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13 de setembro de 2009

“A Máquina está a serviço de quem?”

Fico cada vez mais impressionado com a atualidade do pensamento de Paulo Freire. Um exemplo disso é um texto dele publicado em 1984 para a Revista Bits onde ele aborda a questão da ação humana que pauta o uso das máquinas numa época onde Internet era ainda algo muito distante da realidade dos brasileiros.

“A Máquina está a serviço de quem?”
Em primeiro lugar, faço questão enorme de ser um homem de meu tempo e não um homem exilado dele, o que vale dizer que não tenho nada contra as máquinas. De um lado, elas resultam e de outro estimulam o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, que, por sua vez, são criações humanas. O avanço da ciência e da tecnologia não é tarefa de demônios, mas sim a expressão da criatividade humana. Por isso mesmo, as recebo da melhor forma possível. Para mim, a questão que se coloca é: a serviço de quem as máquinas e a tecnologia avançada estão? Quero saber a favor de quem, ou contra quem as máquinas estão postas em uso. Então, por aí,observamos o seguinte: Não é a informática que pode responder. Uma pergunta política, que envolve uma direção ideológica, tem de ser respondida politicamente. Para mim os computadores são um negócio extraordinário. O problema é saber a serviço de quem eles entram na escola. Será que vai se continuar dizendo aos educandos que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil? Que a revolução de 64 salvou o país? Salvou de que, contra que, contra quem? Estas coisas é que acho que são fundamentais.

Fonte: http://dl.dropbox.com/u/1766828/maquinasPF.pdf

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