Páginas

27 de abril de 2009

O "poder" dos Livros

VALE MAIS QUE UM TROCADO
Rodrigo Ratier (Revista Nova Escola, Edição 221 | Abril 2009)

Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi.

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.
- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.
- Em que ano você está?
- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.


24 de abril de 2009

Paralisação de 24h mobiliza professores

Até as 18h desta sexta-feira, 19 sindicatos afiliados à CNTE (municipais e estaduais) enviaram à Confederação o percentual de adesão à greve nacional realizada no dia 24. Na avaliação do presidente da CNTE Roberto Leão, a categoria atendeu ao chamado da Confederação e mostrou disposição de luta e continuará mobilizada. “ Vamos realizar quantas greves forem necessárias em defesa da implantação do piso salarial do magistério, em vigor desde janeiro de 2009”, reitera.
Na manhã desta sexta-feira (24), mais de cinco mil professores da rede pública do Distrito Federal se reuniram, ao lado da Catedral Metropolitana de Brasília (DF), para decidir os rumos da greve da categoria. A assembleia foi promovida pelo Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), uma das 35 entidades afiliadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) que apoiam a greve nacional de advertência desta sexta-feira.

No Mato Grosso do Sul, 80% das escolas municipais e estaduais também aderiram ao movimento da CNTE e estão sem aula hoje. Em Goiás, a estimativa é de que 60% dos professores municipais e 80% dos estaduais tenham paralisado.

No Paraná, 90% trabalhadores cruzaram os braços. Já no Sergipe e no Ceará, a adesão é de 100% das escolas municipais e estaduais e 70% entre os professores do estado, respectivamente.

Na Bahia, 90% do estado aderiram ao movimento. No Maranhão, 70% das escolas municipais e a totalidade e a totalidade das escolas da rede estadual paralisaram as atividades. Na Paraíba foram 60% da rede municipal e 100% dos professores estaduais. No Piauí, 70 % das escolas do município e 95% das escolas do estado participaram do protesto.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Estadual (SINTE), em Santa Catarina, todas as escolas estaduais não terão aulas nos três períodos (matutino, vespertino e noturno).

No Rio Grande do Sul, os educadores realizaram debates nas escolas e atos públicos regionais. Segundo o Cpers, 80% das redes municipal e estadual paralisaram.

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) também participa da greve convocada pela CNTE. Está prevista uma reunião dos professores, para a tarde de hoje, no pátio da Assembleia Legislativa.

Professores da rede municipal de ensino de Recife se reuniram na manhã de hoje, no pátio da prefeitura, para reivindicar a implementação do piso salarial.

Os trabalhadores em educação de Porto Velho interditaram a BR 364. A manifestação se repetiu nas cidades de Ji-Paraná e Vilhena, também em Rondônia.

O objetivo da paralisação, proposta pela CNTE, é garantir a aplicação da lei do piso salarial nacional do magistério (11.738/08), em vigor desde janeiro deste ano. “Temos que defender o direito dos trabalhadores”, disse o presidente da CNTE, Roberto Leão, durante a assembleia do Sinpro-DF, em Brasília. De acordo com levantamento feito pela entidade, em janeiro, muitos governadores e municípios descumprem a nova lei.

O balanço consolidado deve ser divulgado na segunda-feira (27) pela CNTE.

fonte: CNTE

20 de abril de 2009

A integração dos povos através da música.

Recebi a indicação deste vídeo da colega Silvania e gostaria de compartilhar com vocês. Ele mostra a gravação de Stand By Me feita com artistas amadores de várias partes do planeta. É uma lição de diversidade e originalidade.

Vale a pena conferir.

Playing For Change | Song Around The World "Stand By Me" from Concord Music Group on Vimeo.



caso não consiga visualizar o vídeo clique aqui e vá direto ao site de origem do arquivo.

18 de abril de 2009

A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO SOB A PESPECTIVAS DAS ABORDAGENS DE ENSINO

Partindo de uma analise de MIZUKAMI* , sobre a relação professor e aluno, podemos definir com maior profundidade e abrangência o colapso deste tema. A autora nos mostra como essa relação tem se construído ou até mesmo se “destruído” dentro das diversas concepções teoricas!

Abordagem Tradicional
Esta relação é vertical e o mestre ocupa o centro de todo o processo, cumprindo objetivos selecionados pela escola e pela sociedade. O professor comanda todas as ações da sala de aula e sua postura está intimamente ligada à transmissão de conteúdos. Ao aluno, neste contexto, era reservado o direito de aprender sem qualquer questionamento, através da repetição e automatização de forma racional. (p.14-15)

SAVIANI (1991), referindo-se à relação professor e aluno, na escola tradicional, mostra-nos que o professor: "transmite, segundo uma gradação lógica, o acervo cultural aos alunos. A estes cabe assimilar os conhecimentos que lhes são transmitidos.” (p. 18)
Ainda sob esta perspectiva, o aluno para ter acesso ao conhecimento tinha de passar pelo professor, que era quem mediava à relação. Assim, o professor controlava todas as ações exigindo dos alunos obediência que, por outro lado, era também exigida na empresa ou na indústria. Desta forma, pensar, questionar era coisa do chefe ou do dono da empresa.

Abordagem Comportamentalista
Segundo MIZUKAMI (1986), o professor é um planejador do ensino e da aprendizagem que trabalha no sentido de dar maior produtividade, eficiência e eficácia ao processo, maximizando o desempenho do aluno. O professor, como um analista do processo, procurava criar ambientes favoráveis de forma a aumentar a chance de repetição das respostas aprendidas. (p.31-32)

Segundo SAVIANI (1991), neste contexto: " o elemento principal passa a ser a organização racional dos meios, ocupando o professor e aluno posição secundária, relegados que são a condições de executores de um processo cuja concepção, planejamento, coordenação e controle ficam a cargo de especialistas supostamente habilitados, neutros, objetivos e imparciais."(p. 24)

Abordagem Humanista
Nesta abordagem as qualidades do professor (facilitador) podem ser sintetizadas em autenticidade, compreensão empática - compreensão da conduta do outro a partir do referencial desse outro - e o apreço (aceitação e confiança em relação ao aluno). (p.53)

O professor como facilitador da aprendizagem, aberto às novas experiências, procura compreender, numa relação empática, também os sentimentos e os problemas de seus alunos e tenta levá-los à auto-realização. A responsabilidade da aprendizagem (objetivos) fica também ligada ao aluno, àquilo que é mais significativo para ele, e deve ser facilitada pelo professor. Portanto, o processo de ensino depende da capacidade individual de cada professor, de sua aceitação e compreensão e do relacionamento com seus alunos.

Abordagem Cognitivista
A mesma autora, coloca que o professor atua investigando, pesquisando, orientando e criando ambientes que favoreçam a troca e cooperação. Ele deve criar desequilíbrios e desafios sem nunca oferecer aos alunos a solução pronta. Em sua convivência com alunos, o professor deve observar e analisar o comportamento deles e tratá-los de acordo com suas características peculiares dentro de sua fase de evolução. (p.77-78)

O professor passa a criar o cenário necessário, pensando no estágio de desenvolvimento em que o aluno se encontra, para que o aluno possa explorar o ambiente de forma predominantemente ativa. Neste ponto, o aluno não é um ser que recebe a informação passivamente, ele deverá experimentar racionalmente atividades de classificação, seriação e atividades hipotéticas. Assim, o professor sempre oferecerá ao aluno situações problemas que tragam a eles a necessidade de investigar, pensar, racionalizar a questão e construir uma resposta satisfatória.

Abordagem Sócio-Cultural
MIZUKAMI (1986) afirma que a relação entre o mestre e o aprendiz é horizontal, professor e aluno aprendem juntos em atividades diárias. Neste processo, o professor deverá estar engajado em um trabalho transformador procurando levar o aluno à consciência, desmistificando a ideologia dominante, valorizando a linguagem e a cultura. (p.99)

Nesta abordagem, o diálogo marca a participação dos alunos juntamente com os professores. Os estudantes são partes do processo de aprendizagem que procura enfatizar a cooperação e o trabalho coletivo na resolução dos problemas sociais.


referência bibliográfica
SAVIANI, Dermeval. - Escola e Democracia. São Paulo: Cortez Editora, 25ª edição, 1991.

*MIZUKAMI, Maria. G. N. Ensino: As abordagens do Processo. São Paulo: EPU, 1986

14 de abril de 2009

Entrevista Exclusiva - Pedro Demo

CONTRA O INSTRUCIONISMO
Defensor da pesquisa como fundamento docente fala sobre o instrucionismo preponderante nas escolas brasileiras e sobre o vestibular.

Nas ultimas semanas um debate intenso tem ocorrido no Brasil por conta da proposta do MEC de mudar o atual modelo de seleção para as universidades federais. Instrucionistas, reprodutivos e seletivos socioeconomicamente (não tanto intelectualmente) é assim que o professor Pedro Demo classifica o atual vestibular.

Professor Titular Aposentado da Universidade de Brasília (UnB), PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken(Alemanha) e autor de dezenas de livros entre os quais Educar pela Pesquisa (na 8ª edição), Saber Pensar (6ª edição), ele defende o fim do protagonismo da aula “No Brasil, no entanto, aprender é escutar aula. Um absurdo, tendo em vista que grande das aulas é cópia feita para ser copiada.”.

Confira abaixo a Entrevista EXCLUSIVA concedida gentilmente ao Depois da Aula pelo professor onde ele fala sobre vestibular, salário dos professores e a escola pública no Brasil.

O MEC reascendeu o debate sobre a validade do atual modelo de seleção para o ensino superior - o vestibular. Num artigo, publicado no seu Blog, o sr. faz uma analise sobre esta questão a partir de uma texto da revista Veja do economista Claudio Moura e Castro. No seu o professor diz que “é fundamental superar a história dos vestibulares atuais, cuja defesa não faz sentido". Assim como o sr. vê a proposta do MEC de utilização de um "novo ENEM" como processo seletivo das universidades federais? O vestibular nos moldes atuais atende? Ele avalia o aluno?
Primeiro é importante tentar fazer algo diferente dos atuais vestibulares, muito instrucionistas, reprodutivos e seletivos socioeconomicamente (não tanto intelectualmente). Segundo, o candidato mais à mão é o Enem, desde que fosse revisto para introduzir nele propostas que exigem mais raciocínio, solução de problemas, interpretação, e sobretudo redação. Terceiro, toda proposta de avaliação é questionável, por mil razões, já que é sempre projeto complicado julgar "aprendizagem", uma dinâmica tipicamente não linear, complexa. Quarto, quando menos, isto poderia dar uma boa discussão, para voltarmos a conversar sobre avaliação em nome do direito do aluno de aprender bem.

Um conceito que o senhor trabalha é que a aula não é centro da aprendizagem. De certa forma essa discussão sobre o vestibular não deveria ser um debate sobre modelo de ensino, ou seja uma reflexão sobre a aula, sobre o próprio ensino no Brasil?
Certo, esta discussão deveria colocar o dedo na ferida: o instrucionismo. É fundamental finalmente entender que professor não é quem dá aula, mas que, sendo autor, tem algo de reconstruído para oferecer. É urgente aprender a estudar.

Em uma de suas ultimas publicações, o livro "Bom Docente". É feito um questionamento ao instrucionismo e é expresso a convicção de que a qualidade docente é crucial para a qualidade discente. Quem seria este "bom professor"? como o senhor o caracterizaria?
Poderia começar dizendo que pesquisa é fundamento docente e discente, porque é boa estratégia de aprendizagem (além de ser estratégia de produção de conhecimento). Poderia resumir em "autoria", para realçar a idéia de que aluno aprende bem com professor que aprende bem (aula é decorrência secundária). No Brasil, no entanto, aprender é escutar aula. Um absurdo, tendo em vista que grande das aulas é cópia feita para ser copiada. Por isso, é decisivo mudar a definição de professor: não é quem dá aula, mas que sabe fazer o aluno aprender bem.

Discutir sobre o "bom professor" não implica discutir antes "boas condições de trabalho"?
Não diria que necessariamente as boas condições de trabalho vêm antes, mas são decisivas. É melhor ver as coisas juntas: boa formação, boas condições de trabalho e compromisso com o aluno. Salário não resolve, sozinho, a questão: um alfabetizador que não sabe alfabetizar pode ganhar o salário que quiser e continuará não sabendo. Mas não podemos conviver com os atuais salários docentes, em nome da dignidade do professor que é um dos artífices da cidadania popular.

Professor uma de suas áreas de atuação e produção acadêmica é sobre ao tema educação e cidadania e enquanto um estudioso que pergunto quais as perspectivas da cidadania no Brasil atualmente?a escola tem contribuído no seu avanço?
A escola tem contribuído muito pouco e, como o desempenho escolar estaria em queda, pode estar contribuindo cada vez menos. Mas uma boa escola pública é ainda um palco formidável da cidadania popular. Talvez seja a única chance do pobre: aprender a estudar bem. Assim, toda crítica que se faça à escola e ao professor só pode ter o sentido da os valorizar tanto mais. Nunca demos ao professor a atenção que precisa e merece.

11 de abril de 2009

Escola, única responsável pela educação?

Podemos definir Educação como um conjunto de práticas com as quais, e graças às quais, a sociedade promove o desenvolvimento e a socialização de seus integrantes e garantem a promoção da sua herança cultural, “desenvolvendo-se assim na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no seu artigo 1º.

Contudo na sociedade moderna a educação escolar adquiriu no imaginário das pessoas o status de única promotora do desenvolvimento e da socialização de todas as pessoas, sem exceção, restringindo desta forma a escola e as salas de aula, palco da educação escolar, toda a responsabilidade por estes processos.

Nesse contexto quase que nenhum aspecto ou questão escapa desta responsabilização da escola: delinqüência, intolerância, comportamentos racistas, problemas de leitura e escrita, consumo de drogas, escassos conhecimentos científicos e tecnológicos, desemprego dos jovens, gravidez precoce, violência doméstica, etc. Seja qual for o tema de debate, as carências e insatisfações relativas ao processo formativo das pessoas de ordem intelectual, social ou cultural são atribuídas, por ação ou por omissão, ao sistema educativo e à educação escolar.

Como conseqüência mais grave dessa “responsabilização” do todo - a educação - com o que, na realidade, é somente uma de suas partes - a educação escolar e o ensino – é criado no seio da sociedade uma desresponsabilização diante dos temas educativos. A educação deixa de ser percebida como sendo responsabilidade da sociedade, mas, em vez disso, estabelece-se a idéia de que a educação, entendida basicamente como educação escolar, é uma responsabilidade do sistema educativo formal os profissionais que trabalham nele, em especial os professores, e seus responsáveis políticos e técnicos devam assumir unicamente.

Por tudo isso se os alunos chegam até ao 9º ano sem estarem preparados para o ensino médio, se chegam ao ensino médio sem estarem prontos para o ensino superior ou se chegam e concluem o ensino superior sem estarem prontos para o mundo do trabalho, convencionou-se atribuir esta situação a escola, aos professores e a incapacidade do sistema educativo – exclusivamente.

Vejamos um exemplo simples e peculiar desta situação: Um aluno que não consegue aprender os conteúdos “ditos” necessários naquele determinado ano/série e importantes para sua socialização e participação cidadã. Se compreendermos o conceito de educação instituído pela própria legislação conseguiremos retirar deste simplório exemplo pelo menos três responsáveis. A escola, que evidentemente não negligencia seu papel educativo institucionalizado. Contudo avançando na discussão em busca até mesmo de soluções (coisa que é rara nas discussões sobre os problemas sociais atualmente) veremos que a família também precisa se responsabilizar pela educação do seu filho, muitas vezes com atitudes simples como verificar se o filho fez ou não a tarefa de casa, ou até mesmo participar das reuniões de pais e professores na escola e de estimular em casa o processo participação social responsável e cidadã. E por fim, sem restringir, temos o poder público (executivo, legislativo e judiciário) no repasse de recursos, na definição de políticas adequadas, na elaboração de normas, leis e projetos que atendam as necessidades das famílias, do sistema escolar e da própria criança e na observância do cumprimento das leis quanto ao repasse de recursos e efetivação de políticas publicas.

Mas os pais são analfabetos ou não se preocupam com a vida escolar dos seus filhos, dizem alguns. O poder público não investe adequadamente em educação, afirmam outros. Ou escutamos que a classe política não se preocupa com a sociedade. São fatos que não deixam de ser verdadeiros e reais, mas então como esperar que a escola sozinha resolva toda a questão educativa? Como disse o mestre Paulo Freire, “a educação sozinha não muda a sociedade”.

Discutir problemas e/ou soluções educacionais não pode jamais ser permeada por um sentimento de desresponsabilização social, seria reduzir demais uma questão tão complexa e séria. Apontar que temos um sério problema educacional hoje no Brasil, com uma deficiência de aprendizagem enorme dos alunos, soa como uma “profecia do obvio”, todos sabem, está claro que o temos, mas o importante neste caso é assumir a responsabilidade e se perguntar o que eu posso fazer para melhorar este quadro? Qual a minha responsabilidade? Qual o meu papel?

Quando um aluno não aprende determinado conteúdo/assunto ele está apenas externando o descaso e o despreparo de toda uma sociedade. Ou seja, não é, apenas, um problema metodológico, didático, pedagógico, mas acima de tudo é um problema social.

Frederico Dourado Rodrigues Morais - pedagogo e administrador do site Depois da Aula.
Artigo publicado no jornal O Popular, 9 de abril de 2009.

8 de abril de 2009

Entrevista Exclusiva - Deputada Federal Maria do Rosário

VALORIZAR OS PROFESSORES
A Dep. Maria do Rosário, presidente da Comissão de Educação e Cultura defende a valorização do professor como passo mais importante na defesa da educação.

Agilizar a votação de todos os projetos concernentes a educação e a cultura e a defesa do Piso Salarial dos Professores são apenas alguns dos desafios que a Deputada Federal Maria do Rosário (PT/RS) estabeleceu para seu mandado a frente da comissão de Educação e Cultura. Professora da rede pública, vereadora, Deputada Estadual e cumprindo seu segundo mandado federal, como mesma afirma, conhece bem a realidade da sala de aula e das escolas.

Nesta Entrevista EXCLUSIVA concedida gentilmente ao Depois da Aula a deputada fala da atual pauta educacional na Câmara e sentencia: “Vamos pensar o Brasil para os próximos dez anos”. Confira a entrevista a seguir:

Deputada, na última sexta-feira (03) a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) decidiu por uma paralisação nacional em defesa do cumprimento da lei 11.738, que institui o piso salarial nacional do magistério, a fim de que a mesma seja implementada nos estados e municípios conforme o texto aprovado no Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Lula, em 2008. Como V Sra. vê essa "dificuldade" na aplicação pelos governadores e prefeitos da lei do Piso Salarial Nacional dos professores? E como a Comissão de Educação têm trabalhado nesta questão?
A Comissão de Educação está priorizando a questão. Na semana passada, por exemplo, convidamos a CNTE, convidamos os sindicatos ligados à categoria e fizemos uma reunião específica para tratar do tema. Na mesma data estivemos presentes em uma manifestação organizada pelos professores diante do Supremo Tribunal Federal e fomos recebidos em audiência no próprio STF para defender a causa dos profissionais do ensino. O piso só não foi implementado de imediato devido a uma ação de inconstitucionalidade levada a cabo por alguns governadores de estado. Isto, mais que um retrocesso, é uma prova de que alguns governantes não prezam a educação e não a querem com qualidade e para todos. Valorizar os professores é o primeiro e mais importante passo em defesa da educação.

Deputada, e qual será a importância de um piso salarial para professores da rede pública?
Será o atendimento de uma reivindicação histórica da categoria e uma prova de que se quer, de fato, valorizar o profissional do ensino, se quer valorizar a educação no país. O magistério é um sacerdócio. Milhares de professoras e professores pelo país afora dão suas vidas pelo prazer de ensinar, de abrir horizontes para crianças, jovens e adultos. É preciso aplaudir o que a categoria tem de abnegação, mas é importante, acima de tudo, dar condições dignas de sobrevivência para que os professores possam melhorar o seu padrão de vida, se qualificar e, como dizia o mestre Paulo Freire, educar se educando, ensinar aprendendo.

Que outras pautas precisam ser levantadas nas discussões das políticas públicas em vista a valorização do professor?
A questão salarial, o quadro de carreira, a progressão funcional são vitais, são a base de toda esta discussão. Aliada a isso, penso, a qualificação deve ser uma meta individual de cada profissional de ensino e o Estado deve dar condições para que isto seja alcançado. Nós, na Comissão de Educação, estamos atentos e abertos para debater, a partir das realidades e das reivindicações da categoria.

Outra questão envolvendo os professores é a violência na escola. Nunca se ouviu ou vivenciou tantos casos e cenas de violência escolar, seja por parte dos professores em relação aos alunos, seja por parte dos alunos em relação aos professores. Quanto aos professores, sabe-se de sanções sofridas pelos mesmos em casos de abuso e violência contra os alunos. Nesse sentido, gostaria de saber o que os legisladores podem fazer ou estão fazendo para protegerem os professores de atos violentos apresentados por alunos?
Conheço esta situação, pois iniciei minha vida como professora, já vivi esta realidade dentro de uma sala de aula. Se hoje eu deixasse de ser parlamentar voltaria, com o mesmo orgulho e prazer, a exercer esta atividade. Creio que a violência nas escolas já é um problema, infelizmente, que não se circunscreve a uma cidade, a uma classe social. É uma questão alarmante e deve ser tratada de forma global. Nós, da Comissão de Educação, já estamos agendando uma audiência pública para tratar do tema. Pretendemos juntar especialistas na questão, profissionais do ensino e cidadãos preocupados com o tema. Daí pretendemos tirar conclusões que podem se transformar em projetos de leis e outros encaminhamentos que possam contribuir para o diagnóstico e a resolução deste problema.

Eu queria aproveitar e passar por um tema que tem causado bastante polêmica nos últimos anos - a questão das cotas. Existe uma proposta que está sendo analisada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde 50% das vagas serão destinadas aos estudantes das escolas públicas, as vagas seriam preenchidas seguindo uma proporção de negros, índios e pardos em cada estado. Como à senhora avalia a questão das cotas?
Sou favorável as cotas mas totalmente aberta para discutir a forma e a implementação da mesma. Penso que o papel de um Estado, justo e democrático, não é apenas tratar todos com igualdade. É preciso ter mais atenção e cuidado com os que precisam de mais atenção e cuidado, com aqueles que mais precisam da intervenção do Estado nas suas vidas. O Brasil tem uma dívida muito grande com uma parcela da sociedade que precisa ser gradativamente quitada. É uma questão vital para acelerarmos o fim da desigualdade no país, para, quem sabe num curto espaço de tempo, não precisemos mais de cotas de qualquer espécie.

A deputada assumiu este ano a presidência da Comissão de Educação e Cultura dizendo que assumiria "com alegria minha principal tarefa nestes 20 anos de vida pública". Quais serão as prioridades desta comissão e o que os educadores de todo Brasil podemos esperar já para 2009 como resultado do trabalho desta comissão?
Em primeiro lugar pretendemos agilizar a votação de todos os projetos concernentes a educação e a cultura que estejam em tramitação. É preciso que a Comissão funcione celeremente. Ao lado disso vamos implementar uma intensa agenda de audiências públicas para abrir espaço para a sociedade civil, através de seus representantes, se posicionar. Também iremos estabelecer uma relação de parceria com os Ministérios da Educação e da Cultura, para que não haja disputa de protagonismos entre o Legislativo e o Executivo. Por fim, mas não menos importante, vamos iniciar este ano, no âmbito da Comissão, o debate do PNE. Vamos pensar o Brasil para os próximos dez anos. E esta discussão, para nós da CEC, já começou.

7 de abril de 2009

Uma breve conversa sobre o Coordenador Pedagógico

QUEM É?
O Coordenador Pedagógico é o co-responsável pela construção de uma equipe escolar coesa, engajada e, sobretudo, convicta da viabilidade operacional das prioridades consensualmente assumidas e formalizadas na proposta de trabalho da Instituição de Ensino. O coordenador irá exercer, no espaço da autonomia que lhe foi conferida, seu papel de elemento-chave na orientação e gerenciamento dos resultados do desempenho escolar obtido pelos alunos frente às ações devidamente planejadas pelos docentes. Na verdade o Coordenador Pedagógico no exercício específico de profissional, articulador e mobilizador da equipe escolar, está vivenciando suas atividades intencionais voltadas para a melhoria do fazer pedagógico da sala de aula.

O Coordenador Pedagógico viabiliza, integra e articula o trabalho pedagógico-didático em ligação direta com os professores, em função da qualidade do ensino. Ou seja, a sua principal atribuição é a assistência pedagógico-didática aos professores, para se chegar a uma situação ideal de qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível), auxiliando-os a conhecer, construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades educacionais dos alunos.

A escola é um universo bastante complexo: há uma finalidade aparentemente conhecida e consagrada em torno da qual se aglutinam pessoas freqüentemente muito diferentes, que desempenham funções variadas, com atribuições, expectativas e demandas diversas. Por essa razão, muitas vezes a escola funciona a partir do equívoco de que todos sabem o que ela significa para si e para o outro; subentende-se que todos estão por lá por uma única razão, que todos sabem seu papel, todos conhecem seu ambiente de trabalho e sua dinâmica.

É, portanto, esperado que, desse equívoco, surjam alguns problemas no dia-a-dia que, mesmo quando simples ou corriqueiros, tendem a se agravar, uma vez que sua compreensão estará contaminada pela idéia (falsa, diga-se) de que tudo acontece por uma atitude deliberada de alguém que, mesmo sabendo de sua tarefa ou responsabilidade, deixa de assumi-la, prejudicando o conjunto da escola.

Esse é o contexto que trabalha o Coordenador Pedagógico. É necessário que ele seja capaz de identificar essa trama comunicativa para que exerça seu papel com sucesso. É fundamental também que esteja preparado para discernir os diferentes níveis de sua atuação, para que não se limite a apenas um deles, dificultando o crescimento e o amadurecimento da escola.

O coordenador tem, pelo menos três níveis de atuação, que não se excluem. São eles:
1) o de resolução dos problemas instaurados;
2) o de prevenção de situações problemáticas previsíveis;
3) o de promoção de situações saudáveis do ponto de vista educativo e socioafetivo.

Todos esses níveis são necessários e fundamentais. Entretanto, não é difícil perceber que um trabalho voltado apenas para o nível 1, além de pouco produtivo, desgasta a figura do coordenador e de toda escola. A instituição fica à mercê dos humores, das imagens distorcidas que um tem em relação ao outro; o coordenador fica “correndo atrás do prejuízo”.

Além disso, não há construção de projeto pedagógico no nível 1. É preciso que se alcancem os níveis 2 e 3 para que ele possa ser objeto de preocupação, pois o projeto pedagógico é uma antecipação da escola que queremos. Se é importante que o projeto parta da escola real, de seus conflitos e problemas, ao mesmo tempo é essencial que seja elaborado a partir de uma dose de liberdade em relação em relação a ela. Ou seja, se as preocupações diárias e imediatas consumirem todo o potencial de trabalho do coordenador, não haverá condições de articulação de pessoas em torno de metas a médio e longo prazos; em suma, o amadurecimento institucional será dado exclusivamente pelo acaso e por situações incidentais.

E O QUE FAZ?
Sobre a Coordenação Pedagógica podemos caracterizar ainda os elementos essenciais da função, e os instrumentos viabilizadores da ação pedagógica.
a) Elementos essenciais
- Elo entre alunos, famílias, professores, orientadores e Direção.
- Elaboração dos componentes curriculares atuando junto aos professores.
- Integração do corpo docente.
- Parceria com o corpo docente
- Estar sempre disponível para prestar qualquer esclarecimento aos pais.

b) Instrumentos viabilizadores
- Incentivar os docentes em um trabalho de equipe.
- Acompanhar os docentes na elaboração dos planos de ensino subsidiando-os.
- Orientar os procedimentos de avaliação definidos pela instituição, com vistas à implementação de um processo de aprendizagem contínuo.
- Orientar o corpo docente na utilização dos espaços físicos e uso das bibliotecas, laboratórios, equipamentos e materiais didáticos disponíveis na instituição.
- Divulgar e facilitar o acesso dos docentes a novas metodologias e recursos tecnológicos.

É importante mencionar que a Coordenação Pedagógica possui funções múltiplas e significativas que se desenvolvem como:
Preventiva: Consiste em acompanhar o processo pedagógico, a fim de obtermos resultados positivos na melhoria do ensino-aprendizagem.
Construtiva: Auxiliar o docente a superar suas dificuldades de maneira positiva e cooperativa.
Criativa: Estimular a iniciativa do docente, buscar novos caminhos, pesquisar e criar novos recursos do ensino.

O grau de intensidade das atividades do Coordenador Pedagógico depende dos tipos de atividades desenvolvidas; dos grupos articulados por ele; das atribuições específicas dos profissionais e sujeitos que integram esses grupos; da definição de prioridades e objetivos; da distribuição de responsabilidades convencionadas pela organização e pelos variados grupos, em diferentes momentos e situações; dentre outros fatores.

5 de abril de 2009

"O professor precisa aprender a valorizar seu capital intelectual, que não tem preço."

Em entrevista a revista Carta na Escola a psicanalista, Maria Rita Kehl, alerta para os riscos vividos pelas escolas que negociam demais sua cultura de socialização e transmissão de saberes com a cultura juvenil. E atenta para o papel decisivo da publicidade como indutora do convite ao prazer, ao “barato” imediato. O que pode ser uma droga, literalmente.

Abaixo alguns trechos da entrevista:

"Eu ainda acho que a escola é um aprendizado de convívio civilizado, da negociação de interesses e reconhecimento de quem se deve respeitar e como respeitar."

"O professor não está escorado por todos esses pilares de mármore, felizmente não está, mas, ao mesmo tempo, ele tem uma posição de autoridade."

"Autoridade é o exercício de uma diferença de posição que tem a ver com gerações, pais e filhos, professores e alunos, e que se exerce para, a partir daí, ter o que negociar. Porque, se não, é a desmoralização da escola."

- leia entrevista completa aqui

2 de abril de 2009

Sugestões na construção do Projeto Político Pedagógico

Atendendo a um pedido da nossa leitora Silma, estou disponibilizando algumas sugestões de textos e de bibliografias sobre Projeto Político Pedagógico.

Sugestão de Bibliografias sobre o tema (elaborado pelo prof. Celso Vasconcelos em seu site)

Textos/Artigos/Reportagens:
A construção do projeto pedagógico na escola de 1º grau Selma Garrido Pimenta. Série Idéias n. 8, São Paulo: FDE, 1998. p. 17-24.

Significado e pressupostos do projeto pedagógico. Terezinha Azerêdo Rios. Série Idéias n.15, São Paulo: FDE, 1992. p. 73-77.

Planejamento. Reportagens, entrevistas e artigos de especialistas sobre planejamento, gestão, expectativas de aprendizagem.

Orientações para elaboração do Projeto Escola. Documento elaborado pela Secretaria de Educação Básica/MEC

A posição do planejamento participativo entre as ferramentas de intervenção da realidade. Danilo Gondin. Currículo sem Froteitas, v.1, n.1, 2001.

1 de abril de 2009

Fim do Vestibular! Será? O que você acha?

Razão de noites maldormidas e responsável pelo crescimento de cursinhos especializados em catapultar os egressos do ensino médio às tão sonhadas carreiras universitárias, os exames vestibulares podem estar com seus dias contados.

Na semana passada, o Ministério da Educação apresentou à diretoria da Andifes, associação que reúne os reitores das 55 universidades federais, uma proposta de substituição dos diversos exames preparados por essas instituições separadamente por uma espécie de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ampliado.

Diferentemente do formato atual, que contempla 63 questões de múltipla escolha e uma redação, o novo exame seria composto de quatro grandes provas, realizadas em dois dias, em vez de uma única tarde, como acontece atualmente, e incluiria questões dissertativas, além da redação. Com isso, seria possível mesclar a ênfase no conteúdo dos vestibulares com a tendência mais analítica proposta pelo Enem, que, atualmente, é feito por mais de 4 milhões de alunos.

Segundo a secretária da Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, “a proposta, que foi recebida com interesse e simpatia pela diretoria da Andifes, pode ter um impacto positivo na orientação do ensino médio, além de ser um fator de democratização do acesso. Hoje, um aluno candidato a um curso de Medicina só não faz todos os exames porque não tem condições de pagar, nem de se deslocar. Um exame único eliminaria este problema, além de significar uma passagem menos traumática entre o ensino médio e o superior”.

Na próxima terça-feira, 7, os dirigentes universitários devem se manifestar sobre o assunto. As instituições de ensino superior privadas e estaduais também podem aderir ao sistema.

Conheça a proposta.

E você o que acha dessa proposta?