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30 de março de 2009

A SÍNDROME DE BURNOUT E O PROFESSOR MINEIRO

Nos últimos anos, outras questões se adicionam às da organização do trabalho docente. Segundo Esteve (1999), têm aumentado as responsabilidades e exigências que se projetam sobre os educadores, coincidindo com um processo histórico de uma rápida transformação do contexto social, o qual tem sido traduzido em uma modificação do papel do professor.

Estas transformações supõem um profundo e exigente desafio pessoal para os professores que se propõem a responder às novas expectativas projetadas sobre eles. O professor, neste processo, se depara com a necessidade de desempenhar vários papéis, muitas vezes contraditórios, que lhe exigem manter o equilíbrio em várias situações.

Educação e saúde estão entre as profissões em que a demanda cresce, mais e mais trabalhadores são requisitados para ocupar este lugar, e onde simultaneamente crescem as impossibilidades da tarefa, as contradições sociais empurrando a educação para impasses que parecem insolúveis. Do educador se exige muito, o educador se exige muito; ele, pouco a pouco, desiste, entra em burnout. (leia texto completo)


*Meu agradecimento ao prof.Rudá Ricci que gentilmente nos enviou este artigo.
*

27 de março de 2009

BBB, o Povo e o moralismo.

Vi num portal de notícias uma chamada de matéria que me deixou pasmo. Segundo a chamada, no último "paredão" do Big Brother Brasil 9 foram computadas mais 29 milhões de ligações votando em algum candidato para ser eliminado do programa. Vamos colocar o preço da ligação do 0300 a R$ 0,30, então teremos R$ 8.700.000,00. Isso mesmo, oito milhões e setecentos mil reais, que o povo gastou numa votação de um reality show!

Poderia aqui discutir e me indignar com a rede Globo e a operadora de telefonia, visto os milhões de pessoas na absoluta miséria e pobreza, ou ainda com o fato de grande parte das pessoas que ligam para este programa e que por contrapartida abastecem os cofres destas empresas serem trabalhadores assalariados. Poderia, mas não vou!

O que é mais absurdo nestes números e o que é mais revoltante nesta história toda é saber que milhões de pessoas são capazes de passar horas de sua vida acompanhando este programa, conseguem inclusive, dizer os nomes dos últimos participantes do "tal paredão", contudo são incapazes de listar o nome do vereador votado na última eleição.

São pessoas que votam numa legenda política sem jamais ter lido o programa do partido, mas que gasta seu escasso salário num programa que acredita de extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal. Indivíduos que não perdem um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de PAGAR pelo seu voto.

E neste grupo de pessoas temos desde donas de casa, a estudantes universitários, até pós-graduados. Enfim são pessoas de vários níveis sociais e escolares, que se abastecem do besteirol diariamente e que a cada eleição se acham em condições de cobrar dos políticos.

Pior, abastecemos um programa que prega a mentira, a safadeza e a promiscuidade na busca pelo prêmio de um milhão de reais. Vale tudo para ganhar. Tudo mesmo! Mas quando os nossos deputados aprovam um "super" aumento de salário, saímos às ruas contra essa "sacanagem", com discursos moralistas e apimentados.

Não quero ser mais um moralista a pregar contra a hipocrisia do povo. Só acredito que devemos ser mais honestos com nós mesmos e com o nosso país. Se alguém quer assistir e gastar seu dinheiro com o BBB que o faça é um direito seu. Mas não se esqueça de ter a mesma empolgação com a situação do seu país. E mais, se achamos “normal" mentir para vencer um reality show, se achamos necessário vender o corpo para ganhar um emprego, não temos o direito de questionar os deputados escolhidos por nós que vendem seus votos por mensalões ou mensalinhos, ou que se envolvem em esquemas de proprinas com construtoras.

Afinal, o que será mais importante: o resultado do paredão do BBB ou o desenvolvimento social do país? Cada um que decida e que aja conforme sua consciência.

P.S. escrevi este texto em 2007 e fiz somente uns pequenos ajustes... engraçado como as coisas não mudam!!

26 de março de 2009

As vacas sagradas da educação brasileira

por: Celso Antunes

A religião hinduísta promove a adoração dos animais e, de forma especial, a das vacas. Concebida como mãe da humanidade pelo valor simbólico do leite para a vida, e, também, porque amamenta seus filhos sem esperar troca ou compensação. Matar uma vaca constitui sacrilégio imperdoável e é por esse motivo que, quando existe algo intocável, usa-se a expressão "vaca sagrada". A educação brasileira, como não poderia deixar de ser, possui também itens intocáveis, afirmações falsas, mas, que de tanto serem repetidas como autênticas, parecem ter se transformado em verdades que ninguém ousa discutir. Esta pequena crônica busca o sacrilégio de tentar demonstrar algumas dessas tolas falácias, verdadeiras "vacas sagradas" que não se ousa debater. Vamos a elas.

1. A educação brasileira só poderá melhorar quando aumentar a carga horária recebida pelos alunos.
A aula, como tradicionalmente é concebida no Brasil, constitui, quase sempre, um espaço em que se transmite informação. Mais aulas, por meio da estratégia do discurso, representam apenas volume de informação maior, inutilidade utópica que não leva ninguém a aprender, apenas acumular. O papel da escola é ensinar o aluno a usar as informações para refletir, pensar, argumentar, pesquisar, ligar-se ao mundo, solidarizar-se e agir. Dessa forma, precisamos de mais situações de aprendizagens desafiadoras, propostas de momentos de criatividade, reflexão e experimentos. Não mais aulas expositivas que nada fazem para o verdadeiro sentido do crescimento humano que tanto se deseja. A jornada de estudos e não o número de aulas é que necessita crescer. Os brasileiros passam seis anos em sala de aula e a média é de doze anos em países verdadeiramente desenvolvidos.

2. A educação brasileira necessita promover cidadania, formar consciências.
É claro que nossa escola necessita formar cidadãos, mas essa preocupação não deve anteceder a importância de promover conhecimentos essenciais, ensinar a ler e compreender, operar símbolos numéricos, perceber a magnitude do avanço científico e a importância do espaço e do tempo na compreensão do momento que se vive. Buscar cidadania, construir valores, ensinar administrar emoções é essencial ao ser humano, mas não é o principal de uma excelente escola e, não poucas vezes, se enfatiza com tanta energia a busca dessa "educação holística" que se esquece de ensinar o essencial de se subir escada, começando sempre pelos primeiros degraus.

3. A excelência de uma boa educação começa por uma melhoria salarial urgente.
Em muitos lugares, vários professores, efetivamente, ganham uma miséria, mas são lugares onde qualquer outro profissional se encontra na mesma situação. O salário de professores é uma vergonha nacional, como é também o de médicos, enfermeiros, nutricionistas e muitos outros. A comparação entre o salário dos docentes com o de outras categorias, desconsidera aspectos diversos como a jornada de trabalho, férias adicionais por atividades extras e outras vantagens. Mal maior que falar do salário do professor sem o comparar com o de outras categorias profissionais é tentar comparar o que no Brasil se ganha, com ganhos em países muito mais ricos. Os professores brasileiros, em geral, recebem o salário com mais de 50% acima da média nacional, enquanto que em países altamente desenvolvidos essa remuneração é 15% menor, ainda que em termos brutos se paga muito mais por uma aula lá que uma aqui, como se paga muito mais para qualquer profissional quanto no Brasil.

4. Apenas a escola particular pode proporcionar ensino de qualidade excelente.
Os resultados dos exames realizados por estudantes em avaliações do SAEB, do ENEM e de provas aplicadas por organismos internacionais não cansam de reiterar que existem escolas públicas admiráveis e escolas particulares enganosas. Boas escolas se fazem com professores que se reciclam e estudam sempre, com aulas abertas para que todos aprendam com todos, com ajudas específicas a alunos com dificuldades. Para organizar esse tripé a escola pode ser pública ou particular. O que, na maior parte das vezes, se constata é que os alunos das escolas particulares trazem para a instituição uma situação cultural, familiar e socioeconômica melhor e, por isso, aprendem com mais facilidade e melhor. Além disso, em muitas escolas particulares não há mecanismos burocráticos para se colocar na rua profissional incompetentes.

5. A educação somente vai melhor quando o País investir mais.
O Brasil gasta muito mal em educação, joga dinheiro bom em causas ruins, mas não investe pouco. Enquanto gastamos 3,4% de nosso PIB na educação básica, em países da OCDE (Organização formada por países da Europa e pelos Estados Unidos) esse gasto corresponde a 3,5%. A tragédia é que nesses mesmos países é considerado normal se gastar duas vezes mais com a formação de alunos em cursos superiores e o Brasil gasta nada menos que dezessete vezes mais. Generoso e perdulário com o ensino superior que abriga apenas 20% dos jovens, fazemos demagogia e inventamos lorotas em investimentos concretos para a educação infantil e ensino básico, em que a verdadeira mudança de paradigma educacional necessita acontecer. A China gasta apenas 2% de seu PIB ao ano em educação e vem conquistando progressos extraordinários e o Brasil, gastando quase o dobro, apresenta aos olhos do mundo resultados pífios. Com toda essa dinheirama jogada no ensino superior ocupamos o 23º lugar em uma lista de 25 países quanto à publicação de artigos científicos.

6. Precisamos avaliar mais vezes nossos alunos para uma radiografia mais perfeita sobre sua aprendizagem.
Não adianta aumentar o número de exames, provas, concursos e tudo o mais se continuarmos a bater na tecla de uma avaliação quantitativa que não mostra nada, que não diagnostica coisa alguma. Não se afere aprendizagem com questões robotizadas ou testes de escolhas múltiplas, mas com condução de competências efetivas, habilidades essencialmente conquistadas. Preocupa-nos em saber se nossos profissionais aprendem ou não o nome do rio mais comprido, da montanha mais alta e dos gerúndios lingüísticos, mas nada temos para aferir se a escola realmente transformou o aluno, tornando-o mais capaz de produzir, pesquisar, argumentar, viver, realizar, solidarizar e agir. Ou aprendamos a avaliar ou abandonemos críticas em relação a resultados que em nada resultam.

É importante que saibamos respeitar o culto hinduísta às vacas, mas é essencial perceber que estamos no Brasil e que nossa educação requer o sacrifício de tolices intocáveis, afirmações mentirosas, que de tanto serem ditas vão, como tudo neste País, ganhando cores de verdade.

fonte: JORNAL VIRTUAL GESTÃO EDUCACIONAL Ano 2 nº 105 - 24/03/09

25 de março de 2009

Filmes com temas voltados para a escola, o professor ou a educação

Fiz uma seleção de 25 filmes onde seus enredos discutem a escola, o professor ou a educação escolar. São filmes de boa qualidade e que podem ser utilizados para estimular discussões em encontros pedagógicos ou em salas de aula.

Acesse aqui a seleção

23 de março de 2009

Sem comentários!

Estudantes do ensino médio da rede estadual de Vila Velha (ES) voltaram a protestar nesta segunda-feira (23) contra a ampliação da carga horária nas aulas. Eles reclamam da falta de infraestrutura das escolas. Numa faixa, deslizes de português chamaram a atenção. Na frase 'Porque almentar (sic) a carga horária??', aumentar aparece com a letra L no lugar do U e 'por que' deveria ter sido escrito separado, além de ter faltado acento na palavra 'horária'. O protesto ocorreu em frente ao Ministério Público. (Foto: Guido Nunes/Gazeta Online)

22 de março de 2009

Criança com síndrome de Down garante vaga em escola regular

Em Porto Alegre, a brasileira Clara Piantá, portadora da síndrome de Down, de 1 ano, começou a frequentar uma escola regular. O caminho que a família trilhou até conseguir a vaga é parte da polêmica que envolve o atendimento a crianças especiais. O primeiro colégio procurado pelos pais de Clara disse que não atenderia a menina.

“É um abandono, um desamparo, uma indignação, uma tristeza, uma impotência. Se estão nos dizendo não agora, que ela tem um ano, o que dirão depois”, diz a mãe Marília Piantá.

A legislação prevê que crianças com síndrome de Down estudem em escolas regulares, mas muitas instituições particulares entendem que não são obrigadas a receber estes alunos. É o caso do colégio que negou a matrícula a Clara. Mesmo atendendo outros alunos com necessidades especiais, a direção alega que não está preparada para acolher estudantes com síndrome de Down.

“Isso não quer dizer que futuramente não vamos receber crianças nessas condições, mas no momento não podemos aceitá-la porque não temos a estrutura adequada em termos profissionais”, diz o irmão Celso Schneider, vice-diretor acadêmico do colégio.

Para o Ministério da Educação (MEC), a adaptação deve ser feita com o aluno especial já dentro da escola. “A escola não pode deixar de efetivar a matrícula. Ela deve buscar os recursos necessários. A família tem direito de buscar esse acesso e pode recorrer ao Ministério Público caso seja negado o direito à educação do seu filho”, diz Claudia Pereira Dutra, Secretária de Educação Especial do MEC.

No Brasil, mais da metade dos alunos especiais está matriculada em cursos regulares. Mas faltam vagas nas escolas particulares: só no colégio da Clara a lista de espera é de 78 crianças e adolescentes.

Florença Sanfelice, também com síndrome de down, enfrentou e venceu essas dificuldades. Há três anos passou no vestibular de fisioterapia, mas descobriu que gosta mesmo é das artes. Aos 26 anos, decidiu fazer faculdade de dança. "É preciso estudar muito e não desistir", diz.

O Sindicato das Escolas Particulares do Rio Grande do Sul recomenda a inclusão de alunos especiais, mas alega que nem todas as instituições estão preparadas e que a legislação não obriga as escolas a receber alunos com síndrome de Down.

Segundo a lei número 7.853, a recusa das escolas em matricular alunos especiais, sem justa causa, é crime. A definição de o que é ou não justa causa cabe à Justiça, que decide se a matrícula deverá ou não ser aceita.

fonte: Portal de notícias G1

19 de março de 2009

Má qualidade do ensino atrasa os alunos

Jornal da Globo do dia 18 de março de 2009
O brasileiro sabe que o aluno da escola pública estará em desvantagem quando tiver de disputar um lugar no ensino superior. Segundo pesquisa do Ibope obtida com exclusividade pelo Jornal da Globo, na opinião dos brasileiros a má qualidade do ensino é o terceiro maior problema da educação no Brasil.

Na nossa terceira reportagem especial, a repórter Janaína Lepri investiga algumas da causas da deficiência do ensino público. A edição da série é de Cátia Luz e Benê Souza.

O município paraense de Colares fica em uma ilha fluvial. Para fazer a travessia do Rio Guajará-Mirim, todos dependem dos barcos. Lá, conhecemos Claudiléia, de 13 anos e já aluna do ensino médio. Ela vende frutas e bolos na balsa que faz o transporte dos automóveis. “Não tenho aula todo dia. Os professores faltam, eles não vêm. Eles não são daqui, são de Vigia, de Belém. Aí não vêm. É o mês todinho sem vir. Não tem nenhum jeito de acessar a internet aqui, nunca acessei. Sei como é, mas aqui não tem”, conta a adolescente.

Perto dali, no município de Vigia, centenas de famílias de pescadores tiram o sustento do mesmo rio. A dona de casa Rosicleide Maria Vilhena cuida para que os filhos escrevam uma história diferente da dela. “Estudei até a segunda série, porque meus pais não tinham condição de botar para me educar, porque eu tinha que sair logo para trabalhar na casa dos outros. Espero que meus filhos estudem até se formar e ver o que eles querem, é o futuro deles. Às vezes, eles têm preguiça de ir para a escola, aí eu meto uns cascudinhos e eles vão”, afirma a dona de casa.

Para espantar a preguiça, café e pão puro. Depois, Eduarda e Darielma caminham juntas até a escola. Elas passaram para a quinta série do ensino fundamental. As aulas são em uma escola improvisada. No barracão funcionava um salão de festas, que foi adaptado para receber os alunos. As salas foram separadas por divisórias de madeira, só que elas não chegam até o telhado. Isso quer dizer que quem se senta em uma das carteiras para estudar ouve as explicações dos professores de todas as classes ao mesmo tempo. “A gente fica muito apertado, porque as salas são coladas uma na outra”, reclama a estudante Vitória Saldanha Moraes, de 9 anos. “Você viu como está a situação por aí, nem banheiro tem”, aponta a mãe. “Quando dá vontade de ir ao banheiro, eu me aperto, porque não pode. Tem que segurar até chegar em casa”, revela a estudante.

A escola onde todos deveriam estudar está em reforma. E, por ora, não é só estrutura que falta. O professor de Eduarda e Darielma não apareceu para dar aula. “A gente vem para estudar, chega e não tem aula. A gente tem que acordar cedo, cedinho, tomar banho, se arrumar, vir para o colégio. Chega, não tem e volta”, enumera a estudante Darielma Vilhena Pinheiro, de 12 anos.

Os alunos da sétima série também não vão ter aula, que seria de matemática. Prestes a terminar o ensino fundamental, eles já deveriam dominar frações, equações do primeiro grau e resolver problemas básicos de trigonometria, mas ainda tropeçam na tabuada do antigo primário. “Três vezes quatro, 16!”, erra um garoto. E também têm dificuldades em outras matérias. “Não tenho a mínima ideia até aqui de quem foi Cristóvão Colombo”, admite uma menina.

De acordo com as metas estabelecidas pelo movimento Todos pela Educação, os alunos dessas duas cidades do Pará tiveram um desempenho muito abaixo do esperado nas avaliações do MEC. Na Prova Brasil de matemática, menos de 1% dos estudantes da oitava série de Vigia teve nota superior a 300 pontos, em um total de 500. Todos os outros estão abaixo do nível de aprendizagem mínimo. A expectativa era de que 15,82% conseguissem a pontuação.

Em Colares, 1,85% dos alunos da quarta série fizeram mais do que 200 pontos, a nota mínima na prova de português. Bem menos do que os 13,11% esperados. Números que se explicam com uma olhada nos cadernos das crianças: o professor viu a palavra "vizinha" escrita com a letra "s" e marcou resposta certa.

A baixa qualidade do ensino é a terceira maior preocupação dos entrevistados pela pesquisa Ibope Inteligência sobre os problemas da educação pública, com 33%.

Em São Paulo, a professora da quinta série Maria de Fátima Santiago precisa dividir a classe. Enquanto um grupo trabalha interpretação de texto, outro aprende a formar palavras. “A gente encontra alunos em outras classes que não escrevem nada, ou então aqueles que são copistas. Você passa a apostila e ele é capaz de escrever o texto, mas, na hora em que você pede para ler, ele não lê nada do que ele escreveu”, descreve a professora. “A gente tem que se ajudar, a gente tem que ter calma, paciência”, acredita a estudante Larissa Gabriela Chagas, de 10 anos.

Mas chega uma hora em que não há como esconder as lacunas no aprendizado. Neste ano, Fabiana, Jéssica e Tamires vão enfrentar o mais rigoroso dos testes: o vestibular. E elas sabem que estão em enorme desvantagem em relação aos alunos de escolas particulares. ”Escola pública, todo mundo pensa: escola pobre, de pobre, não faz nada, não presta para nada, não aprende nada”, diz a estudante Tamires Jesus de Lucena, de 17 anos.

Para o especialista em educação Simon Schwartzman, é difícil apontar o que é mais urgente para melhorar a educação. ”Acho que é importante valorizar o professor, capacitar melhor o professor, é importante garantir que o ambiente da escola seja um ambiente seguro e agradável, para que a criança possa sentir interesse em estar ali, é importante que a criança possa ficar mais tempo na escola. No Brasil, hoje em dia, a criança fica muito pouco tempo e não é o suficiente para aprender. Enfim, acho que são várias coisas que têm que ser feitas ao mesmo tempo”, avalia.

É um desafio que pode levar muitas gerações, mas Claudiléia, do começo da nossa história, tem pressa. “Há muitas pessoas que querem estudar, têm vontade. Há umas que não. Eu tenho muita vontade de estudar. Quero fazer faculdade de medicina. Mesmo com essa dificuldade toda, vou conseguir, um dia a gente chega lá”, torce.

Aqui você encontra a íntegra da pesquisa do Ibope, realizada a pedido da Confederação Nacional da Indústria e do movimento Todos pela Educação.

assista reportagem aqui

18 de março de 2009

Professores reclamam de baixos salários e jornadas intensas

Jornal da Globo do dia 17 de março de 2009

A maioria dos brasileiros identifica a falta de motivação dos professores como o segundo maior obstáculo à melhoria do ensino nas escolas públicas do país, como revela pesquisa exclusiva do Ibope.

Os professores se queixam de baixos salários, excesso de trabalho e pouco tempo para se qualificar. Esse é o tema da nossa segunda reportagem especial sobre a opinião do brasileiro sobre a educação, com a repórter Janaína Lepri.

Haja voz, haja “braço" e, sobretudo, haja disposição! Se dar aula para uma sala cheia e falante já é difícil, imagine para duas ou três por dia. É uma jornada desgastante para boa parte dos professores de São Paulo. “Para conseguir um salário mínimo digno, a gente precisa se estender às vezes nos três períodos. Isso é desgastante fisicamente, o corpo não aguenta. E aí vem a saúde, tem muito professor afastado, de licença, muito professor readaptado com problemas de saúde mesmo por conta do excesso de trabalho”, conta a professora Viviane Ribeiro Gadotti.

O professor Douglas Mendonça Garin, de Cuiabá, Mato Grosso, sabe bem como é. Ele se divide entre dois empregos. Além do cansaço, reclama que falta tempo para que ele possa estudar. “Nós temos uma mudança constante nos conceitos de educação, então há a necessidade de o professor estar sempre se atualizando”, destaca Douglas.

É difícil também lidar com a participação cada vez menor de muitas famílias na educação de seus filhos. É uma lacuna que, de acordo com uma professora que prefere não se identificar, sobrecarrega a escola. “A escola ensina educação sexual, educação moral, ensina a ler, ensina a escrever, ensina a ter zelo pela natureza. O dever da educação não é só da escola, está garantido em Constituição: escola e família”, aponta.

Em uma estrada a pouco mais de 100 quilômetros de Belém do Pará, quase não passa carro. Por terra e pela água, nós visitamos a região da bacia do Guajará-Mirim para conhecer a realidade de alunos e professores locais. Duas cidades, Vigia e Colares, apresentam uma enorme defasagem em relação às metas de qualidade de ensino estabelecidas pelo movimento Todos pela Educação.

Sentada à janela da escola, a professora Vanda Sueli Gomes não tem muito com que se distrair. Ela deveria estar em aula, mas os alunos foram dispensados mais cedo porque não havia merenda nem material escolar. “Material didático sempre sobra para o nosso bolso, que a gente mesmo tem que dar. Eu compro. Quando precisa de uma cola, eu compro; quando precisa de uma folha, eu compro”, revela.

De folha em folha, vão trocados que fazem falta no salário de R$ 600 por mês. E fica mais distante o desejo de fazer uma faculdade de pedagogia. “Agora tem muita universidade que o pessoal pode pagar, até a distância, mas falta dinheiro. Quero fazer, preciso fazer e tenho que me atualizar”, admite.

Professores desmotivados e mal pagos são o segundo grande problema da educação apontado pela pesquisa do Ibope Inteligência. “Os professores estão esgotados. Não só pelo baixo salário, mas pelas condições de trabalho. Há uma exigência cada vez maior em relação à performance dos professores”, analisa o especialista em educação Rudá Ricci.

De acordo com dados do Ministério da Educação, dos cerca de 1,6 milhão de professores da rede pública, 600 mil não possuem graduação ou atuam em áreas diferentes daquelas em que se formaram. O MEC promete melhorar essa situação com investimentos de R$ 1 bilhão voltado para a formação dos professores nos próximos três anos. “Nós precisamos é dar mais tempo, qualificar esse tempo de trabalho dos professores”, enfatiza o especialista Rudá Ricci.

Na vila pesqueira de Itapuá, no Pará, o tempo também passa devagar. Tão devagar, que a educação por lá quase não muda. As professoras responsáveis pela alfabetização são as mesmas há 30 anos. “Há momentos em que dá para desanimar. Quando é à tarde, a criança chega aqui com uma preguiça de escrever. ‘Meu filho, o que você tem?’ ‘Ah, eu estou com fome, hoje não almocei’. É que às vezes não tem a merenda na escola. Sempre vem a merenda, mas tem dia que não tem. E é difícil essa situação, aí a gente tem que ser artista”, diz a professora Antonia Ferreira Coutinho.

Com quase 25 anos de trabalho, a professora Maria Neli Souza ainda usa alguns dos livros com os quais começou a dar aulas. “Uso para fazer leitura, fazer trabalho com eles, no caso, texto. Tiro texto daí e vou montar com eles. A versão já está desatualizada, mas tem muita coisa que dá para aproveitar”, acredita.

Só ela recebe salário na casa onde também moram o marido e as duas filhas. Para ganhar um pouco mais, a professora dá aulas em dois períodos e, nas folgas, extrai polpa de frutas para vender. Agora, ela se prepara para a aposentadoria. Mesmo com todas as dificuldades, tem orgulho ao olhar para trás. “Deixei muitas marcas de aprendizagem, porque a gente educar uma criança de primeira série como eu comecei, a pegar na mãozinha para fazer o A, fazer o B. Há crianças que até hoje me chamam: 'Tia!'. É aquela alegria toda, me abraçam, me beijam, graças a Deus. Acho que valeu a pena a minha experiência de trabalho, minha profissão foi ótima”, avalia.

A pesquisa foi feita pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria e do movimento Todos pela Educação. Nesta quarta-feira, na última reportagem especial, a repórter Janaína Lepri vai falar da baixa qualidade do ensino, o terceiro maior problema da educação pública de acordo com os brasileiros.

assista reportagem aqui

17 de março de 2009

Insegurança e drogas são os maiores problemas da educação brasileira

Notícia divulgada no Jornal da Globo do dia 16 de março de 2009

Quais são os maiores problemas da educação pública, na opinião dos brasileiros? A resposta está nas três reportagens especiais que o Jornal da Globo começou a exibir desde segunda-feira (16), com dados de uma pesquisa exclusiva realizada pelo IBOPE, em parceria com o movimento Todos pela Educação.

“A gente vem aqui para estudar, quando chega não tem aula”, diz uma menina de Belém do Pará. “Salários baixos. Os professores ficam desmotivados”, afirma um professor de Cuiabá.

Qual é o maior problema da escola pública no Brasil? Uma pesquisa feita pelo IBOPE Inteligência, em parceria com o movimento Todos pela Educação, fez essa pergunta a brasileiros de todas as regiões do país. E o primeiro lugar no ranking das dificuldades surpreendeu.

Houve um tempo em que a escola era considerada um lugar seguro: dos portões para dentro, a única preocupação era com o aprendizado. Mas os brasileiros mudaram de opinião e agora estão preocupados com o que não está nos livros, mas que faz parte do dia-a-dia dos alunos nas escolas: a segurança e o tráfico de drogas.

Estimulados a apontar os três maiores problemas das escolas brasileiras, 50% dos entrevistados citaram a falta de segurança e as drogas. Em segundo lugar, estão professores desmotivados e mal pagos. E só em terceiro lugar aparece a baixa qualidade do ensino. “Surpreende o apontamento da questão da segurança em primeiro lugar e, de certa forma, talvez esse item explique os dois seguintes, que é a desmotivação dos professores e a questão da dificuldade de aprendizado de algumas crianças, porque, quando você não tem um ambiente de paz, um ambiente próprio para o aprendizado, isso dificulta a relação ensino-aprendizagem, dificulta o trabalho do professor e, por desdobramento natural, também o desempenho dos estudantes”, avalia o ministro da Educação, Fernando Hadad.

Na zona leste de São Paulo, uma escola parece uma prisão. Há grades por todos os lados: nas janelas, nos corredores, nas escadas. E cadeados nos portões. As salas de aula têm portas de ferro trancadas a chave. Mesmo assim, o tráfico consegue entrar. Se um aluno quiser conseguir droga dentro da escola, ele consegue? “Claro que consegue, em qualquer lugar”, conta uma jovem. Todos os alunos sabem onde e quando encontrar droga. “Há muitos meninos que às vezes saem da sala de aula e vão para o banheiro fumar, se drogar lá dentro”, revela a estudante.

A direção chegou a instalar câmeras de segurança nos corredores, mas elas foram destruídas. “O aluno destrói, ele vê uma câmera, acha que aquilo ali está filmando ele, então ele vai lá e destrói. Mas isso é uma questão de conscientização. Quebrou? A gente põe outra”, diz o vice-diretor da escola, Reinaldo Gomes Trindade.

Quando a noite cai, o controle na portaria fica mais rígido. Para entrar, todos os alunos precisam mostrar a carteirinha da escola, uma tentativa de proteger estudantes e funcionários. A professora de ciências conta que já foi intimidada e viveu momentos de tensão dentro da sala de aula. “Já houve casos de o aluno ameaçar: ‘Ah, professora, você vem de carro, professora. Cuidado, hein, professora!’”, lembra Viviane Ribeiro Gadotti.

Não só os professores se sentem inseguros. Em outra escola de São Paulo, recreio só com mochila nas costas. “O pessoal da sétima, da oitava, do resto, fica entrando na sa la e fica pegando as nossas coisas, aí não tem como a gente fazer nada. A única coisa que a gente tem que fazer é levar a mochila junto”, conta a estudante Bárbara Camilo, de 11 anos.

Os alunos reclamam que a escola é desprotegida. “Há pessoas que também não são desta escola, vêm aqui, vêm aos montinhos, ficam aqui no portão, aí o tio pensa que são desta escola e deixa eles entrar”, diz a estudante Isabela, de 10 anos. “Eles não estudam na escola e querem mandar na escola, fazer o que quiser. Picham, quebram, rouba, fazem o que quiserem. E a escola não fala nada”, afirma o estudante Marcelo França da Silva, de 13 anos.

O resultado da pesquisa desafia os especialistas que encomendaram o estudo. Eles arriscam uma explicação para o destaque dado à falta de segurança. “Naturalmente, a pessoa de menor nível de escolaridade, em relação às grandes cidades, mora nas periferias da cidade. São pessoas, do ponto de vista socioeconômico, menos favorecidas. Então elas sentem mais de perto o problema, de forma mais grave, a questão da violência, do tráfico, da droga, principalmente do jovem mais pobre, que é extremamente desprotegido dentro do contexto social atual”, explica o presidente-executivo do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Campos.

Mas os números revelam que todas as classes sociais estão preocupadas com a violência na escola pública. Drogas e falta de segurança são citadas por 56% dos entrevistados com renda familiar entre cinco e dez salários mínimos. E, mesmo entre os mais ricos, o índice chega a 40%. “Também me surpreende que o problema da insegurança na escola tenha essa dimensão. a gente sabe que esse problema existe, mas eu tinha a impressão que estaria mais focalizado em algumas áreas, em algumas cidades, mas a pesquisa mostra que o problema é muito mais amplo, muito mais generalizado do que se imagina, e isso é realmente muito sério”, analisa o sociólogo e educador Simon Schwartzman.

assista reportagem aqui

12 de março de 2009

Violência escolar mostrada em novela promove debate em blog da autora

Zeca é o típico menino bonito, de família endinheirada, sem limites. Na escola, se envolve com brigas, hostiliza colegas, cria transtornos durante a aula. Detalhe: ele costuma se safar, a maior parte das vezes, com apoio ou conivência dos pais. A história, conhecida nas instituições de ensino de todo o país, esquentou o debate entre pais e professores que assistem à novela "Caminho das Índias", do horário nobre da Rede Globo... leia mais

1 de março de 2009

Ministério da Educação terá o maior volume de recursos da história

Em entrevista à Rádio Bandeirantes na manhã da última sexta-feira, 27, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que o orçamento da área chegará a R$ 40,5 bilhões este ano — é o maior volume de recursos da história para o setor educacional.

Segundo Haddad, essa verba pode ser ampliada se o Congresso Nacional aprovar o fim da desvinculação dos recursos da União (DRU) para a educação, em vigor desde 1995. A DRU retirou do Ministério da Educação mais de 20% dos recursos, o que significa, em 14 anos (1995 a 2008), cerca de R$ 100 bilhões.

O ministro também falou da importância da expansão da educação profissional tanto na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, com a criação de escolas técnicas, quanto no ensino médio, de responsabilidade das redes estaduais de educação. “Vivemos a era do conhecimento”, disse Haddad, ao defender o aumento da oferta de vagas para atender os jovens que não desejam ir imediatamente do ensino médio para a universidade.

Ouça a íntegra da entrevista.