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29 de setembro de 2009

A força da Internet

Na semana que passou o Jornal da Record apresentou uma série de reportagens chamada "A força da Internet". Evidente que a série foi criada para divulgar o portal de notícias da Record (R7.com), contudo as reportagens nos trazem reflexões interessantes, pertinentes e necessárias.

Na edição do dia 23/09, por exemplo, podemos ver pessoas do sertão nordestino, das periferias de São Paulo e da África do Sul carentes dos serviços sociais básicos, porém tendo um pequeno alento trazido pelas ondas da Internet.

Não quero aqui transformar a Internet num "deus" da democratização e salvador da humanidade. Quero que o exemplo mostrado na reportagem, no caso da Internet, nos faça pensar sobre a necessidade deste nosso país ser pensado para todos. Saúde, moradia, segurança, EDUCAÇÃO para todos, isso sim é o ideal.

Pensemos mais sobre isso...


Abaixo a reportagem do Jornal da Record, edição de 23/09/2009, série A Força da Internet.


27 de setembro de 2009

"Ensino da Gramática deve aproveitar fatos vivos"


Por Sírio Possenti
Terra Magazine


Passei a semana anotando "curiosidades" para esta e, eventualmente, para futuras colunas. É impressionante como se encontram fatos que mostram que a língua viva não é igual à da escola, à das gramáticas, mas, principalmente, não é igual à dos manuais que dão a seus leitores dicas para não errar mais. Esta parece mais um cadáver do que um "organismo", embora esta metáfora seja às vezes invocada.

Ao lado das formas que produzem (volto a elas, leitor), eventualmente os articulistas ou locutores decidem opinar sobre determinada estrutura, um nome ou uma sigla. O comentário revela, em geral, uma espécie de doutrina sobre como uma língua é ou deveria ser (mais clara, sem ambiguidades etc).

Por exemplo: Joelmir Betting, âncora de um jornal da TV, comentava números da economia, entre os quais o IPCA, sigla que ele traduziu vagarosamente: Índice de Preços ao Consumidor Ampliado. E acrescentou, irônico, "ampliado é o índice, não o consumidor". E emendou que a sigla poderia ser mudada para IAPC. Dava esta sugestão aos economistas do governo.

Às vezes, os professores ou as autoridades educacionais têm dúvidas sobre ensinar gramática ou não, e, se sim, de que maneira. Minhas sugestões, nos últimos tempos, têm sido no sentido de "aproveitar" fatos vivos. Por exemplo, há cerca de dois anos tornou-se quase popular a palavra "descatracalização", porque apareceu num vestibular da USP. Teria sido uma boa ocasião para mostrar (discutir) numa aula - para alunos de qualquer idade - como as palavras se formam. Ao vivo! Não para dizer que é uma palavra bacana ou horrível (isso é um problema de gosto), mas para mostrar sua estrutura. O mesmo se pode fazer com os ditos estrangeirismos e neologismos, também eles exigindo que se separem as questões "políticas" das estruturais. Pois bem: o caso do IPCA é um bom caso, dá uma boa aula.

"Indice de Preços ao Consumidor Ampliado" é uma estrutura que deve ser considerada assim (simplifico um pouco):

((Indice de Preços ao Consumidor) Ampliado), em que ampliado se "aplica" ao sintagma que o antecede como um todo; mas, como seu núcleo é "índice", "ampliado" se aplica principalmente a esta palavra. Um teste? Suponhamos que o C da sigla significasse "consumidores", no plural: "ampliado" continuaria no singular, porque se aplica a "índice".

Portanto, não se lê assim:

(Indice de Preços ao (Consumidor (Ampliado))), que seria a estrutura, se "ampliado" se aplicasse a "consumidor".

A mudança sugerida pelo jornalista produziria uma estrutura sem possibilidade de equívoco. A porção que interessa destacar teria a forma que abaixo está em negrito, que deixa mais claro que "ampliado" se aplica só à palavra "índice".

(Indice (Ampliado)) de Preços ao Consumidor

Disse acima que uma aula sobre a formação de palavras como "descatracalização" pode funcionar para alunos de qualquer idade. Pois uma aula sobre IPCA ou IAPC também. Mas é claro que a melhor época para esse aula é quando os alunos estiverem estudando expressões com parênteses e colchetes em matemática. Lá eles aprendem que, por exemplo, uma coisa é (2 x 2) + 4 e outra é 2 x (2+4).

A análise da estrutura de IPCA é da mesma natureza: mostra a hierarquia entre os elementos do sintagma, assim como a expressão matemática a mostra entre os números. E o resultado é diferente.

Uma aula assim não deveria ter como objetivo "ensinar o que é certo". Teria dois outros: mostrar as entranhas da língua, como ela se organiza, como é mesmo sua sintaxe! E mostrar que, uma sequência organizada assim ou assado produz efeitos, sentidos, que não são os mesmos.

Depois, com o tempo, o aluno escolhe as estruturas que prefere. Para ser humorista, por exemplo, ele deve preferir as formas que têm duplo sentido, um deles mais ou menos inesperado.

A sugestão de Joelmir indica que ele preferiria (mas não se pode ter certeza de que estivesse falando sério...) uma sigla que não permitisse nem de longe uma leitura ambígua.

Mas, se fosse assim, ele teria perdido um interessante comentário...

25 de setembro de 2009

"Juventude SMS " e o desabafo de um leitor...

Com certeza quando o Depois da Aula consegue suscitar reflexões e debates me sinto realizado. Esta semana um colaborador e leitor deste site nos enviou um "desabafo" motivado pelo post A arte esquecida da caligrafia. Disponibilizo abaixo o email enviado, e devidamente autorizado, por ele .


"Ao ler esse artigo, que por sinal achei muito bom, me lembrei que semana repassada estava em casa descansando um pouco a cabeça... Minhas indagações começaram no momento em que eu estava todo feliz em casa, assistindo tv (não me lembro qual, só sei que é de um canal pago) e de repente vejo um comercial que fiquei pasmo... Uma competição de digitação de texto sms. Sim, o "cara" que digitasse a mensagem em texto mais rápido ganha a competição (detalhe: é uma competição internacional) com premiações extraordinárias.... claro, patrocinada por uma empresa (também internacional) de celulares...

Fiquei indignado porque certamente os participantes da competição serão de jovens, jovens esses que muitas vezes mal sabem fazer uma simples redação... Sim, porque no curso de capacitação ao mercado de trabalho que ministro aqui na instituição que trabalho, adolescentes com vulnerabilidade sócio-econômica, que estão cursando entre 9º e 3º ano não sabiam fazer uma redação simples, com introdução, desenvolvimento e conclusão.... E o que minha indignação tem a ver com o tema do artigo? Tudo, pois a maioria desses adolescentes que trabalho não fizeram na escola a tal caligrafia... Volto a perguntar, porque a caligrafia está esquecida? Esse é meu simples manifesto de indignação...

Abraços e até mais..."

Veja abaixo o comercial citado:

24 de setembro de 2009

Prêmio Professores do Brasil recebe inscrições até o dia 30

Professores das três etapas da educação básica – educação infantil e ensinos fundamental e médio - têm prazo até o dia 30 deste mês para contar suas experiências e concorrer ao Prêmio Professores do Brasil 2009. Até esta segunda-feira, 21, o Ministério da Educação recebeu 1.057 inscrições.

Para concorrer, os professores devem relatar projetos desenvolvidos ou em desenvolvimento, na sala de aula, de estímulo à permanência dos estudantes na escola, de fortalecimento das atividades coletivas e de melhoria do desempenho das escolas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

No conjunto, o Prêmio Professores do Brasil vai distribuir R$ 200 mil para as 40 melhores experiências, o que significa R$ 5 mil em dinheiro para o professor; e R$ 80 mil em equipamentos audiovisuais ou multimídia para as escolas que desenvolveram os projetos premiados. Além do reconhecimento, os vencedores participarão de um seminário promovido pelo Ministério da Educação, em Brasília, para apresentar os trabalhos e receberão troféu e certificado.

Para facilitar a inscrição, a Secretaria de Educação Básica criou um hotsite (minipágina eletrônica) onde professores e escolas encontram todas as informações, o formulário e um manual passo a passo. Depois de inscrito o projeto, o professor envia, pelos Correios, a comprovação da experiência, com fotos, vídeos ou ilustrações.

O Prêmio Professores do Brasil é realizado pelo MEC, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), União Nacional dos dirigentes Municipais de Educação (Undime), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). As fundações Bunge e SM e os institutos Pró-Livro e Votorantim são os patrocinadores.

Ionice Lorenzoni, para o site do MEC

22 de setembro de 2009

Uma revolução pela Educação

Apesar de ser baiano e de ter passado 21 anos da minha pertinho da Chapada Diamantina não tinha até então lido ou ouvido algo sobre o Instituto Chapada. Felizmente vou poder corrigir esta falha e a partir de uma noticia de 2007 quero apresentar a vocês este lindo projeto que está criando uma "revolução educacional" no sertão da bahia.

Revolução no ensino muda paisagem da Chapada Diamantina
O direito de a criança da zona rural de ter as mesmas oportunidades de aprendizado que os alunos dos centros urbanos, as mesmas possibilidades de acesso ao “maravilhoso mundo do conhecimento” é a maior reivindicação de Cybele Amado de Oliveira. Baiana de Salvador, Cybele começa a se tornar conhecida como a principal responsável por uma das maiores transformações já registradas no Brasil. Uma verdadeira revolução que começou em uma pequena vila da Chapada Diamantina, se amplia gradativamente para os municípios vizinhos e já atinge mais de cinco mil professores e mais de 100 mil alunos do ensino fundamental de 30 municípios da região.

A partir de seu trabalho como professora de português, iniciado em 1997 em uma pequena sala de aula no Vale do Capão, Cybele mobilizou alunos e professores, uniu sociedade civil, empresas e poder público e demonstrou como a mobilização pode transformar a realidade. Em apenas dois anos, a evasão escolar diminuiu em 70% e a repetência em 80%. Em 2004, a alfabetização ao fim da primeira série aumentara de 33% para 77,6%. O Projeto Chapada começou a ganhar visibilidade, a recebeu pedidos de adesão de um número cada vez maior de municípios e começou a se espalhar em uma rede que hoje inclui mais de 1.200 escolas.

A maravilha do conhecimento
Ao chegar ao Vale do Capão, Cybele encontrou um cenário semelhante ao de outras cidades do interior do Brasil: nas escolas com instalações precárias, os professores não se comunicavam entre si e o conteúdo das aulas, sem nenhuma relação com a realidade, era totalmente sem sentido. As crianças, “muitas delas com problemas graves de aprendizado, não dominavam a escrita, trocavam as letras e não conseguiam organizar um texto”. Começou, então, a promover reuniões mensais em que os professores discutiam suas práticas na sala de aula e tudo começou a mudar: tarefas como ditados e cópias ou separar as sílabas das palavras foram substituídas por análises de textos sobre situações do dia-a-dia. Nas aulas de matemática, os alunos foram estimulados a resolver os problemas em duplas ou em grupo e a expor os seus raciocínios. E os desenhos já prontos para serem coloridos foram substituídos por folhas de papel em branco, para que a imaginação dos alunos as enchessem de formas e cores.

Quando os alunos das escolas da Chapada começaram a se interessar por literatura e a fazer poesia, a notícia se espalhou. O apoio do programa Crer para Ver, da Natura e da Fundação Abrinq, permitiu a ampliação do projeto e sua consolidação, em 2004, quando foi tema de um fórum e candidatos a prefeitos de 12 municípios assinaram um pacto se comprometendo a assegurar a sua continuidade. As reuniões mensais iniciadas por Cybele já haviam se tornado, então, um programa de formação continuada articulada ao contexto de trabalho, como ela define a sua metodologia. O esforço pela melhoria da educação, organizado em um projeto elaborado pelos próprios habitantes da região, uniu todos os setores da comunidade e, fato raríssimo no Brasil, levou o poder público a atuar de forma suprapartidária.

O trabalho de Cybele também está fazendo com que diminua o fosso que separa as crianças da cidade daquelas da zona rural. E assim, pelo menos nessa região localizada no centro do estado da Bahia, está mais próximo da concretização o seu objetivo de fazer com que seja assegurado aos meninos e meninas do campo o direito a tudo que se pode aprender. Cybele salienta, entretanto, que ainda há muito que se avançar no Brasil.

- Há grupos para os quais as crianças da zona rural devem aprender apenas as quatro operações. Outros acham que nas escolas, deve-se abordar apenas temas ligados à realidade local. Mas a realidade dessas crianças, pelo menos em nossa região, é muito cruel, não tem nada de romântico – comenta Cybele, acrescentando:

- Não se trata de trazer a cultura da cidade para o campo, trata-se apenas do conhecimento de tudo o que é maravilhoso aprender. Mas ainda a muito a ser feito no Brasil. Agora mesmo, por exemplo, o governo vai promover a Prova Brasil, mas ela não inclui as crianças da zona rural. Não é que seja partidária desse tipo de avaliação, mas o que o governo quer dizer a alunos e professores com essa exclusão?

Cybele, entretanto, recupera o otimismo quando constata as mudanças provocadas pelo Projeto Chapada, como o que viu em uma de suas últimas visitas à sede do projeto;

- Outro dia, no Capão, um pedreiro fazia um conserto na sede do projeto e o filho dele estava ajudando na obra. Quando saí, na hora do almoço, o menino, de 16 anos, estava descansando do trabalho lendo “O Mundo de Sofia”. Fiquei emocionada e pensei: é isso que queremos – ele pode se tornar um construtor de casa, quem sabe até o melhor construtor de casas do mundo, mas em suas horas de folga ele pode também ler “O Mundo de Sofia”.

fonte: Boletim @shoka


Saiba mais sobre o Instituto Chapada - www.institutochapada.org.br

20 de setembro de 2009

Docência é...

Contribuições de leitores do Depois da Aula.

Este texto foi escrito e enviado por Welton Paulo R. de Siqueira, Educador e Coordenador de Aprendizagem da ISJB/CESAM-GO, é Administrador e Especialista em Educação Social.
email: wprs82@hotmail.com



Docência é...

Docência é amor,
Docência é angústia,
Docência é querer,
Docência é aprender para ensinar,
Docência é multiplicar por 100,
Docência é somar, somar e somar.

Docência não é profissão,
É um estilo de vida.
A docência lapida o tesouro,
Mostra os vastos caminhos
Mostra as pedras, os desafios,
E você, descobre como enfrentá-los.

A docência é o leite condensado,
É o mousse de maracujá
Mas também é a beterraba,
Os brócolis e a vitamina A

Docência às vezes não está no palco da vida,
Mas dificilmente sem ela há espetáculo.

Welton Paulo

18 de setembro de 2009

Alunos com necessidades educacionais especiais (NEEs): avaliar para o desenvolvimento pleno de suas capacidades

Um dos maiores desafios da escola é identificar e desenvolver as capacidades de alunos com Necessidades Educacionais Especiais (NEEs). A avaliação educacional diagnostica permite conhecer melhor esses aprendizes, identificando suas NEEs, motivações, hábitos, conhecimentos, níveis de autoestima, facilidades ou dificuldades em determinadas áreas do saber ou do fazer. A avaliação da aprendizagem também pode contribuir ativamente nesse sentido, de modo a incentivar esse aluno a aprender e a se desenvolver. A forma tradicional de avaliar não considera seus limites e potencialidades, colaborando para que fique retido por não aprender, o que é injustificado, incoerente e inconstitucional. Embora a avaliação diagnostica tenha apresentado significativa evolução na Educação Especial, progredindo da visão clínico-médica para a concepção de inclusão educacional e social, ainda persistem dificuldades na elaboração de instrumentos para uma avaliação da aprendizagem capaz de contribuir para o crescimento e a autonomia desses alunos. Este trabalho, por meio de uma revisão da literatura especializada, intenciona refletir sobre a contribuição da avaliação educacional, nas áreas do diagnóstico e da aprendizagem, para o desenvolvimento pleno desse alunado. Leia artigo completo


FERNANDES, Tereza Liduina Grigório; VIANA, Tania Vicente
Est. Aval. Educ., São Paulo, v. 20, n. 43, maio/ago. 2009

17 de setembro de 2009

Que se cumpra a lei - Piso Salarial dos professores

A Lei do Piso Salarial dos Professores foi aprovada pelo congresso, sancionada pelo presidente Lula e até agora nossos governantes insistem nesse canalhismo - Que se cumpra a Lei!
Representantes de sindicatos de trabalhadores em educação de praticamente todo o país reuniram-se ontem, quarta-feira (16), no auditório do Senado, para debater a situação salarial da categoria.

Concentração pelo Piso lota auditório do Senado

Professores pedem reconhecimento do piso nacional durante protesto em frente ao STF

16 de setembro de 2009

Informação ao alcance de todos

Quer ter acesso a obra completa de Machado de Assis? Ou do grande autor inglês Shakespeare em português? Quer ver vídeos com o grande mestre Paulo Freire destrinchando sua obra? Ou acessar teses, dissertações e artigos sobre Educação?

Poesias de Fernando Pessoa, Obras em português de Literatura Infantil, Vídeos didáticos produzidos pela TV Escola, clássicos da literatura e da ciência mundial... Tudo está disponível através do Portal Domínio Público, uma biblioteca digital da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação do Brasil,com mais 20 mil títulos em seu acervo de textos, vídeos, som e imagens. O acervo é constituído por obras de domínio público ou devidamente cedidas pelos titulares dos direitos autorais.

Vale a pena conhecer melhor este projeto - Portal Domínio Público

13 de setembro de 2009

“A Máquina está a serviço de quem?”

Fico cada vez mais impressionado com a atualidade do pensamento de Paulo Freire. Um exemplo disso é um texto dele publicado em 1984 para a Revista Bits onde ele aborda a questão da ação humana que pauta o uso das máquinas numa época onde Internet era ainda algo muito distante da realidade dos brasileiros.

“A Máquina está a serviço de quem?”
Em primeiro lugar, faço questão enorme de ser um homem de meu tempo e não um homem exilado dele, o que vale dizer que não tenho nada contra as máquinas. De um lado, elas resultam e de outro estimulam o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, que, por sua vez, são criações humanas. O avanço da ciência e da tecnologia não é tarefa de demônios, mas sim a expressão da criatividade humana. Por isso mesmo, as recebo da melhor forma possível. Para mim, a questão que se coloca é: a serviço de quem as máquinas e a tecnologia avançada estão? Quero saber a favor de quem, ou contra quem as máquinas estão postas em uso. Então, por aí,observamos o seguinte: Não é a informática que pode responder. Uma pergunta política, que envolve uma direção ideológica, tem de ser respondida politicamente. Para mim os computadores são um negócio extraordinário. O problema é saber a serviço de quem eles entram na escola. Será que vai se continuar dizendo aos educandos que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil? Que a revolução de 64 salvou o país? Salvou de que, contra que, contra quem? Estas coisas é que acho que são fundamentais.

Fonte: http://dl.dropbox.com/u/1766828/maquinasPF.pdf

11 de setembro de 2009

Pesquisa internacional aponta dados curiosos sobre a educação no Brasil

Education at a glance (Panorama da Educação), uma pesquisa internacional anual divulgada esta semana, apontam dados interessantes sobre a educação no Brasil e no mundo. A Education at a glance é produzida pelo Ines (Indicadores dos Sistemas Educacionais), uma instância da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) responsável pela construção de indicadores educacionais comparáveis internacionalmente, bem como pela elaboração de estudos técnicos, pesquisas e levantamentos para a análise das dimensões da constituição de indicadores.

A pesquisa traz análises sobre o perfil educacional da população adulta dos países participantes, impacto da educação no mercado de trabalho, benefícios econômicos da educação, atendimento escolar nas redes púbica e privada em cada país , relação aluno/professor e tamanho das turmas, além de informações sobre gastos em educação. Participam do estudo os membros da OCDE e aqueles associados à organização, num grupo que inclui, além do Brasil, países como Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Coréia do Sul, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Japão, Chile e México.

Veja abaixo algumas informações acerca do Brasil trazidas pela pesquisa:

- No Brasil, mais de 60% da população de 25 a 64 anos não concluiu o Ensino Médio;
- Para os que concluíram o Ensino Superior, as taxas de emprego são de 91% para os homens e 82% para as mulheres.
- A renda aumenta substancialmente com a conclusão do nível médio de ensino e nível superior, tanto nos países mais ricos do mundo quanto no Brasil. Na maioria dos países os ganhos excedem 50% para os que concluem a educação superior - no Brasil, esse aumento excede os 100%.
- O tamanho das turmas no País é de aproximadamente 29 alunos por turma no Ensino Fundamental.
- Entre os professores participantes da pesquisa,os do Brasil são os que gastam menos tempo em atividades de ensino e aprendizagem (70%) e os que mais consomem tempo de aula na manutenção da ordem na classe (18%).


Clique aqui e veja outros destaques do Brasil na publicação.

A publicação Education at a Glance 2009, assim como o sumário executivo, os dados e as tabelas on-line podem ser obtidos por meio de download gratuito no site www.oecd.org/edu/eag2009

9 de setembro de 2009

A arte esquecida da caligrafia

Umberto Eco
Do The New York Times


Recentemente, dois jornalistas italianos escreveram um artigo de jornal em três páginas (portanto, impresso) sobre o declínio da caligrafia.

A esta altura já se sabe: A maioria das crianças - com o uso dos computadores e mensagens de texto via celular - não sabe mais escrever à mão, a não ser em suadas letras maiúsculas.

Um professor disse em uma entrevista que os alunos também cometem inúmeros erros de ortografia, o que revela um outro problema: Médicos sabem ortografia, mas escrevem mal; e até o mais experiente calígrafo pode escrever "concerto" em vez de "conserto".

E conheço crianças cuja caligrafia é muito boa. Mas o artigo fala de 50% de crianças italianas - então, eu acho que, graças a um destino indulgente, eu me encaixo nos outros 50% (o que casualmente ocorre comigo na política também).

A tragédia começou muito antes da chegada do computador e do telefone celular.

A caligrafia dos meus pais era um tanto angulosa pela maneira com que o papel era apoiado, e suas cartas eram, pelo menos para os padrões de hoje, pequenas obras de arte.

Na época, algumas pessoas diziam - provavelmente as que tinham letra feia - que a arte da caligrafia era para os tolos. É óbvio que uma boa caligrafia não pressupõe necessariamente inteligência. Mas era muito prazeroso ler anotações e documentos escritos da forma mais tradicional.

A minha geração foi ensinada a ter boa caligrafia, e passávamos os primeiros meses da escola primária aprendo o contorno das letras. O exercício foi depois considerado fútil e repressivo, mas ensinou-nos a manter nossos pulsos firmes na hora de usar a caneta e a escrever as letras firmes e espessas de um lado e precisas de outro. Bem, nem sempre - por causa das canetas-tinteiro, cuja tinta encharcava nossas mesas, cadernos, dedos e roupas, e que deixava uma mancha na caneta que levava 10 minutos de contorcionismo para conseguir remover.

A crise começou com o advento da caneta esferográfica. As primeiras esferográficas também faziam sujeira, e logo depois de escrever, se você passasse o dedo pelas últimas palavras, criaria um borrão. E as pessoas não sentiam mais interesse em escrever bonito com uma esferográfica, mesmo as melhores, porque acharam que a escrita perdia a alma, o estilo e a personalidade.

Por que deveríamos nos envergonhar de passar a boa caligrafia adiante? A capacidade de escrever bem e rapidamente em um teclado encoraja o pensamento rápido e, muitas vezes (mas nem sempre), o corretor ortográfico sublinha os erros.

Apesar de os telefones celulares terem ensinado às gerações mais jovens a escrever "Onde tá VC?" em vez de "Onde está você?", não esqueçamos que nossos ancestrais ficariam chocados em saber que escrevemos "farmácia" em vez de "pharmácia" e "ele" em vez de "êle". Os teólogos medievais escreveram "respondeo dicendum quod", o que faria Cícero revirar no túmulo.

A arte da caligrafia nos ensina a controlar nossas mãos e encoraja a coordenação entre a mão e o olho.

O artigo de três páginas aponta que a escrita à mão nos obriga a compor a oração mentalmente antes de escrevê-la. A resistência da caneta no papel realmente nos faz parar para pensar. Muitos escritores, mesmo acostumados a trabalhar em computadores, prefeririam certamente um método de escrita mais lento para que pudessem pensar com mais calma.

A realidade é que os jovens irão escrever em computadores e celulares cada vez mais. Ainda assim, a humanidade aprendeu a redescobrir na forma de esportes e prazeres estéticos, alguns antigos costumes que a civilização eliminou.

As pessoas não viajam mais a cavalo, mas fazem aulas de equitação; mesmo com os iates a motor, muitas pessoas continuam tão devotadas a barcos à vela quanto os fenícios há 3.000 anos; há túneis e estradas de ferro, mas muitos ainda gostam de caminhar ou escalar os Alpes; as pessoas colecionam selos, mesmo na era do e-mail; nossos exércitos vão para a guerra munidos de rifles Kalashnikov, mas também participam de torneios pacíficos de esgrima.

Seria bom se os pais mandassem as crianças para escolas de caligrafia para que eles pudessem participar de competições e torneios - não apenas para adquirir conhecimento sobre a beleza, mas também para o seu desenvolvimento psicomotor. Essas escolas já existem; basta procurá-las na internet. E talvez para aqueles que têm mão firme e não têm emprego fixo, ensinar essa arte pode tornar-se um bom negócio.

Artigo retirado do Terra Magazine

6 de setembro de 2009

Jovens do sertão cearense aprendem em instituto criado por Patativa do Assaré

Patativa do Assaré criou fundação para preservar a cultura popular.Para fazer parte é preciso estar matriculado em uma escola pública.

fonte: G1

Crianças e adolescentes do sertão cearense brincam e aprendem em cursos mantidos por um instituto cultural criado pelo poeta Patativa do Assaré, que morreu há sete anos. É um município de 20 mil habitantes na região sul do Ceará. Em Assaré, a 580 quilômetros de Fortaleza, viveu Antonio Gonçalves da Silva, o Patativa, um homem da terra por nascimento e poeta por vocação.

Patativa do Assaré nem chegou a completar o ensino primário. Era cego de uma vista e com a outra enxergava mal. Mas nada disso o impediu de aprender a ler poesia. Ele escreveu os primeiros versos ainda aos 13 anos.

Patativa do Assaré morreu em julho de 2002 em decorrência de uma pneumonia. A antiga casa de barro onde cresceu foi reformada este ano para as comemorações do seu centenário de nascimento. Atualmente, grupos de estudantes visitam o lugar.

4 de setembro de 2009

Escolhas

Este vídeo traz uma bela mensagem acerca da nossa postura diante das situações que enfrentamos. Uma lição sobre as escolhas que fazemos ou que devemos fazer.

Assista abaixo o vídeo ou se quiser pode baixá-lo aqui (recomendo esta opção)

1 de setembro de 2009

Se a maioria da classe vai bem e alguns não, estes devem receber ajuda pedagógica.

Quando, numa atividade para verificar uma aprendizagem determinada, a maioria dos alunos vai mal, é certo que o professor não está acertando e precisará rever o seu encaminhamento. Se a maioria da classe vai bem e alguns não, estes devem ser atendidos imediatamente através de outras atividades que possibilitem a superação de suas dificuldades.

No momento em que alguns alunos começam a se mostrar perdidos e atrapalhados em relação aos conteúdos trabalhados, a escola que assume responsabilidade com a aprendizagem de todos tem obrigação de criar um sistema de apoio para que esses alunos não se percam pelo caminho. Suas dificuldades precisam ser detectadas rapidamente para que eles sejam apoiados, continuem progredindo e não desenvolvam bloqueios.

Diante de situações que provocam sentimento de impotência, a saúde mental das crianças – das pessoas em geral, na verdade – exige que elas se desinteressem, porque é da condição humana não suportar o fracasso continuado. Portanto, antes que os alunos desistam de aprender o que não estão conseguindo, a escola precisa criar formas de apoio à aprendizagem.

Existem diversas possibilidades de atendê-los: por meio de atividades diferenciadas durante a aula, de trabalho conjunto desses alunos com colegas que possam ajudá-los a avançar, de intervenções pontuais que o professor pode propor. Além dessas, que são propostas realizadas na classe, às vezes vale a pena o encaminhamento dos alunos a espaços escolares alternativos, que acolham alunos com dificuldades momentâneas, exatamente para garantir que elas sejam momentâneas. É quando se deve dispor, na escola, de grupos de apoio pedagógico que se formam exatamente com a finalidade de contribuir para a aprendizagem dos alunos que estão encontrando dificuldades em relação a novos conteúdos ensinados.
As escolas podem elaborar projetos que garantam horários de atendimento desses alunos antes ou depois da aula. Podem definir propostas de parceria com professores substitutos ou estagiários dentro do horário de aula, de tal forma que tenham um cronograma de atendimento das diferentes classes. Podem criar um sistema de apoio que implica reagrupamento das turmas em alguns dias da semana, também dentro do horário de aula. Podem fazer o que considerarem mais conveniente. Só não podem deixar os alunos irem acumulando dificuldades, pois isso impede que a escola cumpra com o seu papel de ensinar.
Importante é que os alunos entrem e saiam dessas atividades de apoio pedagógico na medida de suas necessidades, que não fiquem estigmatizados por participarem delas, que isso seja visto como parte integrante da escolaridade normal de qualquer um. Para tanto, é preciso explicitar muito bem as bases do contrato didático que regem esse trabalho, a fim de que todos os alunos saibam exatamente qual é a sua finalidade, e compreendam que não se destinam aos menos inteligentes.
Quando a escola não assume que o apoio pedagógico é uma responsabilidade sua, os professores e alunos ficam abandonados à própria sorte. Os professores porque nem sempre conseguem encontrar alternativas para garantir a aprendizagem de seus alunos. E estes, por sua vez, porque não conseguem superar suas dificuldades momentâneas de aprender e acabam se transformando em alunos com dificuldades de aprendizagem. Assim, por falta total de possibilidades de alterar este quadro, todos desistem, professores e alunos, e o fracasso escolar se cristaliza e se avoluma.

A tradição brasileira tem sido a de que a escola faz a sua parte e não tem nada a ver com a forma como os alunos resolvem suas dificuldades. Mas essa estranha crença, lentamente, vem se transformando. Torna-se cada vez mais claro que essa postura, entre outras coisas, reforça uma injustiça social muito grande, porque as crianças da classe média, sempre que precisam, recebem ajuda extra-escolar. E as crianças pobres, que compõem a grande maioria da escola pública e dificilmente contam com algum tipo de apoio à aprendizagem fora da escola – em geral, e principalmente, por causa da baixa escolaridade dos seus pais, mas também da falta de condições econômicas –, ficam desamparadas também na escola

Fonte: WEISZ, Telma. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem, 2ed,São Paulo, Ática, 2001