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31 de janeiro de 2009

ESPECIAL Rubem Alves - Tênis X Frescobol


Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...
A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:

‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

(Do livro: O retorno e terno, p. 51.)

30 de janeiro de 2009

ESPECIAL Rubem Alves - Pássaro Encantado


Era uma vez uma menina que tinha como seu melhor amigo, um Pássaro Encantado. Ele era encantado por duas razões. Primeiro porque ele não vivia em gaiolas. Vivia solto. Vinha quando queria. Vinha porque amava. Segundo, porque sempre que voltava suas penas tinham cores diferentes, as cores dos lugares por onde tinha voado. Certa vez voltou com penas imaculadamente brancas, e ele contou estórias de montanhas cobertas de neve. Outra vez suas penas estavam vermelhas, e ele contou estórias de desertos incendiados pelo sol. Era grande a felicidade quando estavam juntos. Mas sempre chegava o momento quando o pássaro dizia: "Tenho de partir." A menina chorava e implorava: "Por favor não vá fico tão triste. Terei saudades e vou chorar..."

"Eu também terei saudades", dizia o pássaro. "Eu também vou chorar. Mas vou lhe contar um segredo: eu só sou encantado por causa da saudade que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for não haverá saudade. E eu deixarei de ser o Pássaro Encantado e você deixará de me amar."

E partia. A menina sozinha, chorava. E foi numa noite de saudade que ela teve a idéia: "Se o Pássaro não puder partir, ele ficará. Se ele ficar, seremos felizes para sempre. E para ele não partir basta que eu o prenda numa gaiola."

Assim aconteceu. A menina comprou uma gaiola de prata, a mais linda.

Quando o pássaro voltou eles se abraçaram, ele contou estórias e adormeceu. A menina, aproveitando-se do seu sono, o engaiolou. Quando o pássaro acordou ele deu um grito de dor.

"Ah! Menina...que é isso que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias. Sem a saudade o amor irá embora..."

A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por acostumar.

Mas não foi isso que aconteceu. Caíram suas plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar. Também a menina se entristeceu.

Não era aquele o pássaro que ela amava. E de noite chorava pensando naquilo que havia feito com seu amigo...

Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola. "Pode ir, Pássaro", ela disse." Volte quando você quiser..."

"Obrigado, menina", disse o Pássaro. "Irei e voltarei quando ficar encantado de novo. E você sabe: ficarei encantado de novo, quando a saudade voltar dentro de mim e dentro de você!

28 de janeiro de 2009

Os alunos não são anjos... nem demônios!

Folhendo algumas revistas velhas que ainda sobreviviam em casa, encontrei uma edição de 2003 da revista Nova Escola, onde num artigo do professor António Nóvoa ele cita Severo de Melo, num texto escrito há cerca de 30 anos, sobre situações de indisciplina na escola.

"É vulgar o regozijo de colegas pelos alunos angelicais. Os anos passam e nunca teriam problemas nas relações humanas escolares. As suas seriam o paraíso. (Os alunos ‘são uns amores!’) O clima letivo seria um permanente êxtase místico. A realidade é bem mais dura e, por isso mesmo, mais aliciante. No outro extremo há os mal-humorados, desfiando cronicamente o rosário de suas amarguras pedagógicas, esse destino ingrato de ‘aturar os filhos dos outros’, crianças rebeldes que os pais não sabem educar. A escola seria, nesse caso, a própria imagem do inferno. Nem uma coisa nem outra. Os alunos não são anjos nem demônios. São apenas pessoas (e já não é pouco!)."

Pensemos sobre isso!

27 de janeiro de 2009

MEC oferece cinco cadernos sobre currículo

O MEC publica a série Indagações Curriculares, o documento propõe oferecer respostas para cinco perguntas sobre o currículo: o que é; para que serve; a quem se destina; como se constrói; e como se implementa?

O material está dividido em cinco eixos que são tratados em cadernos específicos elaborados por uma equipe de especialistas, sob a coordenação da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação. Esse material foi distribuído às escolas das redes públicas estaduais e municipais, a partir de dezembro de 2008.

Cada caderno trata de um eixo e apresenta a relação dos especialistas e coordenadores que trabalharam na construção dos conteúdos:

Currículo e desenvolvimento humano – Texto elaborado por Elvira Souza Lima, traz uma reflexão sobre o tema tendo como referência conhecimentos de psicologia, neurociências, antropologia e lingüística. O documento tem 56 páginas.

Educando e educadores: seus direitos e o currículo – É um material construído por Miguel Gonzáles Arroyo, que ressalta a importância do trabalho coletivo dos profissionais da educação na construção de parâmetros de sua atividade. Material com 52 páginas.

Currículo, conhecimento e cultura – De Antônio Flávio Moreira e Vera Maria Candau, apresenta elementos para reflexão sobre questões consideradas significativas no desenvolvimento do currículo nas escolas. Aborda a construção do conhecimento escolar como característica da escola democrática, que reconhece a multiculturalidade e a diversidade como elementos de construção do processo ensino-aprendizagem. Texto com 48 páginas.

Diversidade e currículo – Conteúdo preparado por Nilma Lino Gomes, apresenta reflexões colocadas por educadores nas escolas e em encontros da categoria: que indagações a diversidade traz para o currículo? Como a diversidade é pensada nos espaços sociais? Como lidar de modo pedagógico com a diversidade? Texto com 48 páginas.

Currículo e avaliação – No caderno de Cláudia de Oliveira Fernandes e Luiz Carlos Freitas, a avaliação é apresentada como uma das atividades do processo pedagógico da escola. O texto faz considerações sobre a avaliação da aprendizagem dos estudantes que ocorre na escola, avaliação da escola e do sistema escolar. Material com 44 páginas.

A íntegra dos cadernos está disponível aqui.

26 de janeiro de 2009

Dicionário Interativo de LIBRAS

Conheça melhor as palavras, termos e expressões na Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS. Neste site será possível realizar a busca de palavras e vê num vídeo a demonstração detalhada para que o usuário aprenda.

Vale a pena conferir: http://www.acessobrasil.org.br/libras/

22 de janeiro de 2009

Proposta cria Fundo de Desenvolvimento da Educação Profissional

Está pronta para ser incluída na Ordem do Dia proposta que cria o Fundo de Desenvolvimento de Educação Profissional (Fundep). De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a PEC 24/05 determina que a reserva seja composta por 2% do produto da arrecadação do Imposto sobre a Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além de 7% da arrecadação do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).

A proposta previa a designação de 30% da arrecadação das contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, o chamado "Sistema S", para compor o fundo. O relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), senador Demóstenes Torres (DEM-GO), retirou esse dispositivo por acreditar que "essas entidades vêm há seis décadas prestando relevantes serviços aos trabalhadores e respectivos setores produtivos e não deveriam perder recursos".

Para compensar a retirada dos recursos que seriam oriundos do "Sistema S", o relator na CCJ aumentou de 3%, montante previsto inicialmente na PEC, para 7% a contribuição procedente dos recursos do PIS e do Pasep.

Paulo Paim, na justificativa ao projeto, afirmou ser unânime o pensamento dos educadores, dos trabalhadores e da classe patronal de que a educação profissional precisa contar com uma fonte segura de financiamento, não somente para sua manutenção, mas, principalmente, para sua expansão e desenvolvimento.

O senador acredita que, decorridos dois a três anos da implantação do Fundo, espera-se triplicar o número de matrículas em cursos profissionais de nível médio e expandir significativamente os cursos de menor duração, destinados à formação continuada de trabalhadores.

Elina Rodrigues Pozzebom / Agência Senado

20 de janeiro de 2009

Palestra: O trabalho da coordenação pedagógica

Com o público composto pelos coordenadores pedagógicos e de turno da rede municipal de Senador Canedo/Goiás, estive ministrando uma palestra em evento promovido pela Secretaria Municipal de Educação. Para ter acesso a apresentação utilizada basta clicar sobre a imagem abaixo.

Para acessar o conteúdo você precisa ter o programa Acrobat Reader. Para instalá-lo, clique aqui

19 de janeiro de 2009

Palestra: O gestor da escola pública

Palestra feita em Senador Canedo/Goiás, em evento promovido pela Secretaria Municipal de Educação. Para ter acesso a apresentação utilizada basta clicar sobre a imagem abaixo.

Para acessar o conteúdo você precisa ter o programa Acrobat Reader. Para instalá-lo, clique aqui

15 de janeiro de 2009

Entrevista no Programa Papo Cabeça - Profissões do Futuro

Participei do programa Papo Cabeça da INTERATIVA FM - 94,9 de hoje, onde foi discutido o tema PROFISSÕES DO FUTURO. Foi um bate papo descontraído e bastante informativo.

No programa discutimos sobre os cursos superiores de tecnologia, as caracteristicas do profissional na atualidade e sobre as profissões de destaque na atualidade.

No link abaixo você pode baixar o arquivo com o programa na integra e ouvi-lo em seu computador ou MP3 Player.

Audio completo do programa (ATENÇÃO: arquivo compactado)

Matrícula cresce mais em creche e educação profissional

Duas áreas normalmente negligenciadas na educação brasileira foram as que mostraram maior crescimento no censo escolar de 2008. O número de alunos matriculados na educação profissional subiu 14,7% na comparação com 2007. Já as crianças em creches aumentaram 10,9%. Em números absolutos, o crescimento da educação profissional de ensino médio não representa muito. São apenas mais 101.849 matrículas em um universo de 8,4 milhões de jovens que fazem o ensino médio. Mas, em alguns Estados, as matrículas dobraram, ou quase isso. No Acre, subiram 107,7%. No Tocantins, 78,7% e no Distrito Federal, 86,8%.

O crescimento se deu basicamente nas redes estaduais de ensino. Apesar dos investimentos feitos pelo Ministério da Educação para criação de novas escolas federais de ensino técnico, a maior parte delas ainda não está funcionando totalmente. O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse acreditar que o crescimento seja resultado de "uma compreensão da necessidade de se oferecer uma oportunidade profissional ao jovem o mais cedo possível", e ressaltou que "apenas nos cursos técnicos vinculados ao ensino médio, a matrícula subiu 20%".

Nas creches, a explicação para o crescimento foi a inclusão das escolas, nos últimos três anos, no Fundo de Desenvolvimento da Educação, tanto das unidades públicas como das conveniadas - fundações e outras instituições que oferecem atendimento gratuito. Os maiores aumentos foram no Distrito Federal (43,1%) e no Pará (30,6%). Em São Paulo, as matrículas de crianças de 0 a 3 anos subiram 18,8%, chegando a 486,7 mil.

No ensino fundamental, que concentra 32 milhões dos 53,2 milhões de matrículas da educação básica brasileira, praticamente não houve alteração, com uma queda de apenas 35,3 mil alunos. Já o ensino médio, mais uma vez, não se mexeu. Apesar do atendimento de jovens de 15 a 17 anos estar estacionado em 82% da população, esse nível de ensino continua estagnado. Teve apenas uma leve queda, de 3,3 mil matrículas entre 2007 e 2008.

Fonte: Abril Notícias

8 de janeiro de 2009

COMO FAZER UMA BOA BUSCA NA INTERNET

Quando você vai fazer uma pesquisa na biblioteca, tem na cabeça um tema e muitas perguntas. Para responder a todas elas, começa procurando uma boa bibliografia. Na internet é mais ou menos a mesma coisa. O que muda é a maneira de encontrar o que você precisa. Se não há livros numerados nas prateleiras, organizados por assunto ou autor, o jeito é saber como chegar às fontes de informação disponíveis na rede mundial de computadores. O canal são os diversos sites de busca grátis. Para usá-los bem, é preciso conhecer alguns recursos.

Se você quer encontrar resenhas de grandes romances brasileiros, por exemplo, não adianta pesquisar por romances. Além de o resultado ser amplo demais - retornam mais de 1,5 milhão de páginas -, a maioria dos sites é em inglês e muito deles têm mais relação com amor e sexo do que com Dom Casmurro, de Machado de Assis. É necessário peneirar os resultados. Primeiro, pesquisar apenas em páginas do Brasil. Só com essa estratégia, o universo da busca cai para 115 mil. Dá para ir além. Digitando romances Brasil resenhas (não é necessário usar "e"), a seleção fica em 3 mil páginas e já é possível encontrar bons textos.


Sinais que indicam o caminho
Alguns códigos são essenciais quando o foco da procura é alguém famoso ou algum termo com mais de um significado. Confira abaixo.

Aspas (" ") Ao procurar informações sobre um educador importante, como Paulo Freire, coloque o nome todo entre aspas. Assim, o mecanismo de pesquisa percorre a rede atrás de documentos que apresentem apenas as palavras Paulo e Freire juntas.
Subtração ( - ) Se o objetivo é encontrar dados sobre Fernando Henrique Cardoso (FHC) apenas como sociólogo, utilize o sinal de subtração (-). Entrando no Google (www.google.com.br) com o nome completo entre aspas, o resultado traz 183 mil páginas. Nelas estão incluídas citações sobre o trabalho de FHC também como presidente da República. Escrevendo "Fernando Henrique Cardoso" -presidente, a pesquisa retorna 34 mil textos.
Adição (+) É possível refinar ainda mais a busca usando o sinal de adição (+). Ao digitar "Fernando Henrique Cardoso" -presidente+sociólogo, somente 534 páginas são encontradas. E a primeira da lista já aborda a atuação de FHC como sociólogo.


Cuidado na análise do resultado
Ao avaliar o resultado da pesquisa, considere o porquê de um site aparecer antes dos demais. "Nem sempre o primeiro endereço indicado é o mais interessante", explica Nelson Pretto, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Veja o que levar em conta na hora de optar pelas páginas que irá utilizar.

Critério de exibição
As ferramentas de busca vasculham a web em segundos e trazem a informação mais relevante segundo normas próprias. "Entre os mais de 100 critérios com pesos e análises diferentes, estão o número de vezes que cada link já foi clicado por outros internautas e a ocorrência da palavra no nome da página", explica o especialista Thiago Rodriguez, gerente de marketing do site BuscaPé. Há também fatores comerciais. "A maioria dos buscadores cobra para que um site apareça entre os primeiros dez resultados em casos de pesquisa por determinadas palavras", alerta Thiago.

Data: A data de publicação da página é outro dado importante se a procura for por notícias. Há risco de os sites exibirem informações desatualizadas.
Assinatura: Observando o endereço da página, é possível ter uma idéia da credibilidade do conteúdo. As extensões .gov (governamentais), .org (instituições sem fins lucrativos) e .edu (universidades, fora do Brasil) são mais indicadas. A extensão .com, que é a mais comum, abriga de tudo - muita bobagem, mas também sites de jornais e revistas. "É importante observar ainda quem é o responsável pela página. Para conhecê-lo, procure o link quem somos", afirma o jornalista Marcelo Soares, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo.


Diferentes jeitos de pesquisar

Os consultores recomendam fazer a pesquisa em, no mínimo, três sites. De acordo com Nelson Pretto, a experiência fica ainda mais interessante quando um único tema é pesquisado de diferentes maneiras. É possível encontrar textos de natureza diversa sobre a morte da freira Dorothy Stang - ocorrida no Pará em fevereiro - modificando a forma de pesquisa. Veja os exemplos:

"Dorothy Stang" +blog +paraense -um dos primeiros resultados é um texto informal, cheio de adjetivos, de uma jovem moradora da Região Norte.
"Dorothy Stang" +jornal - chega-se a um texto jornalístico e não opinativo.
"Dorothy Stang" +análise - o mecanismo traz textos de especialistas que analisam o assassinato.
"Dorothy Stang" +trabalhadores - a busca leva à página do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que descreve o caso criticando o governo.

6 de janeiro de 2009

Educação nacional terá debates em 2009

Em 2009, todos setores da educação básica e da superior e da pós-graduação públicas e particulares do país estarão mobilizados na preparação da 1ª Conferência Nacional de Educação (Conae). O tema central será Construindo um Sistema Nacional Articulado de Educação: Plano Nacional de Educação, suas Diretrizes e Estratégias de Ação.

O encontro, que começou a ser organizado pelo Ministério da Educação em 2008, tem uma agenda de trabalho para os 12 meses de 2009. No primeiro semestre, as conferências preparatórias ocorrerão nos municípios; no segundo semestre, nos 26 estados e no Distrito Federal. A conferência nacional será realizada de 23 a 27 de abril de 2010, em Brasília.

A Conae, segundo o coordenador da comissão organizadora e secretário-executivo adjunto do MEC, Francisco das Chagas, é um espaço democrático, aberto pelo Poder Público, para que todos os cidadãos possam participar do desenvolvimento da educação nacional. A fim de assegurar essa abrangência, a comissão organizadora prevê a participação ampla de estudantes, professores, servidores de escolas e universidades e agentes públicos da sociedade civil e do Ministério Público.

Nas conferências municipais e estaduais serão eleitos os dois mil delegados que participarão da Conferência Nacional. Participarão, também, cerca de 400 convidados, entre representantes das áreas sociais do governo, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, das confederações patronais e sindicais e do Ministério Público dos estados.

4 de janeiro de 2009

Ano Novo, Ortografia Nova!

O Acordo Ortográfico dos Países de Língua Portuguesa entrou em vigor em 1º de janeiro, introduzindo mudanças no uso do trema, do hífen e na acentuação de palavras. A hora é de esquecer parte das regras aprendidas na escola e se adaptar às modificações, que têm por objetivo unificar a ortografia das oito nações que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Apesar das mudanças, a grafia de algumas palavras, como "reeleição", deve se manter mesmo contrariando as novas regras, que indicam a separação das letras E consecutivas por hífen. É o que deve ocorrer em casos de uso consagrado, segundo o especialista em lexicografia e membro da Academia Brasileira de Letras Evanildo Bechara, responsável por esclarecer as dúvidas que a reforma suscitar. A lista completa de exceções só deve estar disponível após a publicação do novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, prevista para até o fim de fevereiro.

Enquanto isso, é possível ir se acostumando com as novas regras. A Editora Melhoramentos colocou à disposição em seu site uma versão em PDF do Guia Prático da Nova Ortografia Michaelis, elaborado pelo professor e gramático Douglas Tufano.

Guia da Reforma Ortográfica - Editora Melhoramentos