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28 de julho de 2009

Preguiça Intelectual

Divido com vocês um artigo que envie ao jornal O Popular e foi publicado no dia 02 de julho.

Preguiça Intelectual
Costumo receber algumas “pérolas” no meu email e gostaria de dividir as angústias que estes costumam me trazer. Não exagero quando uso a palavra angústia, porque é assim que tenho me sentido com tanta bobagem e tanto absurdo.

Uma vez recebi um texto sobre uma "conspiração" internacional liderada pelos EUA e a Grã-Bretanha para 'privatizar' a Amazônia. De acordo com tal email, que citava reportagens de grandes jornais internacionais, os Norte-Americanos estariam com um projeto internacional que visava mostrar a importância estratégica da Amazônia para todo o planeta e que, portanto requeria uma intervenção internacional para cuidar dos interesses da humanidade. Estamos perdidos!

Sobre a suposta conspiração, a história é velha e bem conhecida. Uma, brincadeira feita por um grupo de brasileiros que criaram um site extremista e inventaram a notícia de que os livros escolares americanos não traziam a área da Região Amazônica como parte do Brasil. No lugar aparecia uma região de controle internacional. Feito por um grupo anônimo, o site promoveu a falsa informação e usou o nome de uma professora do Texas, como se a mensagem partisse dela. Trata-se de Michelle Zwede, do Brazil Center da Universidade do Texas, em Austin. Na verdade ela entrou em contato com os autores do site pedindo provas e acabou tendo o nome dela usado ilegalmente no trote.

Numa outra mostruosidade eletrônica, é noticiado sobre a suposta morte de um pessoa causada pela ingestão de Coca-Cola Light e a bala Mentos. A dita mensagem diz que o tal caso teria ocorrido em conhecido colégio da cidade de São Paulo em abril de 2005. Para dar credibilidade à lenda, mencionam-se um dermatologista que faz parte da lista de dermatologia on line do Instituto Rubem Azulay e um Prof. Doutor do Instituto de Química da USP. Esta história dá até sede não é!

Em tempo o suposto Doutor citado no email não existe na USP e quanto ao Instituto de Dermatologia Prof. Rubem David Azulay, da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro - e não Instituto Rubem Azulay , não fazem menor idéia do ocorrido.

E por fim, pelo menos deste texto, porque as bobagens não param de chegar, tem uma que se tornou um clássico graças à um ilustre senador do Piauí, que teve a capacidade de ler o dito email no plenário. O email tratava de uma fraudulenta ONG chamada "Sociedade Amigos do Plutão", organização que teria sido criada em Brasília para defender o retorno de Plutão à condição de Planeta, segundo o email “a sede da Sociedade dos Amigos de Plutão está registrada na Esplanada dos Ministérios, ainda que sem particularizar qual deles. O presidente da entidade é um ex-líder sindical, filiado à CUT e ao PT, amigo íntimo do presidente Lula. O Diário Oficial publicou a liberação de 7,5 milhões de reais para estimular as primeiras ações da nova ONG. E o Pluto não tem amigo?! Neste caso o que tivemos foi uma paródia do jornalista Carlos Chargas, criticando a proliferação de ONG no Brasil, que foi usada e divulgada como uma verdade factual.

Teorias conspiratórias, descobertas secretas, histórias fantasmagóricas, contos sensacionalista. Diariamente, dezenas são criadas. Enfim, são bobagens disseminadas pela internet que, infelizmente, tem continuidade graças a nossa preguiça intelectual. Recebemos um email, nem ao menos o lemos, muito menos pesquisamos sua integridade e já encaminhamos a todos os nossos contatos. Resultado, mentiras e fantasias espalhadas como verdades absolutas.

Classifico como preguiça intelectual o comodismo e a inoperância cognitiva diante de qualquer atividade que requeira um pensamento mais elaborado, seja na leitura, interpretação ou analise de um texto, imagem ou fato. È aquela pausa de 1 minuto que não fazemos antes de afirmar, perguntar ou repassar qualquer informação.

Evidente que repassar é muito mais fácil e cômodo que verificar, pesquisar e só depois dividir. E para muitos, o simples ato de encaminhar mensagem as livram da responsabilidade sobre a informação enviada. Quanto engano! Quando envio um email sou responsável pela informação que o acompanha, não importa se sou autor ou não. Erro por omissão. Peco pela preguiça.

Sejamos mais investigativos, ou menos preguiçosos. Acreditar de imediato que uma refrigerante light e uma bala de hortelã matam alguém é no mínimo muita ingenuidade. Vamos malhar, o cérebro!

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