqui e visite o Portal do Professor.

9 de outubro de 2009

Pesquisa "Professores do Brasil: impasses e desafios

Apesar dos professores constituírem um dos grupos ocupacionais mais numerosos do país e serem peças de vital importância econômica, social e política para o Brasil ainda são tratados com enorme descaso e insignificância. Não obstante, a carreira e os salários que recebem na escola básica não são atraentes nem recompensadores e a sua formação está longe de atender as suas necessidades de atuação.

Estas e outras reflexões são levantadas por um estudo da UNESCO no Brasil lançado na 32ª Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), em Caxambu (MG).

Um estudo inédito sobre a situação dos professores brasileiros, Professores do Brasil: impasses e desafios” é a pesquisa mais abrangente sobre a condição docente já feita no país, envolvendo diferentes abordagens tais como as condições de trabalho, a formação inicial e continuada, a carreira e a remuneração.

"O objetivo deste estudo foi o de prover um balanço da situação relativa à formação, carreira e salário dos professores da educação básica no Brasil e situá-lo em um quadro mais amplo de referências que possibilite sinalizar perspectivas de superação dos muitos desafios encontrados, com vistas à melhoria da qualidade da educação e à valorização da profissão docente. " [Resumo Executivo da pesquisa]

Veja algumas constatações da pesquisa:

- O poder público é responsável por 83% dos empregos do magistério. Destes, 77,6% estão na educação básica. O número de professores e o volume de recursos que mobilizam por parte do Estado mostram a sua importância econômica para a nação, o que tem óbvios desdobramentos em termos do financiamento do setor educacional.

- As mulheres ocupam 77% dos postos de trabalho, o que tem também óbvias implicações de gênero, nem sempre devidamente aprofundadas nos estudos da área de educação. Sua presença varia segundo os níveis de escolaridade e a proporção delas aumenta gradativamente nos níveis mais baixos de escolarização. Na educação infantil (EI)98%; ensino fundamental (EF) 88,3%; ensino médio (EM) 67% - (PNAD, 2006).

- A proporção dos docentes com apenas um trabalho na educação infantil é de 88,4%; no ensino fundamental, 82%; no ensino médio, 75%. A jornada média de trabalho docente é de 30 horas semanais.

- O salário inicial do professor tem, no geral, tem sido baixo, quando comparado a outras profissões que exigem formação superior. Isso pesa sobre as características de procura desse trabalho, assim como sobre o ingresso e permanência na profissão.

- A condição de remuneração de professores no Brasil é muito desigual, tanto nos diferentes níveis de ensino, como conforme a região e a dependência administrativa. Há regiões em que ela tem sido sistematicamente muito baixa, como no nordeste, mas, onde também a oferta de empregos é mais escassa; em estados e municípios economicamente mais desenvolvidos, os salários são um pouco melhores, mas não são nada competitivos no contexto de opções e desestimulantes diante do custo de vida.

- De acordo com a PNAD 2006, a média salarial dos docentes da educação básica é de R$927,00, mas a mediana, ou seja, o ponto em que 50% dos professores recebem abaixo desse valor, é R$720,00.

- Apenas poucos ganham acima de R$2000,00 e no nordeste, 60% ganham menos do que R$530,00.


Informações:
Professores do Brasil: impasses e desafios
Coordenadoras: Gatti, Bernadete A.; Barretto, Elba siqueira de Sá
Brasília: UNESCO, 2009. 293 p.
Download gratuito (PDF, 1.7 Mb)

Site da Unesco

7 de outubro de 2009

O ser professor...

Numa entrevista dada em 2007 para um programa local de Itajubá, o educador Rubem Alves responde a pergunta "O que é ser professor?".

Provocante, estimulante e reflexiva...



5 de outubro de 2009

Professores deixaram de ser humanos e passam a ser considerados objetos?

Compartilho com vocês um belo texto escrito por um amigo o prof. Adriano de Melo, publicado originalmente no site da Universidade Estadual de Goiás foi gentilmente cedido e autorizado por ele para ser postado aqui no Depois da Aula.


CAPITALISMO, UNIVERSIDADE GERENCIADA E A ATOMIZAÇÃO DAS RELAÇÕES HUMANAS
por Adriano de Melo Ferreira*

Além das conseqüências materiais palpáveis e visíveis do novo modelo produtivo capitalista (acumulação flexível), há outra consequência que, devido a sua capacidade de se imiscuir na vida das pessoas e se naturalizar nos discursos, considero a pior de todas. Ao migrar de um modelo fordista, onde a lógica era “um trabalhador para uma tarefa”, para o atual modelo de acumulação onde se prega a flexibilidade e adaptabilidade quase que na velocidade da luz (um trabalhador para várias tarefas, o mais rápido possível), o capitalismo fragmentou e tornou o trabalho mais efêmero, com destaque para o trabalho subcontratado, parcial e temporário. E, essa nova polissemia do trabalho está pulverizando algo que, por dar significado à história das pessoas, era até então um importante referencial de identidade do trabalhador: o sentimento de pertença a um coletivo. Seja este a família, um grupo de amigos ou uma categoria de trabalhadores. Em seu lugar, o capitalismo globalizado criou uma nova forma de relação que Castells (2007) intitulou de “indivíduos em concorrência”. Concorrendo sempre e se reciclando para competir - segundo Marilena Chauí (2003) isso não pode ser chamado de educação - os trabalhadores acabam não se apercebendo desse distanciamento da coletividade, a qual é muito importante para o reconhecimento social do próprio grupo social a que pertencem, mas que negam. E quando se dão conta, muitos adoecem por não suportarem as pressões exigidas pelo novo modelo ou por perceberem que ajudaram a naturalizar esse distanciamento e até o estimularam.

Hoje, clamar por uma união de categoria, pra fazer valer direitos sociais e trabalhistas, é correr o risco de ser chamado de “marxista fracassado” ou “esquerdista chato” (como se exigir o respeito que todo cidadão trabalhador merece, dependesse de pertencer a essa ou aquela ideologia política). E como afirma Antunes (2005), essa nova polissemia do trabalho já não afeta apenas os trabalhadores braçais, mas também os trabalhadores intelectuais. No Brasil, com a reforma do aparelho de Estado esboçada no governo Collor e regulamentada e executada a partir do governo FHC, essa consequência já se faz presente no ambiente das universidades brasileiras.

No atual âmbito do Ensino Superior brasileiro, em que a educação foi transformada em mercadoria e a ciência reduzida a ferramenta para fomentar a competitividade, um triste cenário foi construído. Um contexto onde discursos como “formar para o mercado de trabalho”, “formar para competir”, “interação universidade-empresa”, “publique ou pereça” etc., tornaram-se falas fáceis e aceitáveis. E nesse cenário de uma universidade gerenciada, uma personagem destaca-se para além do valor da universidade como local de formação: o “gestor de pessoas”. Sob a perspectiva dessa personagem, que atribui estratégias e metas de produção a cumprir, já não é de se assustar que coordenadores, diretores de departamento e outros tipos de “gestores de pessoas” se sintam quase que na “sagrada obrigação” de punir professores e outros trabalhadores, como forma de dar exemplo aos demais. É o famoso “pegar alguém pra Cristo”.

Assim, nós professores deixamos de ser humanos e passamos a ser considerados objetos que podem ser manejados e remanejados para aumentar a produtividade e a capacidade de competir (nem que seja apenas quantitativamente, porque qualidade é outra coisa). Como bem observado por Chauí (2003), a Universidade deixou de ser pensada como instituição social para ser vista como organização social, com todas as terríveis consequências que hoje presenciamos na qualidade do ensino, da pesquisa e da interação universidade/sociedade. Nas palavras dessa autora (2003, p.7), a universidade “definida e estruturada por normas e padrões inteiramente alheios ao conhecimento e à formação intelectual, está pulverizada em microorganizações que ocupam seus docentes e curvam seus estudantes a exigências exteriores ao trabalho intelectual”.

Logo, não é apenas materialmente e financeiramente que a educação superior está sendo desmantelada, mas também intelectualmente. Ao seguir o modelo anglo-saxônico de universidade gerencial, caminhamos para o que Freitag, citado por Chauí (2003), considera o naufrágio da universidade. E, todas essas mudanças são consideradas supostamente necessárias para que uma nação possa competir mais e se destacar no cenário mundial dos grandes blocos econômicos como MERCOSUL, OCDE, União Européia, etc. Entretanto, como afirma Fonseca (2005), esse discurso de uma educação mais competitiva esquece (ou quer que esqueçamos) que o próprio sistema capitalista nasceu pra ser assimétrico. É natural que haja perdedores e vencedores sempre. “Todos” não podem vencer ao mesmo tempo. Como diria uma música do cantor maranhense, Zeca Baleiro, “pobre de quem não é cacique, nem nunca vai ser pajé”.

Ter essa visão geral do cenário, com suas contradições e consequências, ajuda e muito. Mas, precisamos fazer mais que isso, pois como afirmam Bourdieu & Passeron (2008, p. 89), “nada é mais adequado para servir à autoridade da instituição e do arbitrário cultural servido pela instituição do que a adesão mágica do mestre e do aluno à ilusão de uma autoridade (...). Assim, penso que além de nós professores nos unirmos e começarmos a questionar essa lógica imposta como verdade inquestionável, outra possibilidade de mudança está na figura dos estudantes. Bem esclarecidos e conscientizados (daí a contribuição dos professores), eles são importantes protagonistas na tentativa de ruptura desse paradigma da competitividade que ora paira como uma sombra funesta sobre nossas universidades. Mas, sem os esclarecimentos adequados, esses estudantes acabam sendo cooptados por esse ciclo vicioso de “produzir/competir/negar-o-outro/produzir”, disputando entre si bolsas de iniciação científica, classificando-se e classificando aos outros, como competentes ou não (uma pena não existirem bolsas para iniciação à cidadania e à solidariedade, bolsas para o engajamento e o compromisso social etc.). E assim, procurando acumular capital cultural específico do campo científico, acabam por sua vez, se tornando novas engrenagens da máquina produtiva do capital, perpetuando o modelo.

Concluindo, essa é a contradição que desafia a Universidade e, portanto, nós professores: Como convencer nossos alunos da importância de serem éticos, coletivos, responsáveis e que tenham uma visão interdisciplinar, se em nossos “castelinhos do saber”, nos isolamos uns dos outros, vigiando e nos punindo, para assim nos mostrarmos competentes? Acho que para isso, os “gestores de pessoas” não têm as respostas certas e nem devemos esperar que eles tenham pois algo bem pior pode advir disso. Façamos a nossa parte!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANTUNES, Ricardo. 2005. O caracol e sua concha – ensaios sobre a nova morfologia do trabalho. São Paulo: Boitempo Editorial. 135 p.
BOURDIEU, Pierre & PASSERON, Jean-Claude. 2008. A reprodução – Elementos para uma teoria do sistema de ensino. Petrópolis: Editora Vozes. 275 p.
ASTELLS, Manuel. 2007. Sociedade em Rede, Vol. 1- A era da informação. São Paulo: Paz e Terra. 698 p.
CHAUÍ, Marilena. A universidade pública sob nova perspectiva. Rev. Bras. Educ., 2003, n. 24, p. 05-15.
FONSECA, Marília. Sociedade do Conhecimento e os novos desafios educacionais. Texto apresentado no Congresso Internacional de Educação e trabalho, Universidade de Aveiro, Portugal, Maio de 2005.
MORIN, EDGAR. 2003. Introdução ao Pensamento Complexo. Coleção Epistemologia e Sociedade, vol. 2. Lisboa: Instituto Piaget. 177 p.


Adriano de Melo Ferreira é doutorando em Educação pela Universidade Federal de Goiás e professor dos cursos de licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e da Universidade Católica de Goiás (UCG). Email:adrianoplants@yahoo.com.br

3 de outubro de 2009

Como tudo funciona

Uma dica de um site muito interessante - O HowStuffWorks, ou melhor ComoTudoFunciona.

"O HowStuffWorks é o melhor lugar para descobrir como as coisas funcionam. Fundado em 1998 por Marshall Brain, professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte, o site tem crescido continuamente. Sua importância é reconhecida pelo público e pelos meios de comunicação, o que é atestado pelos diversos prêmios recebidos pelo site.

De motores de carros a ferramentas de busca, de telefones celulares a células de energia, milhares de assuntos são explicados pelo HowStuffWorks. Nenhum tópico é grande ou pequeno demais para ser destrinchado pela nossa equipe...ou para você entender. Além dos textos de fácil compreensão, os artigos do HowStuffWorks usam infográficos e animações para analisar cada tópico de maneira clara, simples e objetiva."

Você sabe por que os alunos presenteavam os professores com maçãs? Clique aqui e descubra estas e outras histórias curiosas...

1 de outubro de 2009

Documentário sobre Paulo Freire

Em outubro comemoramos o Dia do Professor e como não poderia deixar passar em branco esta data, estarei neste mês promovendo um conteúdo especial no Depois da Aula. Serão dicas, entrevistas especiais, sugestões de estudo e muita informação dedicada aos mestre... com muito carinho!


E pra começar o grande professor, um referencial de educador e um grande exemplo para todos aqueles que atuam nas salas de aula por todo o planeta - Paulo Freire.


Clique aqui e assista um lindo vídeodocumentário sobre Paulo Freire. Meu caros é simplesmente emocionante, imperdível...

"O movimento das idéias, do pensamento, da palavra e da ação de Paulo Freire. A fala dos que souberam ouvir e trabalhar suas teses, aumentar em muitos outros tamanhos suas pedagogias. O vídeo vai retratar o cenário do surgimento da concepção freireana para a educação popular, as experiências de seu método de alfabetização no Brasil e no mundo, a partir da realidade de Angicos/RN, a primeira grande experiência que projetou Freire no Brasil e no mundo."

Você também pode fazer o download do vídeo, clique aqui.