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19 de dezembro de 2009

Feliz Natal, Boas Festas e um pequeno recesso...

Caros Leitores,

Como também não sou de ferro, estarei dando uma pequena pausa nas atualizações aqui do Depois da Aula. Retorno a partir do dia 05 de Janeiro de 2010...

Desejo a todos um final de 2009 com muito alegria e votos que 2010 seja um ano bem melhor para todos!

Carpe Diem...

Prof. Frederico Dourado Rodrigues Morais



Baixa aqui o cartão

16 de dezembro de 2009

Gansos e patês

Uma amiga tem ideias curiosas sobre as escolas. Vivendo em uma cidade do interior, viu-se diante da encruzilhada difícil: “Qual a melhor escola para meu filho?” Pôs-se a campo visitando as tidas como as melhores. A cena se repetia. O diretor ou diretora se encontrava com a perspectiva de uma matrícula a mais. Fazia seus melhores esforços para convencer a mãe. Mostrava-lhes salas, laboratórios, quadras de esportes. Terminada a excursão, minha amiga tinha duas perguntas a fazer.

“-O senhor sabe, nosso mundo é competitivo, há o vestibular no horizonte, o mercado de trabalho, e eu gostaria de saber como é que sua escola lida com esses problemas...”
O diretor, seguro de sua filosofia de educação, respondia:

“-Essa é nossa grande preocupação. Precisamos preparar as crianças para o futuro. Assim, nossos professores são orientados no sentido de apertá-las ao máximo para que sejam vencedoras. Quanto a isso a senhora pode estar tranqüila.”

Aí ela continuava:
“-Sua resposta me esclareceu muito. Mas há uma última pergunta que quero fazer. As crianças passam apenas um período na escola. No outro período elas ficam com o tempo livre. O que fazer com esse tempo?”

Respondia o diretor: “-A resposta a essa pergunta já está implícita no que eu lhe disse. Não permitimos que as crianças tenham esse tempo ocioso. Damos tanta lição de casa que elas têm de trabalhar o dia inteiro...”
Aí a minha amiga concluía:

“-Sabe, senhor diretor, eu acho que a infância é um tempo tão bonito que é triste apertar as crianças em nome de um futuro hipotético. As crianças não podem viver hoje em função do amanhã. A vida delas é no hoje. Se elas forem ‘apertadas’, vão acabar por odiar a escola e o aprender. Além do que, as crianças devem ter num tempo livre para viver suas próprias fantasias, para brincar. Se elas tiverem todo o seu tempo tomado por deveres de casa perderão a alegria...”

E com essas palavras despedia-se do diretor perplexo.

Ela peregrinou de escola em escola e era sempre a mesma coisa. Até que chegou a uma periferia, condições físicas precárias, diretor esquisito. Perguntado sobre sua filosofia de educação, ele respondeu:

“-Acho que a coisa mais importante para as crianças nessa fase é que elas aprendam a se comunicar. Que aprendam a amar os livros. Que gostem de escrever. Uma criança que ama os livros tem o mundo aberto a sua frente...”

Minha amiga matriculou o seu filho nessa escola e ainda fez propaganda.
É preciso reconhecer que essa amiga anda na direção contrária. A maioria dos pais caminha na outra direção. Querem escolas fortes, que apertem, que preparem seus filhos para o vestibular, que encham o tempo dos alunos com um mundo de lições. Eles não estão interessados na educação dos seus filhos. Talvez nem saibam o que isto seja.

Vi, na antiga revista Life, a foto de um ganso sendo engordado para que seu fígado ficasse dilatado, próprio para ser transformado em patê. O cuidador do ganso segurava sua cabeça apontando para cima, um funil enfiado em seu bico, por onde a comida era enfiada, à força. Terminada a operação, para evitar que ele vomitasse a comida que ele não queria comer, seu pescoço era amarrado. Essa imagem dispensa explicações. Quem é o ganso? Quem é aquele que segura a cabeça do ganso? Quem é aquele que lhe enfia a comida goela abaixo? E o patê? Quem vai comer o patê? De uma coisa eu sei. Não será o ganso...

Autor: Rubem Alves

14 de dezembro de 2009

Uma "dose" de arte...


Embebedai-vos

(Baudelaire)

“É preciso estar-se, sempre, bêbado.
Tudo está lá, eis a única questão.
Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-os para a terra,
é preciso embebedar-vos sem trégua.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa.
Mas embebedai-vos.

E se, à vezes, sobre os degraus de um palácio,
sobre a grama verde de uma vala,
na solidão morna de vosso quarto,
vós vos acordardes,
a embriagues já diminuída ou desaparecida,
perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são;
e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão:
“É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar!
De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.”


Pequenos poemas em prosa, Record, 2006, tradução de Gilson Maurity.

10 de dezembro de 2009

Quer uma escola segura? Abra a porta

07/12/2009 - JORNAL DO BRASIL

Dirigi duas grandes pesquisas para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) há alguns anos atrás. A violência nas escolas foi um dos temas em investigação.

Os dois bancos de dados nos empurravam para a mesma conclusão; qual a escola que menos sofria com problemas de violência, de qualquer tipo? A escola que estava mais aberta para a comunidade.

Qual a escola que sofria mais com problemas de violência? A escola que optava por se trancafiar entre grades e correntes nas portas.

Quer uma escola segura? Quer reduzir os índices de violência dentro da escola? Abra as portas da escola para a comunidade. Tão simples, tão fácil de entender que até envergonha, ninguém agride a sua própria casa, qualquer um agride um corpo estranho que se instala na comunidade como um carrapato.

Quando a escola se insere na comunidade, quando é considerada por todos ali como parte dela, quando os velhinhos vão para lá jogar um carteado, quando mães e pais a utilizam para festividades do bairro, quem irá até lá para uma agressão, pichação, enfim para qualquer tipo de violência? Ao contrario, quando a escola se fecha, trancafia-se, transmite uma mensagem sem ambiguidade, esta escola desconfia da comunidade, não quer seus membros por perto, todos são culpados até prova em contrario. Claro, será objeto de violência, mera devolução da agressão que provocou na comunidade.

Aqui, ocorre com clareza didática a profecia que se auto-realiza, providencias para evitar a violência provocam o que estavam querendo evitar, quem quiser se proteger da comunidade sofrerá suas agressões, quem se irmanar com ela será por ela protegida. Nenhuma novidade, armas insuflam a violência, principalmente quando são criadas para proteger qualquer um contra ela, porque seria diferente nas escolas?

Quando a escola se fecha, transmite a mensagem que desconfia da comunidade.


por, Wanderley Codo, PROFESSOR DE PSICOLOGIA SOCIAL DA UNB

8 de dezembro de 2009

Professora premiada fala de Reconhecimento e Desafios

Motivar os estudantes da atual "geração ctrl c, ctrl v" ou do "clic e encontre tudo pronto!" tem sido o maior desafio de nossas escolas.

Antes de ir a Brasília onde foi uma das premiadas do Prêmio Professores do Brasil, a professora Nidiane A. Latocheski, professora do município de Vilhena/RO concedeu esta bela entrevista ao site Depois da Aula.


Conte-nos sobre o projeto "Reestruturação da Sala de Leitura Álvares de Azevedo". Como surgiu a idéia? O que a motivou? E os resultados desta empreitada...

Criada em 1999, A Sala de Leitura Álvares de Azevedo, desde sempre, contou com o apoio da comunidade local para realizar ações pautadas na formação e autonomia de leitores proficientes. E, incentivar a leitura, popularizar o livro e sua circulação, requer a reorganização do ambiente que torna o ato de ler um verdadeiro prazer e amplia a visão de mundo dos seus usuários.

A reorganização do ambiente Sala de Leitura compreendeu a reposição dos antigos jogos de sofás e cadeiras de fio, bem como plásticas (uma miscelânea de acentos ou similares) por novos bancos de madeira padronizados, bem como escrivaninhas e estante; persianas e acervo literário condizente com as expectativas do público-alvo: adolescentes. Vale lembrar que os alunos, principalmente, do Ensino Médio participaram ativamente do projeto. Desde a sua criação, sugeriram necessidades e melhorias em prol de sua aprendizagem efetiva, “arregaçaram” as mangas no processo e, atualmente, usufruem do espaço nas aulas semanais de leitura.

Neste sentido, os envolvidos no projeto foram contemplados em aprender, na prática, o que é um projeto em parceria com a comunidade.

Como foi o envolvimento dos país e da comunidade no projeto?
Excelente! Um exemplo a contar foi durante a etapa de fabricação dos móveis, os alunos do 3° ano realizaram a leitura de poesias e junto à professora de Língua Portuguesa Lucineide Rodrigues, criaram então, o projeto Poesia Solidária, que resultou na arrecadação de alimento não perecível (237,75 Kg) para cestas básicas doadas às famílias carentes da comunidade escolar. Neste evento, os alunos apresentaram as poesias lidas de forma teatral, musical ou declamadas em vídeos, produzidos por eles e também através de apresentação “ao vivo”. Também arrecadaram a importância de R$ 250,00, que comprariam as espumas “com desconto” – idéia inicial. Porém, o Sr. Luiz, responsável pelo setor de espumação da fábrica Portal Colchões, doou as espumas e possibilitou bancos mais confortáveis, proporcionando a leitura mais agradável também, já que os alunos ficam por uma hora lendo nesse espaço.

A leitura é o grande desafio da escola?
Sim. A leitura sempre é um desafio. Motivar os estudantes da atual "geração ctrl c, ctrl v" ou do "clic e encontre tudo pronto!" tem sido o maior desafio de nossas escolas. Aqui em Vilhena (único município do Estado em que há Salas de Leituras em pleno funcionamento - nas 13 escolas Estaduais), proporcionamos um atendimento semanal, durante 1hora a todas as turmas do colégio. Nessas aulas buscamos contemplar projetos que envolvam os alunos e os motivem ao hábito de ler e construir conhecimentos através das leituras variadas ou ainda experimentarem novas experiências através do livro.

Voltando a falar do prêmio... Como foi todo o processo, da inscrição ao telefonema informando sua conquista?
Soube do prêmio lendo o "Depois da Aula"- site que acompanho a alguns meses depois que criei o blog. Vi a prorrogação da data e mandei no último minuto de funcionamento do dia 30/09/09 - prazo final. Quase que não mando devido ao horário de fechamento do sistema nos Correios 17h - Detalhe: O correio daqui fecha às 16h e cheguei lá às 16:30, graças à Miriam que permitiu minha entrada, já que o sistema ainda aceitaria... Depois de correr atrás da documentação, arquivos de foto, projeto, depoimentos dos alunos, site de notícia, Orkut da Sala de Leitura Álvares de Azevedo, para comprovação dos dados relatados.

Sobre o telefonema, nossa! Nem acreditei! Pensei tratar-se de um trote. Mas, quando falou "Professora Nidiane, aqui é do MEC, queremos parabenizá-la..." comecei a tremer um súbito misto de alegria, euforia, emoção à flor da pele, indescritível.
O que este prêmio representa para o trabalho de uma professora? É um renovar das forças? Dever cumprido...

Sem dúvidas representa O RECONHECIMENTO do trabalho de 5 anos como coordenadora da Sala de Leitura. Renovação das forças e dever cumprido. Ainda representa que nada vem de graça e que parafraseando "alguém" que não me lembro quem agora - "Sucesso só vem antes de Trabalho no dicionário".

E a repercussão do premio na sua vida profissional e pessoal... Imagino que você esteja bem mais conhecida...
Sim. Agora, todos os meus alunos me falam: "te vi no site", "no jornal", etc. Repercussão rápida, e às vezes preocupante. Virei "vitrine", então, me cobram mais e mais. O que eu já faço comigo...Sou perfeccionista e me exijo bastante, logo tenho alguns "trabalhos extras" (risos) - mas, ainda não estou fazendo terapias (risos).
Nasci e me criei em Vilhena, então, muitos já me conheciam. Fui embora em 1999 para a capital Porto Velho, onde trabalhei retornei em 2005. Desde lá, revi antigos amigos, fiz novos e sempre busquei ampliar a rede de contatos, o que facilitou as parcerias.

Além de uma grande professora você também mantém um blog. E como já disse o Depois da Aula foi o canal onde você ficou sabendo do Prêmio. Assim gostaria de saber o papel destas tecnologias da informação, principalmente a internet, no trabalho de um professor hoje. Contribui? E como? E como tem sido sua experiência com a Web?
E como contribui. Hoje está muito difícil ensinar com "giz e saliva" apenas. Como já disse, a geração atual pensa, cria, recria, tem iniciativa numa velocidade impressionante. Então, acompanhar "um pouco" o ritmo deles exige nossa dedicação e também aprendizado. Ao contrário do que muitos professores pensam, digo que aprender com meus alunos é me tornar aluna e professora que os compreende um ciclo de aprendizagem mútua, e também acabamos por criar um elo, além da relação professor-aluno, mas da relação "alunamigos". Sem sombra de dúvidas, as aulas envolvendo mídias são mais atraentes, participativas e o principal: podem ser colaborativas.

Concluí neste ano dois cursos on-line, promovidos pelo MEC e espero que continuem promovendo e nos dando suporte, pois, os LIES (Laboratório de Informática Educacional) das escolas equipadas precisam dos professores aptos à utilização dos recursos.

E agora professora, quais seus novos projetos? Mais um prêmio em vista...
Olha, essa foi sua pergunta mais difícil de ser respondida. Mas, estou amando essa vida de contribuição digital. Então, penso em me aprofundar nos conhecimentos dessa área e quem sabe galgar um mestrado, doutorado. Preciso me organizar, pois, além dos projetos, trabalho em três escolas - duas da rede pública estadual e ainda na particular (Sesi).

Sobre prêmios, esse é o primeiro, inesquecível, especial, que acrescentará um item importante no meu currículo. Que venham outros prêmios, concursos, eventos, projetos... O que eu puder participar e conseguir valerá a experiência. Serão bem vindos. Por isso, continue mantendo-me informada sobre as inscrições. (risos)

6 de dezembro de 2009

Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas

O Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas - a escola aprendendo com as diferenças - valoriza as iniciativas de quem trabalha para garantir o direito de todos à educação. São diretores, equipe docente, alunos, pais, entre outros, que colocam na prática políticas, programas e ações para efetivar o direito à educação dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.

Um reconhecimento às escolas que trabalham para garantir o acesso, a participação e a aprendizagem de todos os alunos. Inscrições de 16 de novembro de 2009 a 12 de março de 2010.

O Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas é uma realização do Ministério da Educação do Brasil, através da Secretaria de Educação Especial, em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos, com patrocínio da Fundação Mapfre e apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais (UNDIME).

Mais informações clique aqui

4 de dezembro de 2009

Somos, sim, racistas

por Phydia de Athayde - Revista Carta na Escola (Edição 40)

As universidades têm adotado critérios distintos de políticas afirmativas e contemplado outros grupos, como índios. Mas só o benefício a negros incomoda

Em 2000, entre os 50 calouros de Direito na Universidade Federal de Sergipe, havia quatro negros, dos quais apenas dois se formariam. Ilzver de Matos Oliveira era um deles. Os quatro anos de curso não foram suficientes para que uma professora aprendesse a distinguir Ilzver de outro colega. “Ela não conseguia perceber que tínhamos um rosto peculiar e próprio, além da pele negra comum. Só depois percebi o quanto ela destruía a minha identidade e autoestima”, diz o hoje professor substituto na mesma universidade. “A discriminação no Brasil quase nunca é explícita. Somos culturalmente trabalhados para evitar conflitos.”

A trajetória de Ilzver, 29 anos, teria sido como a de muitos garotos nascidos em famílias pobres. Por sorte, um tio o apadrinhou e custeou dois anos de escola particular quando ele tinha 8 anos. Aos 18, prestou vestibular para Medicina na Universidade Federal de Sergipe. Não passou. Aos 19, novo fracasso. Na terceira tentativa, optou por Direito e entrou em 18º lugar. “A primeira ação afirmativa da minha vida foi a ajuda desse tio”, diz. Formado, ele concorreria a uma bolsa de pós-graduação da Fundação Ford. Oliveira cumpria os pré-requisitos necessários e, aprovado, tornou-se mestre em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia e em Sociologia (pela Universidade de Coimbra). Além da função na universidade federal, hoje leciona na Faculdade Pio Décimo, também em Aracaju, e milita pelos direitos dos negros em Sergipe.

Em 2010, pela primeira vez a Universidade Federal de Sergipe reservará metade de suas vagas para alunos vindos do sistema público de ensino. Destas, 70% serão destinadas aos que se declararem negros, pardos ou indígenas. Além disso, em cada curso haverá uma vaga para portadores de necessidades especiais. O programa de ação afirmativa foi aprovado pelo Conselho da universidade e ficará em vigor durante dez anos.

Assim tem sido até hoje nas instituições públicas de ensino superior, onde os conselhos de ensino discutem os termos e aprovam o sistema de cotas – ou de bonificação – para grupos desfavorecidos. Facilitar o acesso a quem tem menos condições é o cerne das ações afirmativas.

Nos últimos 14 meses, o total de universidades que adotam algum tipo de ação afirmativa saltou de 69 para 93. Dentre elas, as que utilizavam algum recorte racial passaram de 55 para 67. Por recorte racial entenda-se a ação afirmativa dirigida não apenas a negros, mas também a indígenas (estranha e providencialmente suprimidos do debate “racial” das cotas). Este levantamento, atualizado até agosto de 2009, é resultado do trabalho de grupos da UERJ, da PUC-Rio, da Universidade de Brasília (UnB) e do CNPq, que monitoram as ações afirmativas no País.

João Feres Junior, coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa, ligado ao Iuperj, detalhou ainda mais quais são e como se dividem os critérios das ações afirmativas nas universidades brasileiras (quadro à página 36). “Alguns programas têm por objetivo a promoção de somente um grupo de pessoas desfavorecidas, outros beneficiam dois, três, quatro ou até cinco categorias diferentes. E as categorias são também de natureza heterogênea: etnia, raça ou cor da pele, origem regional, renda e educação pública”, comenta.

Em meio a tantos critérios, moldados pelas características próprias dos locais onde estão essas universidades, um único aspecto tem sido capaz de, sozinho, dividir a comunidade acadêmica, gerar discursos inflamados, acirrar ideologias e ser questionado na Justiça: a identificação dos negros entre os beneficiados. Este é o ponto central da ação movida pelo DEM, o ex-PFL. O DEM quer que a Justiça proíba a matrícula dos alunos que entraram usando as cotas na UnB (a instituição usa apenas o critério etnorracial) e, mais que isso, declarar inconstitucionais quaisquer iniciativas que utilizem o critério de raça negra para conceder qualquer tipo de benefício.

A advogada Roberta Kaufmann, autora da ação, disse ter procurado diversos partidos políticos até encontrar eco a sua causa. Pupila de Gilmar Mendes, foi orientada pelo próprio presidente do Supremo Tribunal Federal no mestrado em que questiona a necessidade de ações afirmativas no Brasil. Conclui que é melhor ficar tudo como está. Pelo menos, no que diz respeito aos negros. Pobres, argumenta, ainda poderiam receber algum auxílio. O presidente do STF redigiu a apresentação do livro de Roberta, que trabalha no Instituto de Direito Público (IDP), do qual Mendes é sócio.

Apesar de ter negado a suspensão das matrículas dos cotistas, Mendes elogiou o trabalho da pupila e, em seu despacho, indicou concordar com a tese do DEM. O próximo passo será a discussão, em plenário, do mérito da ação, que dificilmente ocorrerá neste ano.

“Há um descompasso entre a prática das ações afirmativas e o estardalhaço quanto a elas na mídia e em algumas instâncias da Justiça”, avalia Fúlvia Rosemberg, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e responsável pelo programa de bolsas de pós-graduação da Fundação Ford. “O Brasil oferece acesso preferencial e benefícios a muitos grupos, mas esperneia-se nas universidades públicas porque são um reduto das elites.”

No debate contra ou a favor das cotas para negros, diz a pesquisadora, não se discute o racismo de hostilidade e ofensas, mas um processo sutil de discriminação baseada em desigualdades com base étnica e social. Um padrão de segregação racial informal, mediado pelo nível socioeconômico.

Entre os 25 mil alunos da UnB, há 3.225 cotistas. No vestibular, 20% das vagas são destinadas a negros, independentemente de terem vindo de escolas públicas ou privadas, que concorrem entre si. Como em todas as demais universidades, a adesão às cotas é voluntária. “Em alguns cursos, a nota de corte dos cotistas é mais alta que a dos demais e a maioria é de baixa renda. Para a UnB, as cotas são um ato político”, defende o professor de antropologia José Jorge de Carvalho, que ajudou a implantar as cotas na universidade. Em termos de desempenho acadêmico, não há grande diferença no rendimento anual dos alunos da UnB em geral. Na Universidade Federal da Bahia, onde as cotas foram criadas em 2005, os alunos negros já representam 75% do total.

A Unicamp tem uma experiência diferente. Não existem cotas e, sim, bônus na pontuação do vestibular. Numa prova que vale 500 pontos, alunos oriundos da escola pública ganham 30 e se forem negros, mais 10 pontos. A ideia surgiu da observação do desempenho desses alunos na vida acadêmica. “Os pontos de bônus apenas corrigem as distorções do vestibular. Tornam mais competitivos os alunos que, lá na frente, terão melhor desempenho”, explica Leandro Tessler, assessor da reitoria. Em mais da metade dos cursos, os alunos que receberam os bônus têm médias melhores. “É importante unir inclusão social a desempenho acadêmico. Tudo o que eu não quero é uma lei me obrigando a implantar cotas, pois elas não consideram as demandas dos cursos.”

Como a experiências são recentes, ainda é cedo para dizer qual será o futuro das ações afirmativas no País. Nos Estados Unidos, duraram cerca de 50 anos. Até hoje é legal o uso da etnia como critério para ações afirmativas, mas desde 1976 não há mais cotas nas universidades, ainda que a raça possa ser considerada na seleção. Na Califórnia, desde 2003 os bônus são analisados caso a caso.

“As cotas têm o fator positivo de dar um tratamento de choque ao forçar a sociedade a pensar em um tema real, a discriminação e o racismo. Mas não deixam de ser uma forma de discriminação, mesmo que positiva”, ressalva o educador e psicólogo da USP, Yves de La Taille. “É sempre delicado separar as pessoas pelo que for, fere a ideia de igualdade, por isso as cotas poderão gerar inclusão ou reforçar a discriminação.”

Para além dos corredores das universidades, há outra mudança em curso no Brasil no que diz respeito à raça e cor. É o que defende o pesquisador do Ipea e do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdade da UFRJ, Sergei Soares. Ele analisou recortes de população da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, e notou que, entre 1996 e 2001, começou um processo de mudança em como as pessoas se veem e como se declaram para os pesquisadores (quadro à página 35). “Elas passam a ter menos vergonha de dizer que são negras. Isso antecede as cotas e continua até hoje.” Soares argumenta que o impacto numérico das cotas é muito pouco relevante na população brasileira, comparado ao do ProUni, o programa federal que dá isenção fiscal a faculdades privadas que oferecerem bolsas a estudantes de baixa renda inscritos no programa.

Para o ministro da Secretaria Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial, Edson Santos, os principais temores daqueles que se diziam contras as cotas nas universidades caíram por terra. “Não caiu o nível da produção acadêmica, não gerou confrontos nem conflitos de raça, e não há desvantagem para os não-negros, pois as cotas são sociais, com um recorte racial.”

Antes de chegar ao STF, a Justiça dos Estados onde há cotas tem lidado com questionamentos. Muitas vezes, alunos alegam ter sido injustiçados ao perder a vaga para um cotista. Um levantamento publicado no Estado de S.Paulo mostrou que na maioria dos casos o Judiciário tende a rejeitar as alegações e a considerar o sistema constitucional. Exceções têm ocorrido no Rio Grande do Sul, onde o critério de renda tem dado vitórias aos opositores da ação afirmativa.

2 de dezembro de 2009

Violência na escola

texto publicado no dia 01/12/09, na seção Carta dos Leitores, do jornal O Popular.

"Trabalhadores da educação, nos indignamos e ficamos em pânico quando uma criança indefesa é estuprada, e dentro da escola. Ficamos paranóicos, imaginando se todo o cuidado que estamos tendo e se tudo que estamos fazendo é suficiente.

Os acontecimentos no dia-a-dia da escola são de deixar qualquer um maluco. A indisciplina gera todo tipo de violência, pois cada criança é educada de uma forma, recebendo diferentes orientações em casa. Isso faz com que a escola tenha de mediar essas diferenças, para tentar trabalhar com o conhecimento. Dizem que é esse o papel da escola, tentar diferentes metodologias, para que o processo de ensino-aprendizagem se torne mais atrativo, ou seja, todas as crianças despertem o interesse pelo aprendizado.

Se a criança não aprende, a culpa é nossa (só nossa?). Assim vamos acumulando culpas, que, na maioria das vezes, não geram as devidas reflexões por parte dos pais e da sociedade, de forma geral. Criança que bate/apanha, que perde ou não tem materiais, que não tem amigos, não tem comida, roupa, calçados... E não tem segurança! Será que temos de ser especialistas em segurança?

A sociedade mudou, a violência está por toda parte e precisamos de ajuda para conseguir proteger nossas crianças. Precisamos que a sociedade pense e nos ajude a proteger nossos alunos. Em relação a isso, vimos o primeiro passo para fragilizar as escolas quando a guarda foi substituída por cercas elétricas que não funcionam e alarmes que só protegem o patrimônio.

As crianças e nós mesmos que compomos o quadro de funcionários, formado por maioria de mulheres, proporcionamos uma ideia de fragilidade para os agressores. Hoje assistimos aos noticiários, e só ouvimos falar de punição aos culpados.

Precisamos pensar também em quais medidas deverão ser tomadas para evitar que casos como esse se repitam não só dentro da escola, mas também fora dela."

BENI HONORATO
RAQUEL RIBEIRO
MARIA LÚCIA RODRIGUES
OMAR RORE
Professores da Rede Muninicipal de Ensino de Goiânia

30 de novembro de 2009

Fórum mundial defende cooperação entre trabalhadores

“Outro mundo não é possível, é necessário”. A frase dita pelo filósofo Leonardo Boff é o prólogo da Carta do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica encerrado nesta sexta-feira, 27, em Brasília. O documento é um resumo do que o evento, com público de 15 mil pessoas, trouxe para as discussões de educação e de formação profissional nas mais diversas áreas. Em suma, o texto defende a união em detrimento da concorrência entre os trabalhadores.

A carta defende a criação de um novo paradigma mundial, fundamentado não no mercado de trabalho, mas em “laços de cooperação, de interação e de partilha”. Nos cinco dias em que Brasil recebeu o fórum mundial, pessoas de mais de 16 países trocaram experiências e levantaram propostas para construir uma formação profissional capaz de “trazer o resgate e a superação de direitos negados”.

Marco do Fórum Mundial, o julgamento da anistia política de Paulo Freire é também citado no documento. No último dia 26, o Estado brasileiro pediu desculpas oficiais pela perseguição política que fez ao educador. À viúva de Freire, foi dada a maior indenização que a lei permite, de 450 salários mínimos. A anistia do educador foi recebida com lágrimas por sua viúva e pelo público de três mil pessoas que lotaram o auditório principal do Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

A agenda estabelecida pela carta prevê compromissos públicos, como aumentar o alcance da educação profissional e promover ações que reconheçam na ciência e na tecnologia instrumentos fundamentais para uma melhor educação. O Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica foi realizado, pela primeira vez, em Brasília, de 23 a 27 de novembro. O evento é um desdobramento dos fóruns Social Mundial e Mundial de Educação.

Assessoria de Comunicação Social do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica


íntegra da carta de encerramento do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica

28 de novembro de 2009

A "cara" do Ensino Superior no Brasil

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, Inep/MEC, divulgaou nesta sexta-feira, 27/11, os dados mais recentes da educação superior no Brasil. O Censo da Educação Superior, realizado anualmente pelo Inep, coleta informações sobre as instituições de educação superior (IES) em suas diferentes formas de organização acadêmica e categorias administrativas; os cursos de graduação presenciais ou a distância; os cursos seqüenciais; as vagas oferecidas; as inscrições; as matrículas; os ingressos e concluintes, além de informações sobre as funções docentes.

O Censo da Educação Superior 2008 revelou aspectos importantes da atual situação da educação superior brasileira, como o crescimento da entrada de estudantes. Em 2008, 1.936.078 novos alunos ingressaram no ensino superior, 8,5% a mais em relação a 2007. No total, o número de matrículas em 2008 foi 10,6% maior em relação a 2007, com um total de 5.808.017 alunos matriculados em cursos de graduação presencial e a distância.

Ensino superior tem quase 1,5 milhão de vagas ociosas, 98% está nas particulares
O crescimento do número de matrículas no ensino superior entre 2007 e 2008 não acompanhou a expansão das vagas. Em todo o país, foram registradas 1.479.318 vagas não preenchidas de acordo com informações do Censo da Educação Superior, divulgado hoje (27) pelo Ministério da Educação (MEC).

De acordo com a secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Paula Bucci, o fenômeno ocorre porque, durante o processo de autorização de um curso, as instituições pedem mais vagas do que de fato desejam oferecer. “O processo de autorização era muito lento. A tendência é que a instituição não precise mais fazer esse 'estoque' de vagas.”

As instituições privadas respondem por 98% dessas vagas. Entre 2007 e 2008, o aumento de vagas ociosas foi de 10%. Apesar de alto, ainda é menor do que o registrado no período anterior, de 13%. O relatório aponta que é preciso analisar as razões para um número tão grande de vagas desocupadas, pois “a oferta deve refletir a capacidade instalada do setor para atender à demanda por cursos de graduação”.

A secretária acredita que é preciso ampliar as fontes de financiamento para que a população de baixa renda que ainda está fora do ensino superior possa ter acesso a essas vagas ociosas. “O Fies [Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior] está sendo reformulado para que tenha um melhor aproveitamento, hoje ele é usado em grau muito menor do que poderia.”

Outro dado apresentado pelo censo é o índice de conclusão de curso. Pouco mais da metade dos estudantes (57,3%) conseguiu se formar. A taxa de conclusão foi calculada pela razão entre o número de concluintes de 2008 e os ingressantes de 2005.

As menores taxas de conclusão registradas em 2008 são de instituições privadas: 55,3%. Entre as públicas o índice é de 65%, chegando a 67% na rede federal.

Fonte: Agência Brasil



Quase 75% dos universitários brasileiros estudam em instituições privadas
Em 2008, havia 5.080.056 alunos matriculados em cursos superiores no Brasil, 4,1% a mais do que em 2007. O setor privado ainda responde pela maior parte das matrículas: 74,9% dos alunos estão em cursos particulares, enquanto 25,1% estudam em instituições públicas.

Para a secretária de Ensino Superior do MEC, Mari Paula Bucci, há um processo de expansão generalizado, tanto no setor público quanto no privado. Ela acredita que os programas do governo federal para aumento do número de vagas em universidades públicas só terão efeito nos próximos anos.

“O grande crescimento do Reuni [Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais] deve ocorrer em 2009. O importante é que o ensino público também está se expandindo e se interiorizando”, disse.

No ano passado, 1.936.078 alunos ingressaram no ensino superior, 8,5% a mais do que o registrado em 2007. No ensino presencial, entretanto, houve uma redução no crescimento do número de novos estudantes. Cerca de 1,5 milhão de alunos se matricularam em instituições de ensino superior, um aumento de 1,6% em relação aos dados de 2007. Mas, em anos anteriores, esse aumento chegou a 7,2%.

As informações são do Censo da Educação Superior de 2008, divulgado hoje (27) pelo Ministério da Educação (MEC). De 2007 para 2008, foram criados 1,2 mil cursos, um aumento de 5,2%.

As instituições privadas também respondem pela maioria dos cursos: 17 mil, de um total de 24 mil. No entanto, o material divulgado pelo MEC destaca que o maior crescimento relativo foi nas instituições federais, que apresentaram um aumento de 6,8% no número de cursos na passagem de 2007 para 2008.

Das 2.252 instituições de ensino superior em funcionamento no país no ano passado, 90% eram particulares e 10% públicas, incluindo universidades federais, municipais e estaduais.

Fonte: Agência Brasil



SAIBA MAIS SOBRE O CENSO 2008


Resumo Técnico
Apresentação do Censo 2008 (INEP)
Sinopse estatística da Educação Superior 2008

26 de novembro de 2009

Apenas 40% das escolas do país têm acesso ao serviço de coleta de esgoto

Dados são de estudo da Fundação Getúlio Vargas. No país, escolas de BH e Vitória são as que têm maior acesso.

Enquanto o número de lares conectados à rede de esgoto chega a pouco mais da metade dos domicílios brasileiros, só 40% das escolas brasileiras têm acesso ao serviço de coleta de esgoto.

Os dados são de estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com o Instituto Trata Brasil, com base no censo escolar entregue pelas 197 mil escolas brasileiras em 2008.

"Nossas crianças frequentam escolas sem acesso a saneamento", lamenta o coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Neri. Para ele, o mais preocupante é que a falta de saneamento está diretamente ligada ao risco à saúde.

"Enquanto alguns cogitam programas como o 'um computador por criança', inspirado na iniciativa americana OLPC (One Laptop Per Child), propomos a iniciativa 'PDF - uma privada decente por família'.

"Nas escolas brasileiras a falta de rede de esgoto é mais intensa que os demais serviços públicos, como rede de abastecimento de água, com alcance de 63%; energia elétrica (88%); e coleta de lixo (63%).

Ranking

O ranking de instituições de ensino com acesso ao serviço de coleta é liderado por Belo Horizonte (MG), onde quase todas as escolas (99,6%) estão ligadas à rede de esgoto.

Em segundo lugar, aparecem Vitória (ES), com alcance de 98%, e Rio de Janeiro (RJ), com 97%. São Paulo (SP), onde 93% das escolas estão conectadas à rede, aparece em sexto lugar. Nas últimas posições estão Boa Vista (RR), Macapá (AP) e Porto Velho (RO), onde o porcentual de instituições de ensino com acesso à coleta é de 31%, 15% e 9%, respectivamente.


Da Agência Estado

23 de novembro de 2009

História das Coisas

História das Coisas, versão brasileira do documentário The Story of Stuff, de Annie Leonard é um documentário de 20 minutos, direto, passo a passo, baseado nos subterrâneos de nossos padrões de consumo.

História das Coisas revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais, e é um alerta pela urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo.

História das Coisas nos ensina muita coisa, nos faz rir, e pode mudar para sempre a forma como vemos os produtos que consumimos em nossas vidas. (fonte: http://sununga.com.br/HDC/).

Gostaria de copiar este vídeo? clique aqui

21 de novembro de 2009

A "arte" de fazer a diferença...

Alunos de escolas públicas aprendem uma nova forma de jogar xadrez.

Em Rezende, no sul do estado do Rio de Janeiro, um professor de artes encontrou uma forma didática de ensinar xadrez. Cada aluno é uma peça, neste grande tabuleiro de xadrez humano.


19 de novembro de 2009

Dia da Consciência Negra

700 municípios comemoram o Dia da Consciência Negra
Mais de 700 municípios comemoram amanhã o Dia da Consciência Negra. Em grande parte deles, será feriado ou ponto facultativo na data que homenageia Zumbi dos Palmares, um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão no país.

A decretação de feriado no dia 20 de novembro, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), deve ser feita a critério de cada município. O ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, criticou a decisão de alguns tribunais de Justiça, como o de Goiás, de vetar a decretação de feriado.

O governo federal vai promover uma série de atividades para lembrar o Dia da Consciência Negra. O evento principal vai ocorrer em Salvador, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai assinar 30 decretos para a titulação de terras de comunidades quilombolas situadas em 14 estados.

Também será lançado na solenidade o Selo Quilombola, marca que será atribuída aos produtos artesanais desenvolvidos por comunidades remanescentes de quilombos de todo o país, com o objetivo de agregar identidade cultural e valor econômico a essa produção.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Edson Santos disse que a Abolição da Escravatura, em 1888, não resultou em medidas de inclusão dos negros.

O ministro lembrou que aproximadamente metade da população brasileira é negra. Ele disse que o percentual de negros na Câmara dos Deputados ainda é pequeno, não chega a 5%. Para o ministro, é preciso aumentar a representação da população negra no Parlamento.

Edson Santos destacou que a Seppir elaborou em parceria com o Ministério da Educação um plano para implementação do ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, que deverá envolver a qualificação de professores para abordar o assunto em sala de aula.

A adoção do regime de cotas raciais por cerca de 60 universidades em todo o país foi defendida pelo ministro como elemento de combate à discriminação.

Na entrevista, ele também falou sobre pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que mostra a redução da desigualdade entre negros e brancos no mercado de trabalho.

Segundo ele, a renda da população negra está aumentando por conta da política de distribuição de renda do governo, que melhorou a situação das camadas mais pobres da população, em que se concentra a maioria dos negros.

Para o ministro, no entanto, ainda é pouco expressiva, em torno de 5%, a presença dos negros em funções de direção e cargos de gerência, o que indica que é preciso avançar para se ter um país mais igual e isonômico no mercado de trabalho.

Agência Brasil


Veja Mais:
O PRECONCEITO RACIAL E SUAS REPERCUSSÕES NA INSTITUIÇÃO ESCOLA

EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE CULTURAL: REFLETINDO SOBRE AS DIFERENTES PRESENÇAS NA ESCOLA

16 de novembro de 2009

OS DEZ MAIORES DESAFIOS DA EDUCAÇÃO NACIONAL

Em reunião do Conselho Nacional de Educação com o Fórum dos Conselhos Regionais e Municipais de Educação divulga carta com os 10 maiores desafios da Educação Nacional.

1. Universalizar o atendimento público, gratuito, obrigatório e de qualidade na educação infantil, no ensino fundamental de nove anos e no ensino médio.

2. Implantar o Sistema Nacional Articulado de Educação, integrando, por meio da gestão democrática, os Planos de Educação dos diversos entes federados e das instituições de ensino, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, regulamentando o Artigo 211 da Constituição Federal.

3. Extinguir o analfabetismo, inclusive o analfabetismo funcional, do cenário nacional.

4. Estabelecer padrões de qualidade para cada nível, etapa e modalidade da educação, com definição dos componentes necessários à qualidade do ensino, delineando o custo-aluno-qualidade como parâmetro para o seu financiamento.

5. Democratizar e expandir a oferta de Educação Superior, sobretudo da educação pública, sem descurar dos parâmetros de qualidade acadêmica.

6. Assegurar a Educação Profissional de modo a atender as demandas sociais e produtivas locais, regionais e nacionais, em consonância com o desenvolvimento sustentável solidário.

7. Garantir oportunidades, respeito e atenção educacional às demandas específicas de: estudantes com deficiência, jovens e adultos defasados na relação idade-escolaridade, indígenas, afros-descendentes, quilombolas e povos do campo.

8. Implantar a escola de tempo integral na Educação Básica, com projetos político-pedagógicos que melhorem a prática educativa, com reflexos na qualidade da aprendizagem e da convivência social.

9. Ampliar o investimento em educação pública em relação ao PIB, de forma a atingir 10% do PIB até 2014.

10. Valorizar os profissionais da educação, garantindo formação inicial, preferentemente presencial, e formação continuada, alem de salário e carreira compatíveis com as condições necessárias à garantia do efetivo exercício do direito humano à educação.

15 de novembro de 2009

Conferência Nacional de Educação

Este final de Semana participarei da etapa estadual (Goiás) do CONAE. Convido a todos a se informarem mais sobre este importante movimento da educação no Brasil.

video

13 de novembro de 2009

Por que os professores adoecem?

Uma pesquisa de fôlego sobre as condições de trabalho e suas repercussões na saúde dos professores da educação básica, que começou com um levantamento de teses e livros de toda a produção do país nos últimos dez anos, culminou com um livro sobre o assunto. O projeto – encabeçado pela Fundacentro, instituição vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego que promove pesquisas científicas e tecnológicas sobre a saúde dos trabalhadores, e que teve apoio financeiro da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) – contou com a coordenação das professoras Aparecida Neri de Souza e Márcia de Paula Leite, do Departamento de Ciências Sociais na Educação (Decise) da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp. Reúne em mais de 100 páginas o estado da arte a partir de temas como o trabalho docente em números, o mal-estar docente, o estresse emocional, os distúrbios vocais e a síndrome de Burnout. As primeiras conclusões foram categóricas: é preciso conhecer mais as causas que levam os professores a adoecerem, não somente combater as consequências.

Clique aqui e leia artigo completo.

12 de novembro de 2009

Dividir, compartilhar... nunca é demais! - 2

Mais uma prova da importância e da alegria de dividir, compartilhar... Abaixo um email enviado por uma leitora deste blog, a profa. Nidiane ganhadora de um prêmio nacional promovido pelo MEC e onde o Depois da Aula foi um canal desta alegria. "E sobre o "Depois da Aula".. foi exatamente o primeiro blog que li a respeito do prêmio, as inscrições prorrogadas, postado dia 24/09..":

email enviado dia 11/11/2009:

"Também conheço o site Na mira.... adoooooooro!! assim como o de vocês! Como precisamos de sites inteligentes como esses..

e hoje, venho aqui compartilhar com vocês um prêmio conquistado por mim, através da realização do projeto: Reestruturação da Sala de Leitura Álvares de Azevedo.

Inscrevi o projeto no 4º PRÊMIO PROFESSORES DO BRASIL. O prêmio, promovido pelo Ministério da Educação e outras instituições parceiras, seleciona experiências criativas e inovadoras, já realizadas ou em andamento, que contribuam para a qualidade da educação básica. São avaliadas ações pedagógicas de professores de escolas públicas que lecionam em todas as etapas da educação básica, de todas as regiões do país.

Os professores escolhidos receberão R$ 5 mil e as escolas onde as experiências foram ou são desenvolvidas ganharão equipamentos audiovisuais ou multimídia, a critério delas, no valor de até R$ 2 mil. A cerimônia de premiação ocorrerá durante o Seminário Professores do Brasil, que será realizado entre os dias 2 e 4 de dezembro em Brasília.

No blog da escola álvares e no meu aqui abaixo, na assinatura há mais detalhes do projeto.

Obrigada mais uma vez por acreditarem em nosso trabalho.

Professora Nidiane Latocheski
_______________________
Nidi_Nani Latocheski

http://nanilatocheski.blogspot.com "

A Divulgação dos premiados está no site do MEC, clique aqui e veja

11 de novembro de 2009

Vídeos e materiais educativos sobre nosso Planeta

Uma dica interessante para professores, alunos e pesquisadores das ciências naturais. O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos - CPTEC, disponibiliza na rede vídeos e diversos materiais educativos sobre temas variados como: El Niño - La Niña, Movimentos na Atmosfera, Mudanças Climáticas, Mudanças Ambientais Globais, Efeito Estufa, questões climáticas no Brasil e muito mais.

Vale a pena conferir.

Para acessar basta clicar aqui.

10 de novembro de 2009

Dividir, compartilhar... nunca é demais!

Procuro constantemente fazer um acompanhamento da "audiência" do Depois da Aula na Web. Este final de semana tive uma enorme felicidade ao "descobrir" que este site/blog foi indicado num artigo no portal do Jornal Gazeta do Povo, do Paraná.

Na medida que agradeço a prof. Doralice Araújo pela sugestão, recomendo a leitura da artigo onde o Depois da Aula foi indicado. clique aqui

8 de novembro de 2009

Educação Profissional e Formação de Professores

Como costumo fazer disponibilizo os slides do mini-curso que apresentei neste sábado,em evento na Faculdade Araguaia, Goiânia/Goiás. Para acessar basta clicar na imagem abaixo.



7 de novembro de 2009

Sobre escola, professor e governos

Penso ser conveniente estes slides, imaginemos a sua mensagem no contexto em que moramos, trabalhamos e/ou estudamos. Vale a pena a reflexão.

Não se deixe enganar

3 de novembro de 2009

A Ação Docente na Educação Profissional e Tecnológica

"O atual cenário da sociedade contemporânea requer uma Educação Profissional diferente capaz de atender as novas demandas do mundo do trabalho e os anseios sociais dos indivíduos. Conseqüentemente, o professor dessa modalidade de ensino sofre novas exigências para atuar com os seus alunos. Agora além de promover os conhecimentos referentes às profissões que vai desenvolver junto com os seus alunos, ele precisa se ater às questões pedagógicas, sociais, culturais e políticas inseridas no contexto da escola."

Neste sábado, 07 de novembro, vou participar do II Seminário Interdisciplinar da Faculdade Araguaia com o mini curso "Educação Profissional e Formação de Professores".

Divulgo a iniciativa da faculdade e o mini curso e convido a todos os interessados. Lembro que como sempre faço após o mini curso estarei disponibilizando aqui os slides e materiais utilizados.

Maiores informações clique aqui

1 de novembro de 2009

Twitter na escola?

fonte: A Rede, por Sergio Amadeu

O Twitter pode ser uma boa ferramenta para a Educação? Como um nanoblog com 140 caracteres pode apoiar o processo de ensino-aprendizado? O Twitter usado em sala de aula garantirá a múltipla atenção dos estudantes ou simplesmente gerará um processo de dispersão? Quais outras possibilidades de uso educacional do Twitter?

Essas questões são cada vez mais importantes. Isso porque o Twitter não é mais uma atividade de nerds e super-usuários da internet. O Twitter já ultrapassou 1 milhão de participantes, somente no Brasil. A tendência é crescer ainda mais. Além disso, o Twitter permite uma grande versatilidade de uso. Alguns dizem que se presta mais a divulgação de ideias e dicas. Na realidade, o Twitter pode ter usos muito mais variados. Algumas pessoas usam para expressar sentimentos, outras para cobrir eventos e algumas até para denunciar políticas ou políticos que consideram nefastos.

Para aprofundar um pouco as possibilidades de uso do Twitter no ensino formal, traduzi algumas ideias das pesquisadoras romenas Gabriela Grosseck e Carmen Holotescu, que em 2008 escreveram um documento intitulado “Can we use Twitter for educational activities?”, ou, “Podemos usar o Twitter para atividade educaionais?” Gabriela e Carmen exploraram questões pragmáticas sobre o potencial do Twitter como ferramenta educacional, baseando-se em suas próprias experiências. Uma primeira possibilidade é a criação de comunidades de alunos. A ideia é twittar em sala de aula ou fora dela sobre temas de interesse da disciplina.

Explorando a escrita colaborativa, é possível promover atividades de busca de conteúdo na rede e dispor as descobertas para os colegas. Tais buscas podem ser divertidas e as dicussões no próprio twitter podem ser bem proveitosas, mesmo que não sejam realizadas em tempo real. Os alunos podem realizar as suas postagens (twittar), endereçadas aos seguidores do perfil da sua turma, para perguntar e esclarecer dúvidas sobre o tema da pesquisa proposta pelo professor. Também podem refletir conjuntamente sobre a pertinência ou a compreensão coletiva de determinados fatos.

Minha sugestão é trabalhar com as #hashtags ou hashtags, quando se está pesquisando um tema. O processo é bem simples. A turma decide que todos que escreverem sobre aquele tema no início ou no final da postagem coloquem um identificador do assunto, ou seja, uma hashtag. Por exemplo: todo mundo que estiver participando da pesquisa sobre Machado de Assis deve incluir na frase a hashtag #machado. Com isso, depois basta clicar na hashtag para obter as postagens de todo mundo que escreveu algo sobre o autor. Assim, é possível resgatar toda a discussão, dicas, dúvidas e declarações realizadas.

A turma pode, inclusive, usar as postagens feitas no Twitter para editar um blog com um novo ordenamento das informações coletadas. Assim, dá para fazer uma análise crítica de todo o processo e requalificá-lo. A definição do tagueamento ou etiquetagem das postagens pode ser muito útil não só para recuperar informação, mas para definir exatamente o que a turma está procurando. Discutir o nome mais adequado da tag é, em si, um exercício não somente escolar, mas também que ajuda as pessoas a entenderem a importância da web semântica.

De volta às proposições das pesquisadoras romenas, o Twitter serve também para a classe debater com um cientista, personagem ou professor que está em outra cidade. Usando uma hashtag combinada com o convidado, que está à distância, a turma pode transformar o Twitter em “uma sala de conferência”. A dificuldade é coordenar o debate para que não seja uma “gritaria digital”. Mas essa é uma das situações que fazem parte do aprendizado do uso da ferramenta. Depois do debate online, em tempo real, os alunos podem recuperá-lo a partir da hashtag para uma análise posterior mais profunda.

Outro exercício bem interessante e divertido é levar a turma para a sala de internet e combinar que cada um deve imediatamente escrever a continuidade do texto do outro. Mas o tema deve ser aquele que está sendo estudado. Assim, é possível avaliar a compreensão e o desempenho de modo participativo. As sentenças devem fazer sentido para a correta compreensão do problema que está sendo estudado. O professor pode incentivar, postando uma frase ou pergunta inicial e as pessoas têm trinta segundos para escrever, seguindo uma ordem previamente combinada.

Entre as várias possibilidades de uso educacional do Twitter, coloco a do estudo do meio com o uso de celulares que têm câmera fotográfica e envio para o twitpic (http://twitpic.com/) – aplicação que permite expor as imagens que os twitters captaram. Aulas de geografia e jogos narrativos, tais como a história da sua rua ou do bairro, podem ser realizadas pela turma, que irá participar e analisar conjuntamente o processo.

Enfim, o uso do Twitter ou do identi.ca, um microblogging livre, no processo de ensino e aprendizagem, pode melhorar a integração dos alunos e incentivar a autonomia de pesquisa na rede e o compartilhamento de soluções. Sem dúvida, o uso da rede e do próprio nanoblogging em sala de aula pode gerar dispersão e baixo aproveitamento se não for planejado e bem orientado.

Por isso, o professor deve cada vez mais assumir a posição de um navegador experiente. É preciso superar o ensino verticalizado, centrado exclusivamente na hierarquia e encontrar novas formas de aprendizado em rede.


Sergio Amadeu da Silveira é sociólogo, considerado um dos maiores defensores e divulgadores do software livre e da inclusão digital no Brasil. Foi precursor dos telecentros na América Latina e presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.


Sobre o uso do Twitter na educação veja um artigo norte-americano que relata algumas experiências educacionais.

Acesse aqui artigo original em inglês.

Clique aqui e veja uma versão traduzida pelo Google Tradutor.

29 de outubro de 2009

Exageros a parte...

Brasília, 15 de outubro de 2268.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República do Brasil,

Erradicamos a pobreza e muitas doenças. A distribuição de renda prima pela eqüidade, o que permitiu o decréscimo da violência. Revertemos o efeito estufa e o aquecimento global não mais ameaça a existência dos seres vivos. Nossas indústrias são ecotecnológicas. A expectativa de vida é alta e a taxa de mortalidade quase inexistente.

Condições de trabalho satisfatórias e a medicina preventiva têm feito as pessoas adiarem a aposentadoria, desafogando o sistema de previdência. Um judiciário eficiente acabou com a corrupção.

Contudo, a Educação de nossas crianças e jovens preocupa. Desde a implantação do sistema educacional robótico, mediado por computadores, percebemos que os estudantes estão perdendo a capacidade de compreensão do todo, tornando-se incapazes de pensar por si mesmos.

Todo o sistema é previsível: para um problema de Química, apertar o botão Q36; para um fato histórico, aperta-se o H43; para Redação, o código 53, que, seguido do gênero, traz um texto pronto. Matemática já não é mais um problema, como foi para os nossos antepassados: o programa Hackermats num só clique resolve qualquer desafio. Viajar? Bastam simuladores.

Acredito que, se acontecer dos nossos supergeradores entrarem em pane, nossa sociedade será destruída, pois quem conseguiria sobreviver sem os botões da vida ultramoderna?

Soube de uma antiga classe chamada professores, especialistas em fazer pessoas pensarem de forma autônoma, um grupo dos ofícios já extintos, desenvolvidos pelos grandes mestres, que envolvia processos complexos, de dimensões técnicas, éticas e estéticas, entre outras. Tiveram grandes conflitos: às vezes eram considerados sacerdotes e salvadores e em outras, grandes vilões. Trabalhavam em condições precárias e exigia-se deles o uso dos recursos mais modernos. Eram exaltados e ao mesmo tempo enxovalhados. Quando lhes tiraram a autonomia intelectual, não resistiram e pereceram.

Peço, Vossa Excelência, que resgatemos esses profissionais para não morrermos num mar perigoso disfarçado de calmaria. Compreendemos agora, a duras penas, que uma sociedade se faz com uma juventude crítica e quem pode construí-la é um profissional insubstituível chamado professor.

Atenciosamente,
Sócrates de Paulo Freire
Ministro da Educação


Este texto foi escrito pela professora Vera Lúcia dos Santos, que leciona na EMEF Professor José Bento de Assis, em São Paulo, para turmas de 6ª série, e foi a vencedora do concurso Era uma Vez - Especial Dia do Professor, promovido pelo site de NOVA ESCOLA (www.novaescola.org.br). Publicado na edição 216 da revista.

26 de outubro de 2009

A docência sobre pressão

Contribuições de leitores do Depois da Aula.

Este texto foi escrito pela Profa. Maíra Braga, Pedagoga, Coordenadora e Professora da Rede Municipal de Educação de Goiânia/Goiás.
email: maira_b_adorno@gmail.com

O sistema educacional brasileiro, nos últimos vinte anos, transformou-se significativamente. Acentuou-se o desgaste da imagem social do ensino e dos professores, sobretudo, pela crescente escolarização das crianças e jovens em idade escolar.

O ensino deixou de ser meramente elitista e se massificou, provocando o aumento quantitativo de alunos, bem como de problemas relacionados à qualidade da educação formal.A sociedade nesse sentido, deixa de acreditar na educação como promessa de um futuro melhor, e, consequentemente, os educadores passam a enfrentar a profissão com atitude de renúncia, que se desenvolve paralelamente à degradação de sua imagem social.

Os professores sujeitam-se a determinadas situações de mudança que os obrigam, em muitos casos, a realizar mal o seu trabalho, tendo inclusive, de suportar críticas generalizadas da sociedade, que os consideram muitas vezes, responsáveis diretos pelos problemas enfrentados pelo sistema educacional.

Os profissionais da educação estão mais sujeitos a terem transtornos psíquicos que outros grupos de profissionais, sobretudo pelas más condições de trabalho em que estão submetidos (excesso de tarefas a serem cumpridas, pressão por qualificação constante e obrigatória, falta de apoio institucional, entre outros aspectos), de acordo com a pesquisa coordenada por Wanderley Codo e Yône Vasques-Menezes (Universidade de Brasília), publicada no livro, Educação: carinho e trabalho. Os pesquisadores chegaram à conclusão que, quase 50% dos professores brasileiros possuem indícios de estresse ou depressão, sendo que muitos desistem da atuação em sala-de-aula.O atual contexto sócio-econômico provocou nas últimas décadas, consideráveis mudanças no âmbito educacional no que tange à profissão docente. Sabe-se que entre as conseqüências que marcam o sistema capitalista, globalizado e neoliberal ao mundo do trabalho, a mais relevante relaciona-se à eliminação e substituição dos direitos e conquistas históricas dos trabalhadores.

Tais conseqüências aliadas às transformações educacionais geraram nos profissionais da educação várias doenças de cunho trabalhista, tais como: depressão, stress, ansiedade, fadiga. Sendo que a junção de tais doenças leva ao que se denomina Síndrome de Burnout, ou seja, a exaustão causada pelo trabalho e a conseqüente desistência docente.

Transferiu-se ao educador a responsabilidade de cobrir as falhas existentes na instituição educacional. O profissional, portanto, sobrecarrega-se de funções, exercendo além do magistério, práticas de atualização e preparação constantes, bem como a realização de tarefas fora da sala de aula, estendendo a jornada de trabalho.Cada vez mais tem se discutido a respeito das condições de trabalho em que os professores estão submetidos.

Sabe-se da precariedade de todo o sistema educacional, no sentido da falta de materiais didáticos e de apoio para os docentes, bem como a indisciplina em sala de aula, perpassando pela má remuneração em que estão sujeitos.Toda essa problemática, gera no educador um sentimento de impotência e desistência diante da profissão.

Nesta perspectiva, a Síndrome de Burnout, em um sentido mais amplo, seria a desistência no trabalho, e em uma tradução mais literal, queimar-se por inteiro, consumir-se.A síndrome é produzida pelas condições de vida e trabalho neste início de século. Globalização, urbanização acelerada, despersonalização nas relações humanas, dificuldades na elaboração de projetos políticos capazes de amenizar o problema...

Esta é a sociedade que sustenta burnout.Ao referir-se à síndrome, é válido ressaltar que podem ser associados à desistência no trabalho três fatores que são independentes entre si: a despersonalização, a exaustão emocional e o baixo envolvimento pessoal no trabalho.A despersonalização seria o desenvolvimento de atitudes negativas às pessoas destinatárias do trabalho, sobretudo, usuários e clientes, bem como o endurecimento afetivo e a 'coisificação' da relação. A exaustão emocional refere-se à situação em que os trabalhadores percebem que não podem dar mais de si mesmos afetivamente. Esgotam-se os recursos emocionais próprios devido ao contato permanente com problemas.

E, finalmente, a falta de envolvimento pessoal que tende a um processo negativo no trabalho, afetando a habilidade para realização do trabalho e/ou com as pessoas usuárias do trabalho.No âmbito educacional, o professor se sente totalmente exaurido emocionalmente, em razão do desgaste diário e permanente ao qual é submetido, sobretudo, no relacionamento com seus alunos, que muitas vezes é conflitante.

Nesse sentido, é válido repensar as condições de trabalho do educador, valorizando sua profissão e estabelecer medidas preventivas que auxiliem o docente em sua prática cotidiana, no sentido de melhorar a qualidade do ensino. Assim, todos saem ganhando: sociedade, educação e, principalmente, o professor.

24 de outubro de 2009

Que tipo de professor você é? ou Será?

Que tal fazer este "divertido teste" e descobrir que tipo de professor você é, ou será?

Mas muita calma, não leve o resultado a sério, isso não é ciência. Porém serve como um bom ponto de partida para uma boa reflexão... Divirtam-se!


1. No início do ano, só de olhar para os alunos, você já consegue identificar aqueles que vão e aqueles que não vão passar. ( )

2. Na sua classe você impõe respeito: já avisou que vai reprovar todos os bagunceiros.( )

3. Para você, avaliar não é só fazer provas, mas acompanhar diariamente o desempenho dos alunos e tomar as providências necessárias para aperfeiçoá-lo. ( )

4. Você faz questão de elaborar provas bem difíceis. Todo mundo sabe que um professor, para ser levado a sério, tem que reprovar pelo menos a metade da classe.( )

5. Mesmo que o aluno apresente um trabalho ruim, você coloca “muito bem!” do lado, para não desanimá-lo. ( )

6. Você corrige os cadernos todos os dias. Quando os alunos não conseguem terminar os exercícios a tempo, você escreve no caderno deles: “lição incompleta”. ( )

7. Seus alunos sabem até onde precisam chegar e em que aspectos serão avaliados. ( )

8. Seus alunos não aprenderam nem o mínimo, mas, como você tem pena, vai dar um “empurrãozinho” neles. ( )

9. Os pais dos alunos não reclamam quando você reprova os filhos deles. Você já explicou que, repetindo de ano, eles vão conseguir aprender mais. ( )

10. Ao avaliar seus alunos, você também avalia o seu próprio desempenho como professor. ( )


Clique aqui e confira o resultado.

22 de outubro de 2009

Perfil do Professor

Este vídeo discute no programa Salto para o Futuro o significado do perfil do professor, com a participação do educador Antonio Nóvoa.


20 de outubro de 2009

III Encontro Estadual de Didática e Práticas de Ensino

Mais uma vez o Depois da Aula divulga aqui o III Encontro Estadual de Didática e Práticas de Ensino - EDIPE, que acontece de 21 a 24 de Outubro deste ano, na cidade de Anápolios/Goiás. O EDIPE é promovido e organizado pela UEG - UFG - UCG - UniEVANGÉLICA.

Um evento importante no debate para educadores de todas as áreas do conhecimento.

Para acessar a programação do evento clique aqui.



19 de outubro de 2009

Nem tudo são flores!

Professores maltratados abandonam salas de aula
Baixos salários, violência e falta de estrutura são os principais motivos de abandono.

Reportagem do Programa Hoje em Dia da Rede Record mostra situação degradante de professores da rede pública do Rio de Janeiro.

16 de outubro de 2009

Histórias de Professor

Vi estes vídeos criados pela TV Escola em homenagem ao Dia do Professor e achei eles bem estimulantes. É que na educação escolar ficamos tão emergidos na nossa rotina, nos nossos dilemas e desafios que muitas vezes nos esquecemos do tão importante que somos.

Porém vale 2 alertas aqui:
1. Não defendo que professor é uma "missão", "devoção" ou coisa do tipo... Professor é uma profissão!
2. Não estou aqui pregando a superação pelo amor, ou coisa do tipo... Professor precisa de bons salários e condições de trabalho decentes!

Mas e você professor teria uma história bonita como estas abaixo para contar? Acredito que todos temos... Aproveitem os vídeos.











13 de outubro de 2009

“O entendimento de que a escola seja o único espaço educativo é um equívoco grave”

Roberto da Silva, é professor de uma das maiores universidades do mundo - USP. Mas, para atingir este estágio profissional, ele brigou com o destino para dar a volta por cima. Depois de viver por 15 anos na Febem, saiu pela porta da frente e acabou caindo na criminalidade, até ser enclausurado na Casa de Detenção, no Carandiru, em São Paulo.

Fez supletivo e ingressou na faculdade de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Com o diploma universitário, retornou para a capital paulista, onde acrescentou a seu currículo uma pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP) que resultou no livro "Os Filhos do Governo", publicado pela Editora Ática.

Casado e pai de dois filhos, é Fundador e presidente da História do Presente - Organização Paulista para Ações de Cidadania e um dos grandes defensores da Pedagogia Social no Brasil ele gentilmente deu esta entrevista para o Depois da Aula onde fala da Pedagogia Social, dos desafios para a escola e para o professor no atual contexto social.


Depois da Aula:O que impulsionou um ex.detento, ex Febem a escolher a vida acadêmica? O que o fortaleceu para prosseguir sua carreira, já que as possibilidades de estudar eram escassas.
Prof. Roberto da Silva: Aos 14 anos, quando trabalhava no juizado de Menores descobri meu próprio processo e na leitura dele constatei que o Estado e seus agentes tinham sobre mim e minha família todas as informações e, não obstante isso, não a utilizavam a nosso favor. Pelo contrário, usaram-na para nos separar, gerando a todos muita dor e sofrimento. Com esta experiência descobri que tudo que precisava saber sobre mim estaria em algum arquivo público, processo, prontuário, laudo ou parecer. Estudar estes documentos e depois organizar as informações para reverter situações desfavoráveis foi a motivação que me levou ao caminho do estudo, da pesquisa e depois à academia.

O senhor é um dos que lutam para implantar a Pedagogia Social no Brasil, fale-nos um pouco sobre esse projeto e explique-nos melhor sobre ele.
Pedagogia Social é a fundamentação teórica e metodológica da Educação Social. A primeira é desconhecida no Brasil, mas fazemos a segunda de boa qualidade. Pedagogia Social enquanto teoria geral da Educação Social existe ha mais de 70 anos no mundo e agora a estamos usando para resgatar o valor e o significado político, social, cultural e histórico das práticas de educação popular, social e comunitária há muito desenvolvidas no Brasil, hoje pejorativamente denominadas Educação não formal. Queremos o reconhecimento da Educação Social como profissão e que as instituições de ensino assumam a responsabilidade de formar o Educador Social e o Pedagogo Social no Brasil. São cerca de 4,5 milhões de educadores sem formação pedagógica, sem carreira profissional, sem garantias trabalhistas e que trabalham em movimentos sociais, ONGs e projetos sociais de forma muito precária.

O senhor defende que todos os espaços públicos e relações sociais deveriam cumprir funções pedagógicas. No entanto podemos afirmar que ao contrário disso, estaríamos vivenciando hoje uma exacerbada responsabilização da escola como espaço educativo?
O entendimento de que a escola seja o único espaço educativo é um equívoco grave e a excessiva transferência de responsabilidades da família para ela criou um descompasso entre o que sejam os objetivos da Educação Escolar e os objetivos da Educação Social. Além disso, o poder público atribui à escola exercer funções nas áreas da cultura, esporte, lazer e saúde por não investir nestas políticas setoriais. Ou retira-se da escola pública brasileira as funções sociais historicamente atribuídas a ela ou então é preciso um profissional de novo perfil, pois os cursos de formação de professores não conseguem capacitar o futuro professor a, simultaneamente, trabalhar a função didático pedagógica e a função social. Este novo profissional, insisto eu, é o Educador Social ou o Pedagogo Social.

Mas a escola pode fazer a diferença na vida de uma criança? Como? E o que tem faltado a ela para que realmente efetive seu papel educativo na sociedade?
A escola tem suprido a criança daquilo que a família não pode oferecer e cada vez mais incorpora funções de natureza social em detrimento de suas funções didático pedagógicas, isso parece irreversível no Brasil. Propostas como creche e escola em tempo integral colocam em choque o Direito à Educação e o Direito à convivência familiar e comunitária. A atribuição de maiores responsabilidades educativas aos professores e à escola resultam em maior descrédito em relação aos pais e à família quanto à capacidade de educar seus próprios filhos.

E A formação de professores consegue contemplar toda a diversidade social que envolve a escola?
Definitivamente não. E no ponto em que chegamos não sei se os cursos de formação de professores deveriam assumir isso como mais uma tarefa. Eu prefiro que a Pedagogia Social seja o campo de formação do novo profissional de que a escola necessita. Assim teríamos Pedagogia Escolar e Pedagogia Social trabalhando para fortalecer a Educação Escolar e a Educação Social e pedagogos escolares se pedagogos sociais trabalhando de forma complementar, articulada e integrada dentro da mesma unidade escolar.

Para encerrar, gostaria que o senhor citasse os desafios e as dificuldades do professor na atual sociedade.
Os desafios maiores para quem é professor hoje é trabalhar dentro de um universo onde os valores são tão heterogêneos quanto à diversidade de pessoas. Não há modelos a serem seguidos, não há padrões que sejam consensuais, as verdades são todas relativas e o que move cada pessoa é a sua própria vontade. A inexistência de um projeto coletivo que estabeleça rumos para a formação coloca em constantes dúvidas o professor quanto ao acerto do que ele está fazendo, pois o trabalho é feito de forma fragmentada, sem uma percepção do todo, do conjunto, do tipo de homem ou mulher que se quer formar. As questões salariais, as condições de trabalho, a indisciplina dos alunos e a desvalorização do trabalho do professor e da escola, creio eu, apenas agravam esta angústia existencial, fazendo com que muitos professores passem rapidamente do entusiasmo juvenil à frustração profissional.

12 de outubro de 2009

Sugestões de aulas

O Portal do Professor, um projeto do Ministério da Educação disponibiliza atividades e projetos de aulas sugeridas por outros professores em uma proposta colaborativa onde as mesmas podem ser omentadas, classificadas ou editadas e publicadas como novas sugestões. Nesse momento, há 1810 sugestões de aulas disponíveis. São aulas de todos os níveis e modalidades de ensino.

Vale a pena conferir esta dica e "turbinar" ainda mais o trabalho em sala de aula.


Clique aqui e visite o Portal do Professor.

9 de outubro de 2009

Pesquisa "Professores do Brasil: impasses e desafios

Apesar dos professores constituírem um dos grupos ocupacionais mais numerosos do país e serem peças de vital importância econômica, social e política para o Brasil ainda são tratados com enorme descaso e insignificância. Não obstante, a carreira e os salários que recebem na escola básica não são atraentes nem recompensadores e a sua formação está longe de atender as suas necessidades de atuação.

Estas e outras reflexões são levantadas por um estudo da UNESCO no Brasil lançado na 32ª Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), em Caxambu (MG).

Um estudo inédito sobre a situação dos professores brasileiros, Professores do Brasil: impasses e desafios” é a pesquisa mais abrangente sobre a condição docente já feita no país, envolvendo diferentes abordagens tais como as condições de trabalho, a formação inicial e continuada, a carreira e a remuneração.

"O objetivo deste estudo foi o de prover um balanço da situação relativa à formação, carreira e salário dos professores da educação básica no Brasil e situá-lo em um quadro mais amplo de referências que possibilite sinalizar perspectivas de superação dos muitos desafios encontrados, com vistas à melhoria da qualidade da educação e à valorização da profissão docente. " [Resumo Executivo da pesquisa]

Veja algumas constatações da pesquisa:

- O poder público é responsável por 83% dos empregos do magistério. Destes, 77,6% estão na educação básica. O número de professores e o volume de recursos que mobilizam por parte do Estado mostram a sua importância econômica para a nação, o que tem óbvios desdobramentos em termos do financiamento do setor educacional.

- As mulheres ocupam 77% dos postos de trabalho, o que tem também óbvias implicações de gênero, nem sempre devidamente aprofundadas nos estudos da área de educação. Sua presença varia segundo os níveis de escolaridade e a proporção delas aumenta gradativamente nos níveis mais baixos de escolarização. Na educação infantil (EI)98%; ensino fundamental (EF) 88,3%; ensino médio (EM) 67% - (PNAD, 2006).

- A proporção dos docentes com apenas um trabalho na educação infantil é de 88,4%; no ensino fundamental, 82%; no ensino médio, 75%. A jornada média de trabalho docente é de 30 horas semanais.

- O salário inicial do professor tem, no geral, tem sido baixo, quando comparado a outras profissões que exigem formação superior. Isso pesa sobre as características de procura desse trabalho, assim como sobre o ingresso e permanência na profissão.

- A condição de remuneração de professores no Brasil é muito desigual, tanto nos diferentes níveis de ensino, como conforme a região e a dependência administrativa. Há regiões em que ela tem sido sistematicamente muito baixa, como no nordeste, mas, onde também a oferta de empregos é mais escassa; em estados e municípios economicamente mais desenvolvidos, os salários são um pouco melhores, mas não são nada competitivos no contexto de opções e desestimulantes diante do custo de vida.

- De acordo com a PNAD 2006, a média salarial dos docentes da educação básica é de R$927,00, mas a mediana, ou seja, o ponto em que 50% dos professores recebem abaixo desse valor, é R$720,00.

- Apenas poucos ganham acima de R$2000,00 e no nordeste, 60% ganham menos do que R$530,00.


Informações:
Professores do Brasil: impasses e desafios
Coordenadoras: Gatti, Bernadete A.; Barretto, Elba siqueira de Sá
Brasília: UNESCO, 2009. 293 p.
Download gratuito (PDF, 1.7 Mb)

Site da Unesco