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22 de setembro de 2009

Uma revolução pela Educação

Apesar de ser baiano e de ter passado 21 anos da minha pertinho da Chapada Diamantina não tinha até então lido ou ouvido algo sobre o Instituto Chapada. Felizmente vou poder corrigir esta falha e a partir de uma noticia de 2007 quero apresentar a vocês este lindo projeto que está criando uma "revolução educacional" no sertão da bahia.

Revolução no ensino muda paisagem da Chapada Diamantina
O direito de a criança da zona rural de ter as mesmas oportunidades de aprendizado que os alunos dos centros urbanos, as mesmas possibilidades de acesso ao “maravilhoso mundo do conhecimento” é a maior reivindicação de Cybele Amado de Oliveira. Baiana de Salvador, Cybele começa a se tornar conhecida como a principal responsável por uma das maiores transformações já registradas no Brasil. Uma verdadeira revolução que começou em uma pequena vila da Chapada Diamantina, se amplia gradativamente para os municípios vizinhos e já atinge mais de cinco mil professores e mais de 100 mil alunos do ensino fundamental de 30 municípios da região.

A partir de seu trabalho como professora de português, iniciado em 1997 em uma pequena sala de aula no Vale do Capão, Cybele mobilizou alunos e professores, uniu sociedade civil, empresas e poder público e demonstrou como a mobilização pode transformar a realidade. Em apenas dois anos, a evasão escolar diminuiu em 70% e a repetência em 80%. Em 2004, a alfabetização ao fim da primeira série aumentara de 33% para 77,6%. O Projeto Chapada começou a ganhar visibilidade, a recebeu pedidos de adesão de um número cada vez maior de municípios e começou a se espalhar em uma rede que hoje inclui mais de 1.200 escolas.

A maravilha do conhecimento
Ao chegar ao Vale do Capão, Cybele encontrou um cenário semelhante ao de outras cidades do interior do Brasil: nas escolas com instalações precárias, os professores não se comunicavam entre si e o conteúdo das aulas, sem nenhuma relação com a realidade, era totalmente sem sentido. As crianças, “muitas delas com problemas graves de aprendizado, não dominavam a escrita, trocavam as letras e não conseguiam organizar um texto”. Começou, então, a promover reuniões mensais em que os professores discutiam suas práticas na sala de aula e tudo começou a mudar: tarefas como ditados e cópias ou separar as sílabas das palavras foram substituídas por análises de textos sobre situações do dia-a-dia. Nas aulas de matemática, os alunos foram estimulados a resolver os problemas em duplas ou em grupo e a expor os seus raciocínios. E os desenhos já prontos para serem coloridos foram substituídos por folhas de papel em branco, para que a imaginação dos alunos as enchessem de formas e cores.

Quando os alunos das escolas da Chapada começaram a se interessar por literatura e a fazer poesia, a notícia se espalhou. O apoio do programa Crer para Ver, da Natura e da Fundação Abrinq, permitiu a ampliação do projeto e sua consolidação, em 2004, quando foi tema de um fórum e candidatos a prefeitos de 12 municípios assinaram um pacto se comprometendo a assegurar a sua continuidade. As reuniões mensais iniciadas por Cybele já haviam se tornado, então, um programa de formação continuada articulada ao contexto de trabalho, como ela define a sua metodologia. O esforço pela melhoria da educação, organizado em um projeto elaborado pelos próprios habitantes da região, uniu todos os setores da comunidade e, fato raríssimo no Brasil, levou o poder público a atuar de forma suprapartidária.

O trabalho de Cybele também está fazendo com que diminua o fosso que separa as crianças da cidade daquelas da zona rural. E assim, pelo menos nessa região localizada no centro do estado da Bahia, está mais próximo da concretização o seu objetivo de fazer com que seja assegurado aos meninos e meninas do campo o direito a tudo que se pode aprender. Cybele salienta, entretanto, que ainda há muito que se avançar no Brasil.

- Há grupos para os quais as crianças da zona rural devem aprender apenas as quatro operações. Outros acham que nas escolas, deve-se abordar apenas temas ligados à realidade local. Mas a realidade dessas crianças, pelo menos em nossa região, é muito cruel, não tem nada de romântico – comenta Cybele, acrescentando:

- Não se trata de trazer a cultura da cidade para o campo, trata-se apenas do conhecimento de tudo o que é maravilhoso aprender. Mas ainda a muito a ser feito no Brasil. Agora mesmo, por exemplo, o governo vai promover a Prova Brasil, mas ela não inclui as crianças da zona rural. Não é que seja partidária desse tipo de avaliação, mas o que o governo quer dizer a alunos e professores com essa exclusão?

Cybele, entretanto, recupera o otimismo quando constata as mudanças provocadas pelo Projeto Chapada, como o que viu em uma de suas últimas visitas à sede do projeto;

- Outro dia, no Capão, um pedreiro fazia um conserto na sede do projeto e o filho dele estava ajudando na obra. Quando saí, na hora do almoço, o menino, de 16 anos, estava descansando do trabalho lendo “O Mundo de Sofia”. Fiquei emocionada e pensei: é isso que queremos – ele pode se tornar um construtor de casa, quem sabe até o melhor construtor de casas do mundo, mas em suas horas de folga ele pode também ler “O Mundo de Sofia”.

fonte: Boletim @shoka


Saiba mais sobre o Instituto Chapada - www.institutochapada.org.br

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